terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Museu do índio

O museu é do índio, mas o índio ainda está vivo!
O índio ainda respira, ainda pulsa.
O museu é do índio, mas as terras são do Estado.
O museu é do índio, mas as terras são dos latifundiários.
Mais bonito se o índio estivesse na fotografia, bonitinho e emplumado!
Mais bonito se o índio fosse uma criança branca, pintadinha, cantando aos índios em feriados!
Mais bonito se o índio estivesse nos livros, em um passado engarrafado.
Todo dia era dia de índio, mas o índio ainda está vivo!
Agora!
Neste instante!
Em cima da árvore!
Mas aproveitem, não vai durar muito!
O passado é do índio, mas o tempo presente é daquele antigo progresso (enferrujado).
Logo logo, quem sabe, o índio volta para o museu...

Tão risonho quanto empalhado!

PS.: os índios estão vivos, agora, em vários lugares, aqui

sábado, 14 de dezembro de 2013

Protestos contra faixas exclusivas para transporte público, ou de como sofre a classe média!

Essa moça daí da foto, fez um protesto em São Paulo contra as faixas exclusivas para ônibus, argumentando que atrapalham o trânsito dos bons cidadãos que usam carro. Ora, que culpam têm esses cidadãos de terem dinheiro, casa, carros e agregarem valor ao mundo pequeno burguês consumista e individualista brasileiro, não é mesmo?!



Mas, na verdade o que muita gente que pensa mais ou menos como ela, ou quem sabe até ela mesma (hipoteticamente), queria dizer, era algo parecido com essa reconstituição "ficcional" que faço abaixo:

Faz de conta que é a indignada cidadã protestando contra as faixas exclusivas de ônibus. Ela continua:

- "E tem mais, eu acho que temos que acabar com esse negócio de transporte público! Ora, se os nossos negrinhos, ops... digo, se os nossos empregados querem ir pro trabalho, limpar nossos banheiros, engraxar nossos sapatos, quem vão à pé, pra isso tem calçadas. Eles já conquistaram o direito de usarem sapatos, então que os usem indo pro trabalho cedo! Já não basta essas bolsas esmolas para essa gente nordestina desdentada... ops, quero dizer, pra essa gente pobre... Daqui a pouco, além de faixa exclusiva para ônibus, vão querer faixa pra essa gente defeituosa que anda pedindo na rua... ops!, quero dizer, pra essa gente com problemas de locomoção. Se continuar assim, a gente dando direitos pra essa gente vagabunda, ops, quero dizer, pra essa gente pobre, o Brasil vai acabar virando uma Cuba ou a Venezuela... Deus me livre!"

Fim da reconstituição ficcional!

O que falar de tudo isso, né minha gente? Pensei em dar gritos de revolta, mas vou concluindo com um lamentar. Como sofre essa classe média brasileira, como sofre essa gente de bem.

É de dar dó!... de dar dó!

Tive aceso ao caso na postagem do Movimento Pró-Corrupção no facebook, aqui.

Perguntas de um trabalhador que lê Belém.

(em homenagem ao Antonio Lemos)

Quem construiu a Belém belepoquiana? 
Nos livros vem o nome de Lemos.
Mas foi ele quem transportou as pedras de mármore, quem plantou uma a uma as mangueiras hoje centenárias?
Não levava sequer um calceteiro preto, índio, caboclo, pobre, da periferia, para arrumar as pedras por onde passava?
E as óperas do Theatro da Paz, quem as patrocinava?
Nos livros aparecem nomes de nobres locais.
Mas, e os pianos? Carregaram eles mesmos os pianos nos ombros?

Como diria o poeta Brecht:
“Em cada página uma vitória.
Quem cozinhava os festins?
Em cada década um grande homem.
Quem pagava as despesas?

Tantas histórias
Quantas perguntas"

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Açaí com frutas ácidas mata!

Hoje estava na defesa de doutorado de um amigo na UFPA na qual estava presente, dentre outros, o professor e poeta João de Jesus Paes Loureiro. Em certo momento de sua fala, o poeta lembrou da crença de que a mistura de açaí com frutas ácidas matava (o que é a mais pura verdade científica, como todos nós sabemos!). Então, para surpresa de todos os presentes, ele falou do caso de uma pessoa que tinha tomado açaí e depois tomou sorvete de cupuaçú, ou algo do tipo, mas não morreu! Me desesperei neste momento! Pensei: "Meu mundo caiu! Toda a cosmologia e a teogonia amazônicas não passam de uma grande mentira!". Mas, eis que a sabedoria poética se impôs salvando a mítica - e garantindo o futuro da ciência. O mesmo poeta, complementando sua história, asseverou sem titubear: "Mas isso ocorreu apenas porque o sorvete tem gelo, ou foi resfriado, e o gelo mata o veneno da mistura!".
Xeque mate! Tôma-lhe-te! Pega-lhe-te!
Desvendado o segredo, a verdade se restabeleceu, nossas avós e as tiazinhas que contavam histórias de visagens e assombrações às seis da tarde estavam certas! Misturar açaí e frutas ácidas mata, só não o faz se tiver gelo no meio!
Agora só nos resta saber se a moça do táxi existe ou não existe, se a cobra grande mora ou não debaixo da Igreja da Sé, e outras coisas ainda não totalmente esclarecidas para mim...!
Seja como for, ao paraense desavisado, quando estiver em outras partes do Brasil e resolver tomar um açaí com granola e outras misturas, não custa nada dizer assim, como quem não quer nada, ao garçom: "Moço, capricha aí no gelo, ouviu!"
Nunca se sabe, né!! Não dá pra arriscar!
Boa sexta a tod@s e saravá!

