sábado, 27 de novembro de 2010

Templo.

Meu templo,
um vão entre pernas,
lugar sagrado da boemia.
Me escondo neste escuro templo,
arranjo de devoção mundana,
refúgio dos fracos e amparo dos oprimidos.
Meu templo, caverna onde o mito se refugia.
Não olho o vão,
alieno-me em gozo.

Autores: Tony Leão e José Dias Júnior

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Acho que até o poema tem que saber quando calar. Pois que a beleza não depende do ruído. E a poesia não depende o poema.

Resolvi transformar isso em um poema:

Creio que até o poema
deve saber quando calar
pois que a beleza não depende do ruído
e a poesia não depende do poema

Método dialético-etílico.

Creio que eu o tenha inventado, quem sabe vai revolucionar as ciências sociais e sobretudo as ocultas. Consiste basicamente no seguinte método:

Método dialético-etílico: pesquise e leia muito, quando o cérebro estiver pra explodir tome cervejas (e outras coisinhas mais!) e o texto sai pronto depois da ressaca.

Porém, como todo método pode apresentar suas dificuldades teórico-etílicas, é bom lembrar dos efeitos colaterais:

Efeitos colaterais do Método Dialético-etílico: as melhores idéias aparecem sempre no bar, o foda é lembrar-se delas ao chegar em casa bêbado!

Saravá!

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Nem tudo que se faz se entende.

(para uma amiga, que assim como eu, não entende porque as coisas são da maneira que são)

Nem tudo que se faz se entende,
nem tudo que se quer se tem,
nem toda religião é igreja
e nem pra todo deus se diz amém!

24 de Novembro.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Manual de como chegar e sobreviver na Amazônia.

Recentemente no twitter vi que alguém, realmente não lembro quem, havia feito uma manualzinho de como ir para a Amazônia, as vacinas que deveriam tomar, como chegar aqui e ali, o cuidado com os jacarés, etc.
Ora de fato, creio que seja bem interessante manuais turísticos para qualquer lugar do mundo. Por exemplo, às vezes que fui às grandes cidades do Brasil, senti falta de saber as vacinas que tinha que tomar, onde conseguir ou não craque, etc. De fato até hoje não sei quais as endemias que existem nestas regiões, mas sobrevivi, afinal, não sou nenhum idiota.
Mas o que me chamou a atenção mesmo foi a visão idiotizada da Amazônia. Aquela estereotipada, homogeneizadora, exótica, etc. que coloca tudo com uma grande floresta cheia de animais exóticos e selvagens... o que não deixa de ser (também!) verdade, obviamente.
Fiquei pensando então num outro manual, que serviria muito bem pra Amazônia, uma das tantas Amazônias dentro da mesma região. Um dos manais possíveis seria muito simples e qualquer idiota de qualquer parte do país e do mundo poderia seguir, tanto que fosse minimamente alfabetizado. Poderia ser assim, por exemplo:
“Pegue um avião na sua cidade de origem. Desça em Belém ou Manaus. Ao sair do aeroporto internacional destas cidades, pegue um taxi. Dê o endereço para o taxista e vá para o hotel (mas não use frases do tipo: ‘mim ser homem branco, você ser...’). Cuidado para não ser assaltado quando estiver de bobeira fotografando a cidade e olhe para os dois lados antes de atravessar as ruas, para não ser atropelado por carros, jacarés ou botos!”
Bom, mas como disse, este é um dos vários manuais possíveis para uma gigantesca região do globo que é heterogênea, multiétnica, multicultural, multinacional, etc.
Se quiserem outros roteiros procurem na internet, ficarei neste por hora!
Contudo, convido todos a virem conhecer a Amazônia, mas com cuidado e muita calma, pois, como diria a música do grupo Mosaico de Ravena:
“Quem quiser venha ver, mas só um de cada vez, não queremos nossos jacarés, tropeçando em vocês...”



PS.:

Pensei que estaria claro no texto acima que eu não estou dizendo que todos os sulistas ou sudestinos ou pessoas de outras regiões são idiotas e têm algum tipo de preconceito sobre a Amazônia. Pretendo dizer apenas que há muito preconceito e desconhecimento contra a Amazônia por muitas pessoas (não todas obviamente!) de outras regiões do Brasil, mas não só por eles, mas por muitas pessoas no mundo todo.
Porém, como uma amiga disse que meu texto pareceu excessivamente bairrista e regionalista (creio que ele tenha razão nisso), quero deixar claro que não se trata disso: não estou usando termos como “todos”, refiro-me a muitos casos, mas nunca a “todos”.
Neste sentido corrigi o texto eliminando palavras que pudessem aparentar alguns tipo de resposta preconceituosa a outros preconceitos.
Aqui estou criticando única e exclusivamente aquelas visões muito preconceituosas e rasteiras sobre a Amazônia e sua população. São estas visões preconceituosas que devem ser criticadas e é exclusivamente a elas que lanço a ironia do texto acima. Não pretendo revidar preconceito com outro tipo de preconceito e generalização. Isso seria no mínimo um bairrismo idiota. Que fique bem claro isso.
É obvio que a Amazônia é espaço muito pouco conhecido por muitas pessoas, inclusive pelos próprios amazônidas, em muitos casos.
Assim, agradeço à critica construtiva lançada ao texto.

domingo, 21 de novembro de 2010

agora eu não estou aqui.

