terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Casa

Moro em um lugar
aonde acaba o tempo
e eu nunca tenho tempo
de sair...
ou de chegar lá!

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Reflexões sobre o apocalipse zumbi e sobre o amor entre os iguais

Conheço pessoas que se preparam para o apocalipse zumbi! Pesquisam e fazem anotações para se aparelhar pro momento em que o planeta todo for tomado por algum tipo de maldição ou vírus e as pessoas comecem a se tornar zumbis, tal como ocorre nos filmes. Essas pessoas estudam o tema em sites, lêem textos de conhecedores do objeto, assistem séries de TV sobre o tema e sabem exatamente como agir em uma situação como esta. É uma espécie de especialista em zumbis, algo como um grupo de elite, com capacidade de liderar as pessoas comuns e com muito mais chances de sobreviver caso isso ocorra!
Conheço também pessoas que acreditam em ET’s! Bom, essas são mais comuns do que se imagina, não é! Na verdade o século XX nos deu esses crentes em seres do outro mundo, aos milhões. Eles nem chegam a ser estranhos ou considerados loucos hoje em dia. Como os próprios ET’s podem estar em qualquer lugar, disfarçados de pessoas “comuns”, convivendo conosco, enquanto esperam o grande momento em que os seres de outras galáxias e planetas vão chegar e dominar a terra. Muitos esperam isso com desejo, na expectativa de um mundo melhor, outros com temor, crentes na crueldade dos seres extraterrestres. Seja como for, todos esperam, todos estão de olhos abertos para o céu!
Tenho amigos que se sentem felizes em cuidar de plantas, em olhar a casa e querer arrumar tudo. São espécies de arquitetos/engenheiros por natureza, sem formação acadêmica. Olham uma casa e já começam a imaginar o que seria melhor nela, se deveria ter uma piscina, se deveria ter uma churrasqueira, se o teto está bom, se uma janela ficaria boa aqui ou ali, se o quintal deveria ser assim ou assado, etc. São felizes nesta atividade! Trabalham em coisas importantes para o mundo: são engenheiros, professores, médicos, pessoas que cumprem o seu dever, mas que se divertem mesmo com as coisas mais comuns do cotidiano, do lar, da casa! Algo que poderia ser considerado banal e sem importância é o que lhes dá prazer!
Eu mesmo não me considero lá uma pessoa muito “normal”! Se pudesse passaria a vida tentando fazer o meu próprio queijo, o meu próprio vinho e cachaça e o meu próprio azeite de oliva. Tudo plantado, criado e produzido por mim mesmo, com minhas próprias mãos. Ou ficaria a vida toda escrevendo livros do tipo: “Manual prático de cafuné”, “Como fabricar seu próprio tomate-seco” ou ainda “Como conseguir transformar qualquer piada boa em algo sem graça: história baseada em fatos reais!”. Isso me daria prazer, com me dá hoje o ato da distração, de contar ondas, por exemplo, ou qualquer outra coisa do tipo.
Ou seja, em resumo, todo mundo é meio maluco. Bom, mas isso todo mundo já sabe também. Não é novidade pra ninguém!
Mas talvez o que todo mundo não saiba é que isso que é o legal da existência neste planeta – e talvez até em outros planetas ou mesmo no mundo dos zumbis: a capacidade que temos de criar coisas, de fazer coisas diferentes, por mais aparentemente inúteis que possam parecer. Em verdade é isso que nos faz mulheres e homens, seres de criação, de imaginação, de pensamento, de sensibilidade para imaginar.
Isso me lembrou uma vez um livro que li de Leonardo Boff, quando ele falava de nossa condição de ser inacabado! O que poderia parecer algo ruim, sermos inacabados, na verdade era colocado pelo teólogo como algo extremamente positivo: por sermos inacabados é que somos um eterno fazer-se, um eterno realizar-se, constitui-se. Nada nos é terminado, definitivo, realizado. Tudo estamos por fazer, tudo estamos fazendo, tudo estamos criando e imaginando. Tudo!
Quando vejo, por exemplo, um Papa besta falando que o amor entre duas pessoas do mesmo sexo é um pecado e vai terminar com a raça humana, pois seria uma ameaça pra humanidade, etc... só posso interpretar que esta pessoa já perdeu o que é exatamente o elemento mais essencial do ser humano: a sua condição de inacabamento; o que lhe limita por ser imperfeito e inacabado, mas que por isso mesmo lhe dá todas as possibilidades de construir coisas, imaginar alternativas, imaginar e realizar possibilidades. O inacabado não tem um parâmetro fechado e perfeito, muito menos um limite restritivo e por isso mesmo é um ser aberto para o mundo e para todas as possibilidades das coisas que existem e também das coisas que não inventamos ainda, mas podemos inventar! Isso nós dizia Leonardo Boff.
Eu de minha parte fico com todos os loucos do mundo que amam de todas as formas possíveis, gostam de cafuné, gostam de plantar e cuidar de casas, querem produzir sua própria cachaça, se preparam pro apocalipse zumbi ou pra chegada de ET’s! Eu de minha parte fico com esses loucos e suas crenças. E fico com todos aqueles que acreditam nas possibilidades da imaginação. Prefiro-os aos chatos de galocha que não sabem o que é o amor e a felicidade e muito menos permitem que os outros vivam e sejam felizes!
Por fim só quero deixar uma coisa clara, se o apocalipse zumbi acontecer eu vou ficar do lado dos loucos que sempre acreditaram na sua possibilidade! E tenho dito!