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Fala de José Júnior sobre o Bloco da Canalha

Diga lá seu Jose Dias Jr.

"Que bom saber que nossa geração desenha sua história marcando presença na vida cultural e boêmia belenense. Assim como"a turma do peixe frito" dos anos quarenta representada por homens como Bruno de Meneses e Dalcídio Jurandir; os boêmios do bar do parque dos tempos de Ditadura Militar, que conspiravam contra o sistema fazendo música e poesia; da turma do "Afoxé Dudu" dos badalados anos oitenta, bem como dos "seresteiros do Carmo" nos anos noventa e dois mil, agora "A Canalha: A vil ralé que cospe no chão", que começou com uma brincadeira em brindes incessantes no saudoso Bar do Mezenga em meados dos anos noventa, agora sofisticadamente representada pelo Bloco da Canalha faz sua história numa sociabilidade alegre, saudável e bonita com gente que transmite as melhores das energias para essa nossa queridíssima Santa Maria de Belém do Grão Pará. É lindo ver lugares da cidade sendo recuperados como ponto de cultura (do mais alto nível, diga-se de passagem), como o Mercado de São Braz, obra do início do século XX, construído justamente como espaço de segregação, para atender os migrantes cearenses que se instalaram nos arredores de Canudos, Guamá e Covões de São Braz, gente simples não desejada pelos paladinos lemistas no centro da cidade, preferido aos "cidadãos bellepoqueanos". E hoje ao fazer um passeio pela cidade singrando as Avenidas Nazaré e Magalhães Barata desaguamos no Mercado construído por Filinto Santoro, que teve seus traços arquitetônicos propositalmente valorizados pelo arquiteto e ex-prefeito de Belém Edmilson Rodrigues ao fazer a inversão das avenidas, deixando-o de frente para o povo que agora o ocupa e o re-signifíca com a Batucada dos Excluídos dando o sentido e valor que o mesmo sempre mereceu. Parabéns a todos que fazem esse movimento!"

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

“Patrulhamentos ideológicos”

Há vários tipos de “patrulhamentos ideológicos”. Mas acho que há dois mais importantes.
O primeiro é o daquele teu amig@ que fala assim: “Pô, velho você ta sendo machista!”, “Pô, camarada, você tá pisando na bola, ta sendo preconceituoso”, “Pô, amig@, nada a ver, você tá sendo homofóbico!”, etc. Esse é o “patrulhamento ideológico” de seu amig@ mala, aquele seu amig@ chato e “politicamente correto”. Acho que esse “patrulhamento” tem uma vantagem: é feito por alguém que geralmente tá do seu lado, quer lhe “corrigir” como amig@, na boa, mesmo com a “chatice” do discurso politicamente correto. Gostaria de ter mais amig@s chatos assim, pra eu melhorar como pessoa!
O segundo tipo importante é o “patrulhamento ideológico” do discurso hegemônico. Esse é invisível e inaudível, você nunca vai ouvir alguém lhe repreender com ele, você nunca vai ser chamado à atenção e criticado por ele, porque ele já é discurso da normalidade, que por consequência já é o discurso da dominação. Então, por esse patrulhamento da média, do homem e da mulher comuns, da mídia, da família, do Estado, dos amig@s, da igreja, da grande imprensa, você nunca será repreendido e nunca será criticado, já que você já o reproduz sem refletir sobre ele.
Daí que você reproduz piadas e preconceitos contra negros, mulheres, gays, pobres, etc. mas não percebe o motivo de nunca fazer piadas sobre aqueles que estão no poder. Contra a normalidade quase ninguém se rebela, já que ela esta internalizada pela força da ideologia hegemônica.
“Patrulhamentos ideológicos” sempre existirão, já que todo texto, toda palavra, toda fala, todo discurso é permeado de ideologias. A diferença é que o “patrulhamento” contra-hegemônico, na maior parte das vezes se posiciona, pretende saber quem é e contra qual discurso está se opondo; e o “patrulhamento” do pensamento hegemônico não se mostra, não aparece, não fala, não critica, não é “chato”, não é “mala”, não é “polêmico”, não é “inconveniente”... já que é apenas a normalidade, o silêncio das relações de poder desiguais do dia a dia.
De qual “patrulhamento” você participa?
Saravá!

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

terça-feira, 9 de julho de 2013

Tendências fascistas e a arte da generalização.

Todo político é safado e ladrão! Todos! Todos, todinhos!
Todo pastor é ladrão e engana seus fies. Todos! Todinhos, não salva um!
Todo padre é pedófilo e gay. Todos!
Toda mulher com shortinho é puta e pede pra ser estuprada. Todas!
Todo partido de esquerda é feito de vândalos ateus comedores de criancinhas! Todos!
Fora infiltrados, fora infiltrados, aqui somos unificados, unidos, um “feixe”, uma força bruta!
Todo ativista e militante que protesta é vândalo! Todos!
Nada presta no Brasil, tudo é ruim, tudo é corrupto e não funciona. Tudo!
O Brasil é um pais de putas e bichas! Fora as putas e as bichas! Viva a família, a pátria, a propriedade e a nação!
A mídia mente, a Globo mente, a Veja mente, não acreditamos em ninguém! Todos são corruptos, como disse o Diogo Mainardi, Arnaldo Jabor e Willian Bonner!
Somos neutros, nem da esquerda nem da direita: fora partido de esquerda, sem partido, sem partido! Fora MST, fora sindicatos!
O gigante acordou! Viva a pátria, viva a bandeira, viva o hino nacional!
Eu soou brasileeiro, com muito orgulhooo, com muito amooor!