9 considerações sobre a existência humana

(Para Bruna Sichi Gonçalves e Pedro Braga).


I

Habitam o planeta,
divididos em V categorias:
Plantas
Minerais
Seres humanos
Vegetais
E entes bebentes.

VII

Categorias em atividade ilícitas, segundo a constituição brasileira.

10

Plantas, não vegetais...

XX

Jurubebas.

3

Urânio

e tais


Etecetera e tal.

sábado, 20 de novembro de 2010

II Encontro de Estudantes de História da ESMAC

Caríssim@s, vou participar do evento abaixo, em uma mesa redonda junto com o Prof. Maurício Costa e Edvânia Alvez. Além disso no encerramento terá um evento no Coisa de Nego, em Icoaraci, com as bandas de nossos amigos do "A-Corda Bamba" e do "Auvai-te Penoso". Quem quiser apareça lá (na academia e na parte cultural).

Abraços a todos e todas.



O II Encontro de Estudantes de História da ESMAC tem como objetivo viabilizar um intercâmbio acadêmico entre alunos e docentes do curso de História de diferentes Instituições de Ensino Superior. O Encontro propõe, através do cotejamento das diversas abordagens historiográficas, oferecer um contributo para o entendimento da multiplicidade das identidades na Amazônia, o que ajudará na formação profissional dos graduandos e na troca de experiências e conhecimentos. Além disso, o II Encontro de Estudantes de História da ESMAC contará com a presença de profissionais de diferentes Instituições de Ensino através de palestras e oficinas que serão ofertadas.


Programação
24 de novembro, quarta-feira
17:00h-18:30h: Credenciamento
19:00h: Abertura: Identidade negra na Amazônia
Profª. Drª. Zélia Amador de Deus (UFPA)
Profª. Drª. Taissa Tavernard de Luca (SEDUC/UEPA)

25 de novembro, quinta-feira
17:00h-18:00h: Oficina História e Cinema
Profº. Ms. Fernando Rocha (SEMEC/SEDUC)
18:00h-19:00h: Oficina Das telas aos jornais: Guerra e cinema em Belém durante a II Guerra Mundial
Prfº. Ms. Allan Pinheiro (SEDUC/ESMAC)
19:00h-20:00h: Oficina Museu, Memória e Identidade
Profª. Ms. Dayseanne Ferraz (SECULT/ESMAC/FIBRA)
20:30h-22:00h: Mesa redonda: Identidades na Amazônia Contemporânea
Profº. Drº. Mauricio Costa (FAHIS/UFPA)
Profº. Ms. Tony Leão da Costa (SEDUC)
Profª. Ms. Edivânia Santos Alves (Escola de Governo/UFPA)

26 de novembro, sexta-feira
17:00h-18:00h: Oficina História e Cinema
Profº. Ms. Fernando Rocha (SEMEC/SEDUC)
18:00h-19:00h: Oficina Das telas aos jornais: Guerra e cinema em Belém durante a II Guerra Mundial
Prfº. Ms. Allan Pinheiro (SEDUC/ESMAC)
19:00h-20:00h: Oficina Museu, Memória e Identidade
Profª. Ms. Dayseanne Ferraz (SECULT/ESMAC/FIBRA)
20:30h-22:00h: Mesa redonda: Identidades no período das lutas pela independência no Grão-Pará
Profª. Drª. Shirley Nogueira (ESMAC)
Profº. Ms. Adilson Brito (UFPA - Campus Bragança)

Evento Cultural
26 de novembro, sexta-feira
22:30h Espaço Cultural Coisa de Negro
End: Av.Lopo de Castro, 1082 Próximo a Sexta-rua - Icoaraci
Atrações: Banda Lauvaite Penoso, Banda Corda Bamba, Banda Brigue Palhaço
Ingressos antecipados: R$3,00
Ingressos na hora: R$5,00

Inscrições
Período: 22, 23 e 24 de novembro, a partir das 17h
Local: ESMAC - Escola Superior Madre Celeste - Cidade Nova VIII, Estrada da Providência, 10. Ananindeua – PA
Valor: R$ 10,00


Informações:
Para maiores informações, entre em contato com a comissão organizadora do evento:
Profª. Drª. Shirley Nogueira e-mail: shirley-nog@hotmail.com
Profª. Ms. Danielle Moura e-mail: mouras02@uol.com.br

Dia da Consciência Negra!