sábado, 21 de janeiro de 2012

Frevo Marxista

Olá galera!! Estou concorrendo ao concurso de marchinhas do Bloco da Canalha que vai rolar na sexta, dia 22 de janeiro!! É um frevo meu e de Rafael Guerreiro. Não sei se vamos ganhar. Mas de qualquer forma coloco pra tod@s letra do frevo.


FREVO MARXISTA
(Tony Leão e Rafael Guerreiro)

Vou me fantasiar de alegria
E pular o carnaval na avenida
Vou deixar todos esses valores
Guardado na gaveta da vida
O carnaval é a festa da carne
E o vermelho e a cor da folia
Vil ralé que cospe no chão
Uni-vos assim no refrão

Refrão
Caminhando e cantando
E seguindo a fanfarra
No carnaval a regra é clara
Tod@s soldados do riso
Subvertendo a ordem
Na lei de Momo ou na marra!

Local: Bar The Beatles, a partir do meio dia. Mais informações aqui:

Facebook do Bloco da Canalha

Blog do Bloco da Canalha

Poema sobre coisas táteis

Não quero ver
Temo
Desisto das coisas táteis
Não quero as possibilidades
Temo esse muito
Quero o elementar
Não toco no fragmento das coisas
Deforma-me esta multiformidade
Temo a probabilidade
Newton já me basta
Desisto do policromático
Do multilíngüe
Deste multisomático
Temo
Tenho este teu movimento
Temo esta infinitude
Que me deixa pequeno
quero o uno
só temo
e isso me fragmenta

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

É isso ai, Bloco da Canalha na área!

Dando continuidade às suas atividades carnavalescas oficiais de 2012 o “Bloco da Canalha: a vil ralé que cospe no chão!” vai realizar neste domingo dia 22 de janeiro sua Feijoada do Bloco da Canalha, juntamente com o Concurso de Marchinhas Carnavalescas do ano 2012, que vai escolher a música oficial do grupo. O evento contará com a participação do músico e compositor Tommil Paixão e da Banda Canalha, que prometem mandar muita música popular, regional e principalmente samba!
Essa é a segunda atividade do Bloco em 2012. A primeira foi a realização da Batucada do Coletivo Canalha dia 13 de janeiro, em homenagem ao aniversario de Belém (dia 12). Durante o período carnavalesco as Batucadas ficarão de férias para os eventos do Bloco, que ocorrerão dias 22 de janeiro, 05 e 12 de fevereiro no Bar The Beatles, mas em março elas voltarão a ocorrer!