Moral da história: tendências fascistas e a arte da generalização. Cuidado!

domingo, 7 de julho de 2013

Urgente.

Necessita-se, com urgência
Com urgência urgentíssima
Olhar-se o horizonte de seu avesso
Para que não haja tropeço
Na hora da decisão
Necessita-se, com urgência
Com urgência urgentíssima
Sentar-se
Parar-se

Estar-se contido em contemplação. 

terça-feira, 25 de junho de 2013

Como são os “vândalos” segundo a interpretação da TV Liberal e do jornalismo brasileiro em geral.

Vários vândalos se reúnem em um lugar qualquer em um dia qualquer, pensam e discutem suas próximas ações:
- Amigos vândalos onde vamos vandalizar hoje?
-Ahh pra mim tanto faz, eu quero mesmo é barbarizar, eu quero vandalizar, queimar bandeira, quebrar tudo, eu sou sinistro, eu sou muito mau mesmo!
-É isso ai companheiro vândalo, nós somos maus, somos cruéis. Vamos quebrar tudo, vamos incendiar a prefeitura e comer criancinhas que encontrarmos na rua.
- Tive uma ideia amigos vândalos, vamos fazer algo diferente hoje, vamos ocupar supermercados e destruir coisas. Afinal somos maus! No caminho podemos destruir coisas e comer velhinhas e famílias inteiras que encontrarmos pela frente!
-Isso isso amigos vândalos! Eu mesmo ontem roubei pirulito de uma criança, depois estourei um balão de outra e por fim amarrei um foguete no rabo de um cachorro. De quebra ainda bati em um velhinho com a sua própria bengala! Uhuu, eu sou vândalo! Eu sou mau, eu pego criancinhas pra fazer mingau!
-É isso ai, todo mundo junto: “Eu sou um vândalo mau, eu sou um vândalo mau! Eu pego criancinhas pra fazer mingau”.
Todos repetem: - “Eu sou um vândalo mau, eu sou um vândalo mau, eu pego criancinhas pra fazer mingau”!
Fim.
Moral da história: tem gente que acredita em Papai Noel, tem gente que acredita em duendes, tem gente que acredita em vândalos iguais os descritos pela imprensa!
Sai dessa, vai pra rua e não seja idiotizado pelo que diz a TV.

Carta de apoio do Bloco da Canalha

O Bloco da Canalha, bloco de carnaval de rua do qual faço parte junto com outros 5 valorosos amigos fez uma carta de apoio aos movimentos de protesto no Brasil. Coloco aqui pra registrar:
Carta aberta sobre a luta popular!
"O Bloco da Canalha apoia os movimentos populares que invadem o Brasil e se soma a eles. Não é de hoje que colocamos o bloco na rua, na rua da cultura popular, na rua do carnaval e do riso popular!
Em Belém e no Pará a juventude não tem espaço para o lazer criativo e a arte. As ruas se tornaram espaço do medo e do asfalto quente! Nossas praças não têm artistas de rua valorizados, o boi-bumbá da periferia está em guetos. Skatistas, ciclistas, grafiteir@s, rockeiros, street dancers, hip hop, tribos urbanas em geral são hostilizados e amedrontados pelos poderes constituídos. A juventude negra e pobre é exterminada pela violência! A juventude periférica tem a sua música rechaçada, sofre preconceito da estética do “bom gosto”. Sua criatividade e potencial são castrados ainda pela violência urbana, pela falta de escolas e saúde, pela falta de lazer e arte, pelo abandono da Prefeitura e do Governo do Pará e Federal que pregam a “cultura da paz”, mas não tentam construir junto com o povo uma sociedade da paz e justiça!
Existe uma insatisfação geral na sociedade brasileira e os ativistas da cultura popular e alternativa não podem se colocar alheios a esse momento.
É importante também que lembremos que essa luta é antiga, apesar de tomar formas novas hoje em dia. Existe uma nova geração insatisfeita, mas há também problemas históricos e muitos e muitas lutador@s das causas populares. Esses grupos não são divergentes! A luta é de tod@s! Nunca dormimos!
Juventude, ativistas virtuais e reais, movimentos sociais, sindicatos, partidos de esquerda, trabalhadores sem terra, estudantes, trabalhadores, ativistas culturais, artistas, intelectuais, mulheres, Mov. LGBT, negros e negras, indígenas, religiosos progressistas, mídias alternativas e independentes, etc. a tod@s doem o peso do “sistema”.
No Brasil hoje o “sistema” não é apenas a corrupção dos políticos, é também e fundamentalmente a ação dos “corruptores”. O poder do capital corrompe, as grandes corporações corrompem, o latifúndio corrompe, o judiciário tendencioso corrompe, os políticos conservadores corrompem, a inércia e a apatia corrompem, o fundamentalismo religioso corrompe, o “jeitinho brasileiro” corrompe, a grande impressa mente, manipula e corrompe (Globos, Vejas e Cia.)!
Não acreditem no que nos diz a grande imprensa e a TV! Cuidado com conservadores disfarçados com o discurso da “neutralidade” e do “patriotismo” que cheira a Ditadura Militar!
Esse sistema tem nome e rosto e não nos representa!
É a hora dos artistas marginais, artistas da cultura popular, artistas de rua, artistas da periferia, poetas marginais, batuques e sambas, colocarem o seu bloco na rua!
O carnaval chegou mais cedo esse ano! As ruas já estão coloridas! As mascaras já estão nos rostos dos novos agentes da mudança! Mas todo o carnaval tem seu fim! Temos também que construir uma linda quaresma!