Dia 20 de novembro, dia da consciência negra, me lembrei de uma história que ocorreu comigo no primeiro ano em que estava em Belém. Pra quem não sabe, eu nasci em Belém, mas morei muitos anos em uma cidade do interior do estado, Igarapé-Miri, e voltei a morar na capital quando passei no vestibular para história em 1996.
Na época não tinha onde morar. Inicialmente fiquei na casa de uma namorada, depois fui pro bairro do Jurunas, periferia da cidade, para uma vila na Rua Osvaldo de Caldas Brito. Uma vila muito simples, toda de madeira, de casas coladas umas às outras. Na verdade eram pequenos quartos sem banheiro interno (o banheiro era externo e coletivo).
A maior parte das pessoas que morava lá era de uma mesma família. Eram muitos garotos e garotas, adolescentes, vários tios e tias, pais e mães... Uma típica vila de família pobre da periferia de Belém, nas quais de acordo com o aumento do numero de pessoas os quintais vão se tornando novas casinhas para filhos, netos, sobrinhos, irmãos, etc.
Boa parte dos garotos e meninas vivia pelas ruas do bairro, eu era o único universitário da vila. Conversava com todo mundo normalmente, mas meu grupo mais íntimo acabava sendo meus novos amigos da universidade. Ouvia-se falar de pequenos assaltos, furtos, uso de drogas por parte destes garotos. Para muitos da redondeza, lá não passava de uma vila de “marginais”. Numa cidade de maioria mestiça de índios com negros, índios com negros e brancos caboclos, etc. aquela vila era uma vila de negros, de pessoas de cor.
Possivelmente minha mãe e eu seríamos os únicos não negros. Minha mãe, apesar de ser cabocla interiorana, é muito clara, o que a faz ser vista pela maior parte das pessoas como “branca”. Eu sou mestiço de caboclo amazônida e cearense. Tenho a pele morena clara (aquilo que o IBGE chama de “pardo” – não me perguntem o que é isso!), com visíveis traços indígenas no rosto, mas que naquele contexto também era visto como “branco” pelas pessoas da vila ou da redondeza (claro que considerando que ideologicamente as pessoas pouco se definem como negros ou índios em nossa região – preferem ser chamadas de “morenos” ou algo do tipo).
Certa feita estava no meu quartinho, minha mãe havia saído pra algum lugar, e de repente escutei uma barulheira danada. Gritos, pancadaria e tiros. A polícia havia invadido a vila com toda força. Bateu em quem encontrou pela frente, não perguntou quem era ou não era supostamente criminoso, espancaram mulheres e até mesmo um senhor cadeirante, que não tinha a menor chance de defesa.
No meio do tiroteio, correria e pancadaria a única coisa que pensei foi me esconder dentro de casa, pra evitar levar uma bala perdida (na verdade bala achada) na cabeça. E lá fiquei. Minutos depois as coisas se acalmaram um pouquinho, mas a polícia ainda estava por lá. Então resolvi sair e voltar só quando a poeira tivesse baixado. Pensei: como vou sair, será que os caras vão me “baculejar”, vão perguntar alguma coisa?
Criei coragem, coloquei uma roupa de “pessoa de bem” (ou seja, uma roupa que mostrasse que eu não era um garoto da rua, pelos padrões do preconceito normal da sociedade e da polícia) e sai.
Passei na frente do policial que estava com a arma em punho. Ele me olhou, eu olhei pra ele, pedi licença e sai. O policial não perguntou nada, não me revistou, não fez nada.
Daí me veio a seguinte pergunta: será que seu eu fosse uma pessoa visivelmente negra e estivesse vestido com roupas que são identificadas pelo preconceito vigente como roupas de marginais em Belém, não teria sido preso ou levado porrada como aconteceu com os demais moradores da vila? (essa questão das roupas é um elemento à parte: a maioria dos ditos “marginais” adolescentes de Belém se vestem com um tipo particular de moda: shorts de surfistas, bonés, camisetas com imagens e desenhos vivos, etc.)
Bom, a resposta todos já sabem...
Mesmo que eu não fosse o padrão de beleza Rede Globo (muito pelo contrário, sou um caboclo, cara redonda, cabeça chata, indígena, amazônico e pobre!), naquele contexto, numa favela, de maioria negra, o preconceito racial me atingiu muito menos do que aos outros moradores. À eles o ódio racista e o preconceito de classe se manifestou na violência policial de forma aberta! Para polícia tratava-se de marginais, bando de vagabundos, negros e negras pobres e inúteis na sociedade, pobres por opção de malandragem...