Sobre o Bloco da Canalha:

O “Bloco da Canalha: a vil ralé que cospe no chão!” surgiu meio que como brincadeira. A “Canalha” era um grupo de amigos que se encontrava nos bares ao redor da Universidade Federal do Pará em idos dos anos 1990. Quase todos eram do curso de história e viviam o clima cultural da vida universitária. Por influência das aulas de historia, liam historiadores como Hilmar Matos e, parafraseando os termos que a elite do XIX utilizava para se referir à ralé, costumavam brindar nos bares da redondeza do campus com frases de efeito do tipo: “um brinde a vil ralé que cospe no chão”, “um brinde à canalha, às classes perigosas”, etc. Com o passar do tempo o grupo passou a ser conhecido como “A Canalha”.
Em 2007 o mesmo grupo de amigos criou o "Bloco da Canalha: a vil ralé que cospe no chão!". Numa mistura de bom humor e uma boa dose de sátira política saíram pelas ruas do bairro da Cidade Velha em Belém no período de carnaval. Munidos de uma fanfarra e marchinhas de carnaval compostas pelo grupo. Desde então passaram a fazer parte do carnaval de rua de Belém.
Fora isso, iniciaram outras atividades permanentes como a Batucada do Coletivo Canalha, que ocorre duas vezes por mês (sempre as sextas) na ruela que fica entre o Bar do Parque e o teatro da Paz, na Praça da República. A Batucada usa uma bike-som (bicicleta sonora de propaganda suburbana) onde plugam instrumentos e o samba, o chorinho e o carimbó corre solto. O evento já teve a participação de grupos como Choramingando, A-Corda Bamba, Boi da Terra, Grupo Sabor Marajoara e uma série de músicos e poetas que dão participações especiais nos eventos. Nos últimos tempos a Batucada tem se destacado no cenário alternativo da cidade, valorizando espaços tradicionais e que fazem parte da história da cultura local, como é o caso do Bar do Parque.
No evento que ocorrerá dia 22 de janeiro um júri técnico, formado por músicos e poetas, avaliará as marchinhas candidatas a música oficial do carnaval de 2012 do Bloco da Canalha. Além disso, haverá a votação popular e feijoada pra os apreciadores da típica comida brasileira.



Serviço:
Feijoada do Bloco da Canalha & Concurso de Marchinhas Carnavalescas
Data 22/01/12
Local: Bar The Beatles (Rua Cesário Alvin, esquina com Rua Bom Jardim, Cidade Velha, Belém)
Horário: das 12 as 19 horas
Valor da feijoada: 10 R$
Obs. Entrada franca.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Aniversário de Belém, comemorar o que?

O grande problema dos textos apologéticos em homenagem à cidades, estados, países é a ausência do conflito. Pinta-se a homenageada como se fosse a pura beleza harmônica, planifica-se a imagem, escamoteia-se a heterogeneidade, e, pior, esconde-se a barbárie que esta por trás de toda beleza, como dizia Walter Benjamim. No aniversário de Belém quero lembrar de suas margens, topográficas e sociais, de todos aqueles que vivem na cidade cindida. Uma cidade “bela”, “morena”, “cabocla”, “poética” de um lado, mas que de outro lado é desigual, exclui os mesmos “caboclos” cantados em versos e prosa para as favelas, para as baixadas alagáveis e pobres, para os confins “não literários” da existência. A feiúra da cidade “não cabe neste poema”? É a pergunta que fica? Poetas de plantão, não querendo ser estraga prazeres, mas convido a cantarmos a cidade inteira, de verdade, não utópica! O que Belém e seu povo podem comemorar então?
Não quero dizer aqui que eu tenho a formula para como comemorar a cidade. Obviamente não tenho formula de nada, nem muito menos pretensão de tê-la! Só me cansa às vezes tanto mais do mesmo!
Para Belém deixo um poema que, por sinal, já até publiquei aqui:


Tecno-brega

Tum-tum tá
Tum-tum tá
Tum-tum tá
Tum-tum ta

“3, 50 R$ o recarregador novinho na TF, mas até 3 R$ morre!”
Tem sansungue, tem éle gê, tem até disco antigo do Pinduca,
Mas se quiser peixe frito, tem na barraca perto do mercado
“me dá 10 no tecrado, que a gente negocia!”