Ass. Coords. do Bloco da Canalha

Tod@s à rua!"

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Escola Celso Malcher: novo capítulo do abandono da educação no Pará.

A antiga história da Escola Celso Malcher na Terra Firme entra agora em mais uma temporada de abandono do Governo do PSDB. Já fazem algumas semanas que os alun@s estão sem aula por conta da falta de água, um muro que ameaça cair e o calor infernal por conta da não substituição do sistema de refrigeração da escola. Ontem houve uma passeata no bairro e mais uma vez a SEDUC disse que resolveria o problema. Será? Se formos lembrar da história dessa escola é difícil acreditar. Pois, vejamos!

Há tempos atrás fiz uma postagem sobre essa escola na Terra Firme. Ela foi adaptada em um galpão quente e úmido que antes era usado para jogos de futebol de salão. Pra termos uma ideia a escola era chamada de “presídio” pelos alun@s do bairro. Ela foi inaugurada no governo do PSDB (Se não estou enganado foi na transição do governo Almir Gabriel - PSDB - para seu sucessor e agora novamente governador, Simão Jatene - também PSDB).

Na época eu fui professor da escola e nós, professor@s e comunidade, brigamos muito pra que o governo fizesse uma escola nova. Foram dezenas de reuniões com técnicos, idas à SEDUC, assembleias, etc. Passou-se um bom tempo e o governo colocou a escola no prédio da paróquia de São Domingos de Gusmão. Prédio um pouco melhor do que o anterior, mas alugado. 

Ocorre que o aluguel foi encerrado no final do ano passado e a escola foi transferida para o prédio onde antes funcionava um projeto social da CELPA. O prédio é bonito e aparentemente confortável, mas tudo indica que foi projetado para existência de central de ar.

Com a retirada do projeto social da CELPA daquele lugar o sistema de refrigeração também foi retirado e não foi reposto pela SEDUC. Resultado: calor muito intenso. Os alunos e funcionários reclamam que é praticamente impossível estudar lá. As crianças ficam molhadas de suor, em condição desconfortável e desumana, e os professor@s são acometidos por problemas de saúde constantes por conta de terem que dar aula no calor e na unidade. Além disso, apareceu o problema de falta de água e de um muro que ameaça cair.

A equipe técnica e os professores da escola são muito dedicados e comprometidos com a comunidade, porém tiveram que paralisar as atividades. Parcialmente para algumas turmas e totalmente para outras. Sei disso porque além de ex-professor e morador do bairro, tenho um familiar que estuda na escola!
Em resumo a história de abandono e sofrimento dos alun@s, funcionári@s e comunidade que depende da Escola Celso Malcher no bairro da Terra firme já está entrando em uma década de existência.

A comunidade mais uma vez está organizada e exigindo uma resposta rápida do governo do estado e da SEDUC. A questão é saber se teremos que esperar mais 10 anos para resolverem isso!


terça-feira, 11 de junho de 2013

O não-lugar discursivo das funkeiras

O mais curioso nesse debate todo envolvendo o projeto de pesquisa de mestrado de Mariana Gomes sobre a Valeska Popozuda é que a maior parte das pessoas que se colocou contra o tema o fez sem considerar que se tratava de um “projeto de investigação” e que por sua própria natureza não necessariamente iria confirmar as hipóteses inicialmente sugeridas pela pesquisadora. Ou seja, se a Valeska representa ou não uma forma de feminismo que ainda não havíamos percebido só saberíamos ou saberemos ao fim da referida pesquisa.
Na verdade, à Valeska e à mulher funkeira em geral, não foi dado o direito de se tornar “objeto do conhecimento”. Ou seja, até mesmo o status de “OBJETO” a ser investigado não lhe foi autorizado por um discurso científico e por uma visão censo comum do que deveria pesquisar a ciência. Mas quem define o que pode ou não ser investigado? Não esqueçamos que a ciência na maior parte das vezes parte de uma epistemologia que foi construída a partir de uma visão de mundo que é a priori ocidental, branca e masculina.
Ou seja, a ciência, ou a visão que se tem de ciência normalmente, parte de uma concepção de que certos temas não merecem sequer ser investigados. São reservados assim ao NÃO-LUGAR DISCURSIVO das coisas a priori resolvidas, naturalizadas: ou seja, a mulher funkeira sempre será naturalmente alienada e por isso nem sequer deveríamos mexer nesse tema (que além de tudo, é brega!).
Ué, mas por que tanta polêmica para uma pergunta (ciência = pergunta), já que a priori perguntar não ofende? Ou ofende? Por que ofende perguntar (investigar) sobre o funk e sobre as mulheres quase todas negras e quase todas pobres do funk? Ofende a quem?
Isso me lembrou que esses dias na Alemanha, na Universidade de Leipzig, houve um amplo debate na mudança do estatuto da instituição, sobre o termo que se deveria usar para referir-se aos “professores”. Há algum tempo a universidade já usava algo como “professor/professora” nos textos oficiais, mas algums professores (possivelmente homens) criticaram essa mudança argumentando que os textos ficariam longos demais. Como resultado, o órgão que iria tomar a decisão final sobre o tema se posicionou dizendo que a partir de então, para evitar textos longos com o/a “professor/professora”, a universidade passaria a usar apenas “professora” nos seus documentos oficiais! Isso mesmo, “professorA”!
Resolvido! Por que se ofender com isso, não é?!
Mas voltando ao Brasil e ao caso do tema de pesquisa sobre a Valeska, é importante considerar que essa interdição de um discurso que é ainda o discurso da “investigação” (da pergunta, da dúvida, do problema, etc.) sobre uma mulher funkeira representa muito bem o que a ciência pode conter de poder de silenciamento sobre os grupos subalternos. E isso me lembrou uma frase solta que li um dia desses de Elie Wiesel, Prêmio Nobel da Paz. Ele dizia: “o carrasco mata sempre duas vezes, a segunda pelo silêncio”.
Pois então!
Deixo ao debate o excelente texto de Talita Silva sobre essa questão: Papo de academia: Lattes que eu tô passando.