Nossa sociedade é sim, obviamente, claramente, objetivamente racista. E o racismo se reforça com o preconceito de classe, preconceito contra os pobres de uma maneira geral.
Muitas vezes discordei de amigos meus que fazem parte do Movimento Negro, por considerar que às vezes eles esquecem, ou dão pouca ênfase, à questão do preconceito de classe. Para mim não é uma questão de ser o preconceito racial menor que o de classe, ou vice-versa. Pra mim é exatamente um processo complexo de auto-alimentação de preconceitos, de racismo, de xenofobia (por exemplo, no caso de nordestinos em São Paulo), homofobia (tantos caso em evidencia na mídia nos últimos dias), machismo, etc. Mas é certo que o preconceito racial (em particular contra negros) é muito forte e merece uma atenção especial e uma organização especial dos movimentos sociais. Neste sentido o Movimento Negro e toda a sociedade têm que denunciar sempre, mas também têm que estar atentos as peculiaridades locais.
Não tenho certeza, mas, parece que naquele dia o preconceito racial falou mais alto que o preconceito contra pobres (não ser visivelmente negro para os padrões belenenses e da polícia) e isso me safou da pancadaria geral. Isso mostra que o preconceito racial é muito vivo, é objetivo, é claro e deve ser combatido. Obviamente que naquele contexto eu não poderia argumentar com a polícia, sedenta de bater em quem aparecesse pela frente. O melhor que pude fazer, acredito eu, foi sair do lugar até as coisas se acalmarem...
Porém, outra questão deve ser considerada no contexto paraense e belemense, em particular. Aqui há não só um preconceito no sentido de atitude ativa de agressão a um determinado grupo racial ou étnico, há também uma atitude de invisibilidade a determinados grupos. E neste caso refiro-me especificamente á grande maioria da população que é mestiça, em várias perspectivas, mas trás a marca do ser indígena no rosto. A grande maioria da população de Belém é indígena em sentido biológico, e fruto de um complexo processo de mistura com negros, brancos, nordestinos de vários momentos migratórios, etc, etc. Grosso modo, nas periferias da cidade são índios que vemos todos os dias. Eles são os vendedores de rua, os cobradores de ônibus, os garotos de esquina, os estudantes de escola pública, os flanelinhas, os vendedores do Ver-O-Peso, os produtores e consumidores da cultura “brega” que toma a cidade, os moradores do Jurunas, do Guamá, da Condor, da Cremação, da Terra Firme e de tantos outros bairros periféricos de Belém, das cidades do interior, etc.
Em Belém e no Pará o preconceito racial contra negros se confunde com o preconceito contra a população mestiça de fortes características indígenas e soma-se tudo isso à condição social de pobreza e exclusão.
A invisibilidade da população indígena se manifesta primeiramente no seu não reconhecimento enquanto habitante das cidades e da periferia. Quem se define como descendente de índio em Belém, mesmo que como descendente mestiço, distante das aldeias obviamente?
Em segundo lugar essa invisibilidade se manifesta na visão folclórica da cultura local: diz-se que nossa comida, nossos costumes, nossas danças e músicas são de origem indígena (o que são de fato, em grande parte); cultuam-se os ribeirinhos, os canoeiros, os plantadores e consumidores de açaí, o caboclo, mas ninguém se auto-define como tal, ninguém se auto-define como caboclo ou descendente de índios. O culto ao caboclo (que seria o herdeiro direto do índio) ocorre apenas nos discursos políticos populistas locais, de acordo com as necessidades de votos a cada dois anos. E também entre alguns defensores do folclore, que é sempre visto como algo do passado, em extinção, exótico e, portanto não vivo e ativo.
A nossa cultura sempre é vista como a cultura passada, morta, que precisa ser salva e, conseqüentemente, o índio que teria gerado tudo isso, é também um personagem folclórico, morto, cultuado pelo presente, que é distante dele. Não é à-toa que a população urbana tem um afastamento histórico com as comunidades indígenas, que se auto-definem como tal, nas aldeias e reservas.
São as nuances do preconceito racial em nossa região. Ele é mais complexo do que se imagina, mas independentemente disso é real, objetivo, e atingem os pobres, negros, mestiços, índios e caboclos todos os dias, a toda hora!