“1 real o DVD!”

hoje saí pra namorar a cidade
em todas suas facetas
suas gretas
ruelas
paisagens
sarjetas
quero revirar seu intestino-esgoto
no baixo meretrício
no porto
quero ver as criancinhas brancas
de classe média e alta
entrando nos carros com ar condicionado
serei o garoto que vende bala
tostando no asfalto

o capacete do carona do moto-taxista é quente, cheira e suor e é empoeirado,
mas é mais barato e passa por entre os carros
a única desvantagem é que não da pra ouvir música alta
o amarelo da blusa do moto-taxista brilha no sol das três da tarde,
na hora que as meninas de calça coladíssima e bucho aparecendo (tudo provocado pelo consumo excessivo de farinha, provavelmente!) estão no intervalo de aula do Brigadeiro Fontenelle
elas inventaram uma nova moda...
que povo criativo esse...

serei o tio do cafezinho
na esquina da escola
quero o belo e o feio destas ruas
fazer Cooper na Avenida Tucunduba
ou na Praça Batista Campos?
o que fazer com o vendedor de balas
que não deixaram entrar no coletivo?
o que ele gritava, quase chorando, bufando, quase morrendo?
era câncer-vida,
vida-desespero,
vida-dor?
câncer-câncer!
quero visitar os palacetes,
as telas-mito de nossa origem
os vultos
nossos grandes defuntos
- não os pobres viventes –
impávidos colossos sorridentes

Tum-tum tá
Tum-tum tá
Tum-tum tá
Tum-tum ta

quero-me ver refletido em toda a cidade
na vidraçaria da Estaca das Docas
nas valetas, canais e poças
nos igarapés, esgotos
vou tomar banho de maré com as crianças
da Terra Firme
ouvindo tecno-brega em alto volume...

terra-firme-praça-até-o-tucumduba!
terra-firme-praça-até-o-tucumduba!
terra-firme-praça-até-o-tucumduba!
terra-firme-praça-até-o-tucumduba!
Guamá-até-o-clipe!
Guamá-até-o-clipe!
Guamá-até-o-clipe!
terra-firme-praça-até-o-tucumuamá-até-o-clipe-1,50-R$!-só-1,50R$-freguesa!
Aceita-meia?Mas-ansim-mano!ai-tu-já-qué-falí-a-empresa!-terra-firme-praça-até-o-tucumduba!
terra-firme-praça-até-o-tucumduba! Guamá-até-o-clipe! Guamá-até-o-clipe!

Tum-tum tá
Tum-tum tá
Tum-tum tá
Tum-tum ta

mataram 3 na ligação só no domingo!

Três horas da tarde o sol esquenta, o asfalto ferve, o sol esquenta a costa morena do transeunte e o vapor exala!

cerveja a 1 real até a meia noite!

fotografei a cidade com meus versos
pintei suas ruas com meu canto
ouvi a partitura de seu pranto
em um menino que vendia balas
e transcrevi a sua cara
o seu espanto e desalento:
- um miserável que espera em silêncio
esperaria um poema abstrato?
esperaria comida no prato?
esperaria socorro somente?
ou um trocado pra fazer a cabeça?
uma “parada” pra consumir a mente!
contudo, observo, antes que eu esqueça
que este poema não mudou nada
em sua vida desgraçada!
e nem se quer em alegria
termina a merda desta poesia!

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Às vezes vejo tudo turvo
Às vezes turvo a mente
Às vezes me enrolo no chão
Às vezes, eu, serpente!
Às vezes mordo a língua
Ás vezes a língua me lambe os dentes!
Dormir-te,
con-sumir-te,
roer-te,
nos vãos de nossos vãos si-moventes!