Saravá!

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Na dúvida, flane por ai!

Na dúvida,
subverta a pergunta,
contrarie a resposta.
Na dúvida, não obedeça ao guarda.
Na dúvida,
vire à esquerda,
quebre a placa.
Na dúvida, flane por ai!
Na dúvida,
não certeze-se,
economize-se dos limites,
espalhe-se!.
Na certeza,
duvide,
duvide-se!

Na dúvida, flane-se em si, por ai!

sexta-feira, 10 de maio de 2013


Partir pode ser partir-lhar
Partir-se
Arte de ir-se ficando
Partilhar o ir-se
Sempre fica um fragmento-saudade
A memória-pertencimento
Aquilo que foi-ficando-na-viagem
O avesso ser-esquecimento

terça-feira, 16 de abril de 2013

Blá blá blá


Pra quê gastar milhões e milhões em arte, educação, esporte pra filho de pobre minha gente? Vamos botar todo mundo no xilindró de uma vez por todas!!! Pobre que não vira mão de obra barata e não fica no "seu devido lugar" tem que mofar na cadeia, independente da idade. Minha proposta é melhor que a tal da redução da maioridade penal, proponho o estabelecimento de guetos onde deixemos pobres, negros, indígenas, as "classes perigosas", separados da "boa sociedade"... ahh vamos colocar bichinhas e sapatões também, que além de perigosos são sodomitas  e aidéticos. Deixemos todos no gueto, separados da gente, assim sairão de lá apenas pra limpar nossas cozinhas e vasos sanitários, etc.
O que? Já existem guetos, na prática? Ah... são as favelas, as baixadas, as áreas rurais ocupadas por fazendeiros e grileiros, onde crianças não têm escolas, não há esporte, não há moradia adequada, onde as famílias estão desestruturadas e acabam se tornando alvos fáceis do crime e da violência?
Espera aí, que papo furado é esse? Não concordo com esse argumento, afinal os filhos dos ricos e da classe média vivem cercados de violência após os muros de seus condomínios e nem por isso viram bandidos. No máximo cometem algum crimezinho como incendiar algum índio indigente na calçada de alguma cidade, mas nem todos obviamente!!
O que? Quer dizer que as estatísticas mostram que o crime não reduziu em países onde a maioridade penal é menor que a nossa? As estatísticas mostram ainda que, diferente do que se fala na grande imprensa, adolescentes no Brasil não são quem mais cometem crimes? E dizem ainda que, ao contrário do que se diz, eles são os que são mais vitimados pela violência?
Bom, ai o negócio já muda de figura né, afinal temos dados que comprovam o contrário do que diz o senso comum e a imprensa...
Hum... Bom... Mas... ... ...
Olha só, sobre isso eu queria falar mais uma coisa, você sabia que o Coríntias foi eliminado da Libertadores da América?...
Esse futebol brasileiro tá uma merda mesmo. Você viu o último jogo da seleção? Muito ruim, heim?!! E a zaga, que porcaria heim!! À propósito, quem ganhou o último BBB? Quer dizer, nada presta nesse país. E esses políticos corruptos? É tanta sacanagem no congresso! E essa violência todo dia?! E esse bando de pivete que assalta as pessoas de bem todos os dias? Tem que abaixar a maioridade penal! E esses impostos? E a ditadura gay?...

["Inocente como sou, pensava que, ao abordar qualquer questão, deveríamos permanecer na verdade" (Sócrates in O Banquete de Platão)]

quinta-feira, 11 de abril de 2013


A barbárie - entendida como falta de perspectivas, falta de horizontes materiais e simbólicos, como "ser" brutalizado e coisificado pela cultura do capital, na busca de sanar o vazio existencial na coisa-matéria-metal-aqui-agora, no "religare" fetichizado, etc. Essa barbárie leva a formas de totalitarismo e fundamentalismos. Lembrei agora de Hannah Arendt falando do totalitarismo surgindo das marges do capital, onde a barbárie era livre para o "lumpem" substituir a dor de sua exploração na metrópole pela exploração do "bárbaro" colonial (negro, indígena, asiático, o "outro" da modernidade). Na margem capitalista, que é parte do capitalismo, constitui o mesmo, pipocam fundamentalismos em cada esquina de bairros de periferia. Mesmo em continentes como a África ("amaldiçoados" segundo alguns profetas terceiro-mundistas) esse sagrado-coisificado impera. Ele tem por base o "lumpemproletariado", ou mais ou menos isso, mesmo que não se limite a ele, que literalmente se intitula um "exercito de salvação" ("intra-mundano" como diria Weber). O problema é quem vai ser salvo e quem vai morrer nessa "guerra". Já que "exércitos" só atuam em guerras. Em guerras não há democracia. E como ficamos? Exagerando eu? Tomara!!!