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Sobre o amor.

Hoje acordei ouvindo Leopardo de Vital Lima, clássico do cancioneiro dos anos 80, melodia e letra fantásticas:

“Tu que e mimas
Que me beijas os sinais dos rastros
Que enlouqueces preso às minhas crinas
Quando estamos voando nos astros.
Tu que me moras
Que me curas da febre em que ardo
Dentro de ti caminha um leopardo
Que luta com a solidão."

Mais tarde entrei no Facebook de Fabio Pessoa e estava rolando um papo sobre amor, entre ele e outra amiga. Daí pensei nesta definição, inspirada em tudo isso:


"Amar é morar no outro e ser morada alheia. E torcer pra que a casa não caia!"

Será que é isso também?

História 90" mais uma vez!

Meu povo e minhas povas, não tenho postado muita coisa atualmente pois estou empolgadíssimo com nossa festa História 90' e só tenho pensado nisso ultimamente. Sendo assim , se você entrar aqui estes dias verá que o que está bombando mesmo é a postagem ai a baixo.

Logo logo colocarei coisas novas aqui!

Saravá!!!

terça-feira, 16 de novembro de 2010

História 90'

Dia 18 de dezembro faremos uma festa temática lembrando nossa vida universitária no curso de história (e vizinhança) na UFPA dos anos 90.
A idéia é juntar o maior numero de pessoas que conviveram na “beira do rio”, no forró do Vadião, Nas festas da CU (Capela Universitária), nas rocadas da Galeria, nos eventos do movimento estudantil, nos encontros de estudantes, nos bares da Perimetral, no “copo sujo”, no “Bar do Mezenga”, no Universibar, na militância em CAs e DCE, etc, etc. (PS.: e aqueles que freqüentavam as disciplinas também...)
A iniciativa é da turma de história de 1996 e da Canalha, grupo de amigos formado nesta época que se reúne até hoje em encontros cotidianos e em um bloco de carnaval com este nome (O Bloco da Canalha: a vil ralé que cospe no chão). Mas a idéia é juntar pessoas de outros anos (antes e depois de 1996) e de outros cursos (geografia, filosofia, letras, ciências sociais, etc.) que de alguma maneira viveram a vida universitária dos anos 90 na UFPa, sendo universitários ou mesmo perambulando pelos corredores dos blocos, pela beira do rio, e por todo os demais eventos e lugares já citados, etc.
O fato é mais ou menos o seguinte: acreditamos que quando chegamos à casa dos 30 e uns trocados (ou uns graúdos) começamos a pensar que talvez já estejamos na metade da vida (claro que isso é apenas uma possibilidade, pois podemos morrer até com 100 anos, em tese). Daí que começamos a ter saudade das coisas que vivemos na adolescência/juventude, e de coisas que achamos que vivemos, que nossos amigos viveram, que queríamos ter vivido, que inventamos pra nós mesmo que vivemos, etc. Daí passamos a inventar nossa memória e nossa geração cultural/musical.
Nós já estamos nessa! Se vocês já estão nessa fase da vida é só chegar junto na História 90’.
Levem suas fotografias, suas lembranças, poemas, fofocas, filhos, maridos e mulheres... Esperamos tod@s lá!!


Convidamos a tod@s a lembrarem as coisas, lugares, eventos, pessoas que mais lhes marcaram na UFPA nos anos 90. À Vontade pra comentar!!!


Dados do evento:
Dia 18 de Dezembro
Bar Velharia (antigo Carpe Diem). 16 de Novembro com Av. Tamandaré, na Praça Amazonas.
À partir das 14 hs

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Chuva.

Todos os dias acordo com um poema, hoje acordei com uma canção: dó, ré, mi, fá da chuva nos telhados de Santa Maria de Belém do Grão-Pará:


É bonita a música da chuva no telhado de zinco, ao amanhecer,
nas periferias de Santa Maria de Belém do Grão-Pará.
Dó, ré, mi, fá... dizem as gotinhas...
E o caboclo acordou ouvindo música
e por um minuto esqueceu-se da vida...

15 de novembro de 2010.

domingo, 14 de novembro de 2010

Prometo que a próxima coisa que farei, quando terminar de pensar em coisas inexistentes, será pensar na estranheza das coisas existentes.

Do problema de alimentar manadas de animais inexistentes.

Para uma amiga que toma chá de folha de jurubeba, em Niterói.

Atualmente tenho pensado na inexistência das coisas.
Penso, sobretudo, em plantas e animais que não existem.
Pergunto-me se existiram plantações de jurubeba
ou manadas de orfintos ou de tamandes nadadores,
aqueles que habitam os mares gelados da Groelândia.
Dirigir-se-iam estes quadrúpedes para as plantações de jurubeba,
donde se deleitariam em tão saborosa flor?
A inexistência é muito complexa e às vezes enfadonha,
mas, tenho certeza que se não fizermos algo urgentemente
no próximo inverno, as imensas plantações de jurubeba
poderão não ser suficiente para alimentar toda a humanidade.
E principalmente não serão suficientes para alimentar os animais inexistentes.