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Beijaço hétero no facebook


A novidade é que tá rolando uma campanha para o “beijaço hétero”. Em defesa do direito de pessoas hétero serem livres e felizes na sua condição sexual. Que original, não é?! Afinal de contas como todos nós sabemos, os hétero são desde os tempos de Heródes, ou Pitágoras, ou Kant.... ah sei lá... voltando ao assunto: os hétero são desde sempre humilhados, constrangidos, sacaneados, chamados de veados, chamados de doentes, de bestiais, de promíscuos, de bichas, de frescos... e mesmo assim tratados como gente (afinal tanto eles como negros, mulheres, pobres, índios e empregadas domésticas têm que ser tratados com gente!), etc...
Mas com ia dizendo: os hétero, vejam vocês, não podem adotar crianças, não podem casar, não podem andar de mãos dadas nas ruas, não podem nem sequer ter filhos pois é antinatural (quer dizer na verdade podem, mas deixa pra lá isso!!). Sem contar que a bíblia sagrada, os livros de auto-ajuda, a revista Veja e outras publicações científicas do tipo, inclusive psicólogos renomados, entendem que os hétero podem passar pela cura psico-espiritual (que é uma redundância em termos) e assim podem construir famílias e viver em sociedade... Temos que lutar a favor dos hétero, pois sabemos da violência, das mortes, dos massacres, das violações dos direitos humanos que sofrem todos os dias. Viva o beijaço hétero!!!
[2 minutos depois]
Ops!! Mas, espera aí, do que é que eu to falando minha gente, é o “beijaço hétero” né? Quer dizer que não é o “beijaço gay”? Puta merda, digo, perdão meu deus!
Pô, então esqueçam tudo que eu falei. Mas podemos tentar de novo. Que tal fazermos um beijaço em defesa do sol. Serio! Vocês já repararam que o sol tem nascido mais tarde nos últimos tempos? Só pode ser o apocalipse, meus amigos!! Proponho um beijaço a favor do nascer do sol, pois com todo mundo sabe, somos oprimidos pela lua que ocupa toda a noite impedindo que o sol nasça no seu devido lugar e horário. Isso é anormal, não coisa de deus! Saravá, digo, aleluia! Deus me livre. Viva o sol!! Viva a família, o Estado, a propriedade privada, e [por que não?], salve a revolução de 1964!

Aqui onde começou a original e humanista campanha: Facebook de Marisa Lobo

quinta-feira, 7 de março de 2013

Vicente Salles


Fiquei sabendo da morte do Vicente Salles agora. É uma grande tristeza pra tod@s que passaram a conhecer mais sobre a cultura, a cultura popular, o folclore, a música e a história da região amazônica a partir de suas obras.

Vicente nasceu na vila de Caripi, município de Tomé-Açú em 1931. Em 1948 iniciou sua carreira de jornalista com os primeiros trabalhos publicados em “A Província do Pará”. No início dos anos 50 também trabalhou no jornal “O Estado do Pará”.

Em 1954, após contato inicial com grupos populares, bois, pássaros juninos e batuques, sob orientação do poeta e folclorista Bruno de Menezes, iniciou várias pesquisas no interior do estado do Pará. Seu interesse era música e cultura popular. No mesmo ano mudou para o Rio de Janeiro onde se diplomou em Ciências Sociais, com especialização em Antropologia, na Universidade do Brasil (atual UFRJ). Na década de 1960 participou da campanha em defesa do folclore brasileiro. Foi redator da “Revista Brasileira de Folclore” e também membro do Conselho de Música Popular do MIS (Museu da Imagem e do Som) do Rio de Janeiro.

Em 1972 começou a editar a série de discos “Documentário Sonoro do Folclore Brasileiro”. Em 1974 passou a morar em Brasília em decorrência de seu trabalho no Ministério da Cultura. Lecionou no Instituto Villa-lobos (no Rio) e na Faculdade de Artes do Distrito Federal, foi membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, da Academia Brasileira de Música, foi também diretor do Museu da UFPA, secretário da Câmara de Artes do Conselho Federal de Cultura e do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.

Escreveu inúmeros livros, livretos, artigos, desde o tempo em que sua produção era custeada por si mesmo até edições feitas pelo Conselho Estadual de Cultura, IAP e por editoras privadas. Entre suas obras posso destacar: A Música em Belém no século XIX (1961), Música e Músicos do Pará (1970), O Negro no Pará sob o regime de escravidão (1971), Carimbó: trabalho e lazer do caboclo (1970 - com Marena Salles), A Música e o Tempo no Grão-Pará (1980), Santarém: uma oferenda musical (1981), Sociedades de Euterpes (1985), Épocas do teatro no Grão-Pará (1994), Memorial da Cabanagem (1995), Vocabulário Crioulo (2003), O negro na formação da sociedade paraense (2004), A modinha no Grão-Pará (2005 – com transcrições musicais por Marena Isdebsky Salles) e muitos outros. Colaborou ainda na produção de aproximadamente 50 discos e CD’s.

Além da obra publicada Vicente Salles deixou mostra espantosa do talento como pesquisador. Contruiu desde os anos 1940 um imenso acervo com partituras, recortes de jornais, cartas, discos, CDs, gravações em fita magnetofônicas, imagens, etc. de todos os ramos da vida cultural e política da Amazônia. Carnaval, boi-bumbá, carimbó, batuques, negro, caboclo, religiosidade popular, quadra junina, quadra nazarena, literatura de cordel, literatura canônica, jornalismo, música popular, erudita e folclórica são alguns temas encontrados no seu acervo, atualmente sob resguardo do Museu da UFPA.