14 de novembro de 2010.

sábado, 13 de novembro de 2010

Canção de amor.

talvez eu compre uma camisa branca no verão
talvez a chuva seja mais breve amanhã
talvez eu seja mais feliz
talvez alguém famoso morra e o ar se encha de novidades
talvez a manhã amanhã seja bela
e me lembre belas manhãs de julho
talvez eu sinta caroços de areia nos pés
talvez eu fique cansado do mundo e mude para outro planeta
ou talvez eu simplesmente me transforme em uma pedra ou em uma barata

talvez não lembre de nada amanhã
e essa canção nossa toque como um fundo musical
como se eu estivesse em um filme
posso receber presentes e podem ser fotos
pior é no Sudão que não tem comida

vou ficar a noite toda ouvindo a canção e não dormirei jamais
talvez me engaje em algum movimento revolucionário
ora, tem gente que acredita em Deus!
às vezes queria ser religioso
não queria ler tantos livros
não queria ter sempre opinião
queria que provassem que sou uma fraude
mas, essa não é uma canção de desespero
estou falando de amor

(2007)

Pergunta concreta

cadê
cada
onde?
onde
anda
cada
cadê?

(14/01/2007)

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

O Norte da Canção: diálogos entre história e música popular brasileira

Caríssim@s, vou participar deste seminário em uma mesa redonda e em um mini-curso. divulguem se interessar.
Ocorrerá na UFPA.

Inscrições: a partir do dia 15/11/2010
Investimento: Alunos (graduação e pós-graduação) R$15,00 (quinze reais); profissionais R$20,00 (vinte reais).
Informações: e-mails: ahistoriaemcantos@gmail.com e cleodirmoraes@uol.com.br
Telefones: 8853-7453 (Cleodir) ou 81118661 (Rodrigo)


O projeto “A História em Cantos”, patrocinado pelo Programa de Apoio a Projetos de Intervenção Metodológica (PAPIM/PROEG), desde 2008, propõe-se enfrentar um desafio, através da manutenção de um fórum específico para o diálogo entre pesquisadores, professores e estudantes de História, e de disciplinas que utilizam a música na pesquisa ou no ensino, através da realização de seminário temática. O II Seminário de História e Música, intitulado “O Norte da Canção: diálogos entre história e música popular brasileira”, visa dar continuidade às discussões iniciadas em 2008, através de mini-cursos, palestras e mesas-redondas voltadas um público diversificado composto por alunos da graduação e da pós-graduação e de professores da educação básica do Estado.
As mesas redondas serão compostas pelos professores Ângela Tereza de Oliveira Corrêa, Antônio Maurício Dias da Costa e Cleodir Moraes (UFPA), Edilson Mateus Costa da Silva e Tony Leão da Costa (SEDUC) e Andrey Faro de Lima (IPHAN), todos com pesquisas voltadas pela o estudo da música popular em suas diversas manifestações (modinhas, MPP, MPB, brega, festas de aparelhagem etc.). O objetivo é garantir um espaço de apresentação e discussão das pesquisas realizadas por pesquisadores que focalizam experiências musicais que não necessariamente se prendem aos temas e compositores já consagrados pela literatura especializada, mas motivadas por problemas de análise que extrapolam o meramente local ou regional, contribuindo assim para um repensar da história da música popular brasileira.
As palestras serão ministradas por pesquisadores convidados, cujos trabalhos, em geral, servem de referência para novas pesquisas no campo da história cultural do Brasil, a partir da apresentação de novas fontes e novas formas de abordagem dos embricamentos entre processo histórico e as experiências musicais do país. São eles os professores Arnaldo Daraya Contier (USP/Mackenzie), Miliandre Garcia de Souza (UFVJM) e Adalberto Paranhos (UFU), que têm publicados livros e artigos científicos em revistas especializadas, de âmbito nacional e internacional, sobre o assunto.


O Norte da Canção:
diálogos entre história e música popular brasileira
PROGRAMAÇÃO
14/12 – Terça-feira
16h – 18h - Mesa de Abertura: Pesquisa, Ensino e Extensão: diálogos pertinentes
Pró-Reitora de Ensino
Diretora de Projeto/Proeg
Diretora da Escola de Aplicação
Coordenador do Projeto
18:30h – 20h - Palestra de Abertura: Edu Lobo e os festivais da música popular brasileira nos anos 60.
Prof. Dr. Arnaldo Contier (USP/Mackenzie)
15/12 – Quarta-feira
16h – 18h - Mesa Redonda: Historia e Historiografia da Música Popular Brasileira sob novos olhares.
Prof.ª Dr.ª Ângela Tereza de Oliveira Corrêa (UFPA)
Prof. M.Sc. Edilson Mateus Costa da Silva (SEDUC)
Prof. M.Sc. Cleodir Moraes (UFPA)
Mediador:
18:30h – 20:30h - Mesa Redonda: Música, Festa e Pesquisa Histórica no Pará.
Prof. Dr. Antônio Maurício Dias da Costa (UFPA)
Prof. M.Sc. Tony Leão da Costa (SEDUC)
Prof. M.Sc. Andrey Faro de Lima (IPHAN)
Mediador:
16/12 – Quinta-feira
15h – 18h – Mini-Cursos
18:30h – 20h - Palestra: Do teatro militante à canção engajada
Prof.ª Dr.ª Miliandre Garcia de Souza (UFVJM)
17/12 – Sexta-feira
15h – 18h - Mini-cursos
18:30h – 20h – Palestra de Encerramento: Política e cultura: a Bossa Nova e o debate sobre os caminhos da música popular nos anos 50 e 60.
Prof. Dr. Adalberto Paranhos (UFU)

MINICURSOS
Entre o fuzil e as frestas: música popular em tempos de ditadura militar no Brasil
Prof. Dr. Adalberto Paranhos
Arte engajada no Brasil
Prof.ª Dr.ª Miliandre Garcia de Souza
Música Popular e Ensino de História
Prof. M.Sc. Cleodir Moraes
Imagens da canção: A MPB nos videoclipes (1970/80)
Prof. M.Sc. Edilson Mateus Costa da Silva
Música e cultura popular na Amazônia: tradição e modernidade no caso do carimbó
Prof. M.Sc. Tony Leão da Costa

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Clave de sol.

Acho que estou encantado por uma clave de sol
Não porque seja sol, e estes dias estão quentes
Não porque seja, talvez, embalada por um violão seresteiro
Acho que estou encantado com as cores da clave
E sua vibração e sua cor vermelha
No fundo acho que a clave de sol é uma cor
Por que alguém em sã consciência se apaixonaria por uma clave?
Ainda mais uma clave de sol
Por que não me encantar por uma clave de lua?
Já que a lua tem mais fases
Movimenta as marés
Provoca uivos noturnos
Alimentas seresteiros
Mas o que posso fazer?
Quero tocar na clave de sol
E ver se não me queima
Ou se de lá sai alguma melodia

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Meia noite.

A noite é morna às vezes
Escura e fria, outras tantas
A noite é tudo infinito-incerteza
E isso sempre, sempre me espanta
Tem noite que penso sobre a morte
E sonho com meus medos mais profundos
Nas noites me encontro com a sorte
Ou com todos os azares do mundo

Boa noite!

Meia noite, 09 de novembro de 2010
Ando meio desligado, eu nem sinto meus pés no chão...

domingo, 7 de novembro de 2010

Instituto Amazônia Cultural - IAC

Acabei de receber meus amigos do IAC (Instituto Amazônia Cultural) que desenvolvem um importante trabalho com adolescentes na Terra Firme. O IAC tem como lema a frase "A criança que toca um instrumento, jamais empunhará uma arma".
O IAC, dentre outras coisas, desenvolve atividades com adolescentes, a partir da música, oficinas de violão, na Terra Firme.
Quando o estado não cumpre o seu papel social, as comunidades se organizam. A atuação de ONGs como esta é de suma importância pra bairros pobres como a Terra Firme. Todo apoio é bem vindo.
Pra saber mais http://blogdoiac.blogspot.com/.
Conheçam, divulguem, apóiem!

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Carta a um defunto amigo.