Salles além de pesquisador foi um grande divulgador da cultura e da música amazônica por onde passava. Teve uma atuação fundamental, por exemplo, para a preservação da obra do violonista e “chorão” Tó Teixeira. Graças à sua ajuda tivemos o primeiro registro fonográfico de parte de sua obra no LP “Lá vem o tio Tó”, do selo Marcus Pereira, em 1977. É interessante que Tó e Salles formaram uma parceria a partir do final da década de 1960, quando o violonista do popular bairro do Umarizal atuou como um investigador da cultura popular. Tó Teixeira coletou dados, nomes, fatos e memórias que ajudaram a produção acadêmica do amigo folclorista. Essa afinidade está documentada nas inúmeras cartas trocadas entre os dois personagens e que se encontram no Acervo Vicente Salles do Museu da UFPA. Recentemente o historiador e violonista Thomaz Silva escreveu uma interessante monografia sobre esse tema.

Para mim Vicente Salles está emparelhado com grandes nomes da pesquisa cultural e folclórica do Brasil do século XX-XXI, tais como Câmara Cascudo e José Ramos Tinhorão. É uma enciclopédia que permanecerá viva nos seus inúmeros livros e em seu acervo. A cultura brasileira e em especial a cultura amazônica fica órfã com seu desaparecimento, mas permanecerá grata por sua grande obra.

Pra quem quiser conhecer a história e a cultura do Brasil, particularmente dessa parte Norte do país, fica o convite pra conhecer Vicente Salles, que ainda nos acompanhará por muitos e muitos anos por tudo que produziu e nos deixou.

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Bocas-de-ferro


Como hoje é sexta-feira acho que vou jogar um dominó ou celotex lá no Imperial no Jurunas, depois aproveito e dou uma circulada com a rapaziada no São Domingos e no Rancho. Depois desço pro Guamá e passo no Estrela do Norte ou no Clube dos Carroceiros, no Milionário ou quem sabe no 11 Bandeirinhas e ai já tomo a primeira gelada ouvindo um daqueles merengues gostosos de Angel Viloria ou de Luis Kalaff. Se não der pra chegar até o Guamá, paro no caminho, na Cremação, e ai dou uma olhadinha no Dancing ou no Beira-Mar, ou quem sabe caminho um pouco até a Condor e olho o Guamá na beirada do Bar da Condor.
Talvez mais tarde, ainda passe no Bangú, no Canudos, ou atravessando a cidade e indo pras bandas da Pedreira, chegue ao Estrelinha ou ao Império Pedreirense, no 15 De Novembro, no Iris Recreativo Club ou ainda no Santa Cruz. Se lá pelo fim da noite ainda tiver forças dou uma chegadinha na Vila Sorriso e visito o Impala, o Itamaraty, o Santa Rosa, ou ainda a Sede do Cruzeiro. Tudo isso ao som de uma lambada do Vieira ou do Solano, ou ainda ao som do Osvaldo Oliveira, o Vavá da Matinha, e Frankito Lopes, o índio apaixonado, ou ainda um Waldick Soriano da vida. Claro que depois de pedir pra ser anunciado pelo Sonoro que estiver fazendo a cobertura da festa, em comum acordo com o controlista da picarpe. Afinal de contas hoje é sexta-feira e ao invés de ficar em casa tomando meu Guarasuco ou Soberano, posso apreciar uma cerveja gelada seguindo os sons dos bocas-de-ferro espalhado pelos postes da cidade...
Quem me acompanha?

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Bicicleta no Utinga e o trânsito de Belém


Conheço muita gente que pega seu carrão, coloca bicicletas no suporte traseiro do carro e as leva para andar aos domingos no Parque do Utinga. Depois ele/ela pega seu carrão e retorna ao transito louco de Belém. Durante a semana esse pacato cidadão ou cidadã é um(a) dos(as) milhões de motoristas que reclamam dos ônibus públicos do transporte urbano, argumentando que eles ocupam muito espaço nas ruas da cidade (ônibus que levam a maior parte dos trabalhadores para seus empregos, escolas, casas, etc.). E o mesmo pacato cidadão ou cidadã, como tantos outros (as), tem o hábito de dizer frases do tipo: "esse transito de Belém está uma merda, tem muito carro na rua, não tem mais condições!". Ele ou ela esquece que um dos carros que está na rua, deixando o transito uma merda, é o seu! E é exatamente esse estresse todo que o (a) faz ir todo domingo com seu carrão e sua família andar de bicicleta no Parque do Utinga, afinal lá é o único lugar da cidade onde ainda existe civilização!...

[microconto baseado em fatos surreais].


Meus amigos dizem que sou metódico! Não concordei! Então coloquei câmaras para mapear meu comportamento diário, preenchi um formulário de atividades do dia-a-dia, elaborei um modelo estatístico comparativo de hábitos repetitivos e desviantes por uma semana normal e durante uma semana excepcional (durante o natal), considerando-o como amostragem. Conclusão: meus amigos estão errados em 78,5 %, com margem de erro de 2,3 para mais e 2,3 para menos, ou seja, não sou metódico!