Caro amigo morto que hora jaz em sua marmórea morada, hoje senti deveras tua falta.
Senti falta de nossos tempos de meninice, donde nos preocupávamos apenas com o horário que a campainha da escola tocaria, na hora do recreio, e poderíamos correr livremente pelos corredores cheios de crianças. Lembrei que tínhamos a habilidade de poucos de chegar primeiro à fila de distribuição da merenda. Tu sempre bem mais rápido que eu, é verdade, muitas vezes foste o primeiro a apanhar o lanche.
Fiquei saudoso e quase chorei dia desses ao me lembrar de nossa adolescência. Junto com a rapaziada, todos com 14, 15, 16 anos de idade, íamos a bando (todo mundo andava em bandos nesta época) para os igarapés da cidade. Nossa condução eram as bicicletas que sofriam como nossas molecagens pueris.
Fiquei horas lembrando essas coisas.
Lembrei ainda do dia que deixei minha casa em Igarapé-Miri, no interior do estado, pra vir morar em Belém... Lembrei que nesta época a casa estava em reformas, e eu, com meus 16 ou 17 anos de idade, olhei pela última vez o quintal que tantas vezes brinquei. Lembro como se fosse hoje este dia.
A parte de trás da casa estava desmontada, a madeira deitada ao chão, às 18 horas o sol já se despedia e as arvores grandes do quintal davam um ar de filme (aqueles filmes de terror donde o bosque guarda sempre mais coisas do que podemos pensar...). Foi neste momento que olhei pela última vez meu quintal e iniciei minha jornada para Belém, a capital, pra conhecer outras pessoas e outras experiências que eu não tinha. Depois fiz outras tantas viagens (mas essas são pra outro momento)...
Hoje, meu caro e defunto amigo, olho para trás e vejo que perdi muita coisa, inclusive a ti. Fico pensando como será a frialdade da terra onde habitas, imagino qual a relação que estabeleceste e ainda estabeleces com os vermes que te roem a carne e te lambem os ossos, o que pensas da outrora dura, e agora podre, madeira que te abriga, tens vontade de sair, de voltar a viver...? São coisas que não sei e não saberei tão cedo.
Quanto a mim, mudei muito. Nosso tempo de infância e adolescência ficou pra trás. Meus horizontes mudaram bastante e, como não pretendo morrer tão cedo – já que tenho, como todos têm, uma relação de amor e ódio com a vida -, sinto que não te verei tão breve, por isso mantenho contato por esta correspondência. Espero que possas responder em um sonho, qualquer dia desses.
E por falar em sonho, inerte amigo, tive um sonho estranho dia desses e não consigo tirá-lo de minha cabeça. Sonhei que estava dormindo (no sonho eu estava dormindo) e acordava com uma estranha coceira no dedo indicador da mão direita. Acordava e coçava o dedo, como a coceira não passava, olhava pra ver o que ocorria. Pra minha surpresa via uma nódoa verde na ponta do dedo, na região anterior à unha e neste mancha surgia um pequeno gramado, como um gramado de campo de futebol, com uma grama bem pequenina, mas de raiz profunda e de fina ramagem. Acordei-me de súbito (acordei de verdade, fora do sonho) e o dedo indicador ainda coçava, assim como doía um pouco. Não consegui dormir mais a noite toda e todos os dias medito se terá de fato um gramado nascendo de minha carne.
Temo esta possibilidade!
Caro amigo, não sei o que isso significa. Nunca fui dado a adivinhar sonhos. Talvez tu daí do mundo dos mortos possas me dizer algo sobre isso algum dia desses. De resto, vou levando a vida. Convivendo e falando com pessoas vivas todos os dias e tendo sonhos estranhos todas as noites.
Por fim, espero que estejas bem em teu funéreo descanso, pois que aqui na terra as coisas andam como sempre, às vezes melhores, às vezes piores, às vezes quente, às vezes frio, etc.
Despeço-me por hora, não tenho muito mais o que te dizer, não hoje. Nós falaremos em outros sonhos ou em outras cartas.
Até logo.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Ana Júlia.

Concordo que Ana Júlia perdeu para si mesma e para seus assessores. Mas as coisas sempre são mais complexas do que pensamos. Ela perdeu também para a ideologia: muito ex-petistas, intelectuais, funcionários públicos descontentes e demais pessoas entraram na lógica do discurso da “incompetência” como sendo uma característica inerente à mulher. Estava subjacente às críticas à suposta incompetência da governadora certo preconceito contra a mulher.
Obvio que o governo foi ruim comparado às expectativas que tínhamos! Isso é um fato real, objetivo, mas este fato foi amplificado pelos microfones da ideologia e pelos resquícios de preconceito contra a mulher que nossa sociedade tem.
Por outros motivos isso não se deu com a Dilma, pelo menos não com a mesma força, apesar da tentativa de tachá-la de inexperiente. Talvez a presença do Lula, muito mais perto no caso dela, tenha anulado um pouco isso. E mesmo sua trajetória pessoal, de tecnocrata por excelência, tenha anulado esta perspectiva.
Talvez isso seja uma prova de que a ideologia ainda tem muita força no discurso político conservador, mas também é prova de que um governo pouco eficiente (como foi o caso do PT no Pará) possibilita que velhos preconceitos sejam retomados e reforçados.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Finados.

meus mortos
estão todos muito vivos
não morreram de overdose
muito menos de morte natural
morreram de inanição
vou visitá-los
antes que eles decidam me visitar

Poema.

Durmo,
pois a realidade é demais pesada e suja.
Sonho,
pois acordar pra dentro de mim é melhor do que estar acordado no mundo.
Morro,
pois tudo acaba algum dia.