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Lamentações de um poeta triste [fora do mundo]


Ninguém mais respeita o poeta
Ninguém mais o ama
Ninguém mais recolhe o poeta e lhe dá pão e vinho enquanto este ser polifônico ... blá blá blá #mimimi
O preço do café, do cigarro, da cachaça, da maconha, da cocaína e da cerveja subiram exorbitantemente nos últimos meses o que fez com que a as famílias de cães loucos desgarrados e uivantes à madrugada [cospem sílabas soltas e bêbadas que por vezes viram poemas] permaneçam em dificuldade constante na última temporada!
Ululas ululantes ulucidades ao pé da estada, enquanto a amada há muito já fugiu com o dono do circo!
O problema maior da intra-pós-[um agudo choro e um quase liquefeito peido de uma criança com diarreia na Guatemala ou na Ilha do Marajó interrompe o raciocínio entremeado de entrelugares, da hiperbólica ludicidade da ciência, que apesar de não ter nascido brasileira, adora uma brincadeira!]-antimodernidade tardia é o fato de que quando se tenta por o ponto poético nos “í” descobre-se que o i é um yankee desgraçado [é brincadeirinha!], um y maldito incorporado por toda essa questão já discutida por Marx desde...
Mas como eu ia dizendo...
Falou Platão uma vez: “Inocente como sou, pensava que, ao abordar qualquer questão, deveríamos permanecer na verdade”.
Ninguém mais respeita o poeta...
Ninguém mais o ama...
Ninguém mais recolhe o poeta e lhe dá pão e vinho enquanto este ser polifônico ... blá blá blá #mimimi

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Lições de história oral para historiadores boêmios!


Uma vez estava entrevistando um boêmio do Jurunas com 70 anos de idade num bar no próprio bairro, junto com outro amigo historiador. A entrevista foi longa, mas de 3 horas de histórias sobre puteiros, gafieiras, boates, sedes suburbanas, escolas de samba, músicas, músicos, personalidades do mundo da política, da vida noturna, etc. Como a entrevista era no bar, regada a cerveja, uma exigência do entrevistado (e sacrifício enorme para os pesquisadores em questão!), lá por volta de 3 horas de conversa todos já estavam um pouco pra lá de Bagdá. Resultado que no final o entrevistado e os entrevistadores ficaram minutos e minutos seguidos fazendo agradecimentos mútuos pela entrevista e sobre o valor daquela memória.
Depois de dizer que a gravação ia ser encerrada - dizermos por várias vezes - falei assim: “Bom, vamos desligar agora [no que disse o outro pesquisador: a conversa continua informalmente ainda!]”. E continuei: “agora vamos para parte que os historiadores do futuro não ficarão sabendo!”.
O bate papo continuou ainda um bom tempo, ou várias outras cervejas a mais. Creio que no final de tudo isso nem os historiadores do futuro teriam possibilidade de saber o que conversamos, e nem nós mesmos, pois a ressaca e a dor de cabeça do outro dia não permitiu que ficasse nada na memória, além do que o gravador registrou! O que significa que tanto a memória, como a história, podem ser fluidas, como a cerveja. E dependendo do caso, podem também dar muita dor de cabeça!
E tenho dito, mas só parcialmente registrado!

Maria de Belém


Era uma vez Maria, cabocla faceira, linda, com seus cabelos indígenas e com a pele cor de jambo. Maria com sua saia rodada gostava de caminhar pelos túneis de mangueiras da cidade que morava. Caminhava e dançava carimbó rodopiando enquanto doces periquitos gorjeavam sobre sua cabeça, encantados com sua saia de chita cheia de flores coloridas que balançava sobre as calçadas de pedraria secular. Até que um belo dia enquanto Maria caminhava e rodopiava cantando “vô ensinar sinhá Pureza, a dançar o meeeeeeeu!!!”... foi interrompida bruscamente por uma grande manga que caiu em sua cabeça! Rodopiando ainda, mas agora tonta, tropeçou numa valeta que foi deixada aberta pelo prefeito anterior e caiu no bueiro cheio de água suja da última chuva, entupida por moradores que jogavam lixo na rua. Maria levantou e foi pra casa praguejando os transeuntes e os circunstantes que riam dela.
Moral da história: manga dói na cabeça, já podem continuar jogando lixo na rua e não vai acontecer porra nenhuma com o prefeito anterior!
Parabéns Belém!! :)

sábado, 5 de janeiro de 2013

UFPa e a falta de peixe na Terra Firme


Fui à feira da Terra Firme comprar peixe e só tinha um vendedor na ativa. Me disse que a filha de um peixeiro passou no vestibular da UFPA e estavam todos comemorando. Vai faltar peixe hoje no bairro – por um bom motivo, é claro!. 
Aqui nas ruas próximas, tiveram fogos o dia todo, o que significa que muitos filhos de moradores da TF entraram na maior universidade pública do Norte do Brasil. 
É bom ver os moradores da periferia, grande parte deles de famílias humildes, chegando à universidade. Pena que muitos desses disputam em condições desiguais vagas com filhos da elite, que tiveram uma preparação cara nos cursinhos espalhados pela cidade (a outra face da mercantilização da educação). Isso me lembrou que as cotas garantem a entrada de muitos desses moradores da Terra Firme e de outros bairros pobres de Belém. As cotas são muito necessárias, apesar de serem ainda uma política paliativa e precária.
O curioso de tudo isso é que muitos filhos da elite também vão ocupar vagas da universidade pública que mais produz conhecimento na região amazônica. Diferente dos primeiros - os referidos moradores da TF e outras periferias - muitos desses são herdeiros da mesma elite que defende o “Estado Mínimo” (a desobrigação do Estado com a educação pública e outros setores da vida social), e são contra a política de cotas e outras políticas sociais. Afinal, “pobre é pobre, por que quer, não é!”.
Ora, e por que tanta vontade de entrar na universidade pública, então, se a intervenção do estado é nociva?!
Eis a questão: escola púbica para o povo.
Parabéns aos ingressos na UFPA, principalmente aos filhos da classe trabalhadora das periferias de Belém! Saravá!