sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Poema

para mim não há meio termo
ou é muita dor
ou muita alegria
ou capitalismo
ou rebeldia
nada de mais - ou menos - me surpreende
ou é um berro
ou o silêncio sepulcral
floresta amazônica
ou pantanal
amores dolorosos
de prazeres gemidos
insanidades cotidianas
fumar um cigarro e comer a bagana
plantar uma arvore e esperá-la crescer
ficar do lado dos perdedores
morrer! morrer! morrer!
renascer! renascer! renascer!
mas nunca, nunca na luta tombar
ser traído pelo melhor amigo
trair o melhor amigo
ser roubado
ser cuspido
- na cara por quem nunca se esperava -
ficar com a cara roxa de tanta raiva
e ter pena dos miseráveis de plantão
mas nunca ser hipócrita e ficar em cima do muro
dizer toda a verdade de maneira segura
mesmo que toda verdade não seja tão boa
e que não sirva pra qualquer pessoa
mas que pareça justa para o excluído
que seja justa aos detraídos
que se deixam roubar pelo bom cidadão
não me convence o meio termo
não quero saber de segunda via
já me basta a vida em eterna apatia
e a desgraçadura do sempre viver
amarei todos os revolucionários
a todos os homens-bombas
e incendiários
mas, não aceito a covardia
de viver a farsa da eterna alegria
a alegria mesquinha do viver
eu quero o grito, o berro espúrio
quero beber água com mercúrio
quero tomar banho de chuva à madrugada
e de preferência com uma mulher amada!
quero levantar também enxada -
foices e martelos e tudo mais -
quero caminhar com o negro mais retinto
um Macunaíma de vermelho e faminto
quero olhar em frente ao espelho
e descobrir que sou crioulo
e descobri que sou latino
e descobrir que sou cafuzo
e descobrir que sou inteiro
em toda minha descontinuidade
e descobrir que sou um índio
que tem um pé na floresta
e outro pé na cidade
que tenho um pé lá na Colômbia
e uma mão na Venezuela
e os meus olhos na Bolívia
e meu coração lá na favela
e meu coração em Cuba
e com todo isso não tenho culpa
porque a culpa não me convém
pois a culpa não me contém
não me basta o meio termo
eu quero mesmo é o termo inteiro
a feijoada com todos os temperos
e a vontade de dividir o pão
não me basta amor meia-boca
quero o amor de todos, sem roupas!
corpo a corpo em devassidão
quero imprimir o ódio aos juízes
e beijar a boca das meretrizes
- que devem dar o que quiserem dar -
dessacralizando o corpo inteiro
tornando tudo, um grande puteiro
porque todo corpo é mesmo um puteiro
de prazeres que desconhecemos
prazeres alienados do se dar
mas, puteiro mais que puteiro!
é ver chegar qualquer fevereiro
e não deixar o samba passar!
mas, puto, mais do que puto
e ver passar a banda tocando
ver o suor da mulata pingando
a cachaça exalando no asfalto
e nem o dedinho do pé balançar!

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Câncer ou de ataque cardíaco

acredito convictamente
que vou morrer de câncer
ou de ataque cardíaco
e olha que não acredito nos signos do zodíaco
como já anunciava um poeta que amo
mas creio que vou morrer cedo
mesmo não querendo!
morrerei provavelmente esquecido
como gostaria de ser todo poeta marginal
- apesar de que não sou marginal -
de fato tudo isso
me soa muito esquisito
só creio que vou morrer deste jeito
mas morrer todo mundo morre
ninguém é perfeito!
(05/11/08)

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Nosso amor

Nosso romance terminou
como se fosse ontem, hoje!
E amanhã, não passasse de um dia,
ou vários,
depois!
Nosso romance terminou como se fosse
fósforo,
queimado no primeiro cigarro barato,
da primeira esquina,
do primeiro malandro,
da primeira estação.
Nosso romance acabou
como se acabasse...
como se acabasse qualquer outono,
um desfolhado outono
depois de qualquer verão!

Nosso amor

Nosso romance terminou
como se fosse ontem, hoje!
E amanhã, não passasse de um dia,
ou vários,
depois!
Nosso romance terminou como se fosse
fósforo,
queimado no primeiro cigarro barato,
da primeira esquina,
do primeiro malandro,
da primeira estação.
Nosso romance acabou
como se acabasse...
como se acabasse qualquer outono,
um desfolhado outono
depois de qualquer verão!

sábado, 10 de dezembro de 2011

Sobre o tempo

Tempo,
quanto tempo falta
pra eu ficar velho?
Tempo,
quanto tempo falta para meus cabelos ficarem grisalhos?
Quanto tempo falta para o tempo passar?
Quanto tempo me resta de sobra,
das franjas do tempo,
do tempo que o tempo não quer me dar?
Quanto tempo tem o tempo?
Quanto tempo demora pro tempo passar?
Tempo, descole da pele!
Tempo revele!
Tempo descreva a dor e a beleza...
Tempo, passa tempo, não esmoreça...
Tempo, descole dos olhos,
e me feche as pálpebras numa manhã desembrial, de chuva fina, de sol escondido entre as nuvens... uma manhã que me lembre a infância...
Me tape os ouvidos.
Me exclua a sabedoria.
Tempo...
Quanta vezes já caí nas calçadas e vielas da vida?
Eu que caminhava com quatro patas no amanhecer de minha história,
corria com duas pernas no entardecer de meus dias...
quando me apoiarei em cajados?
Quanto tempo falta pro tempo acabar?
Tempo amigo...

Cumpra apenas o teu papel!

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Outras considerações sobre a Divisão do Pará

Para além do SIM e do NÃO.
Por Fábio Pessôa (historiador e militante do PT)

A campanha sobre o plebiscito ficou mesmo no maniqueísmo do SIM ou NÃO. O problema de fundo, a socialização da riqueza produzida, passou longe do debate. Infelizmente, a velha e nova direita deu a linha política tanto para o SIM quanto para o Não. A impressão que dá é que, seja qual for o resultado do Plebiscito, a divisão existente no estado irá se acentuar ainda mais.
Quando falo de divisão, não estou me referindo ao separatismo político administrativo. Não falo de uma fronteira territorial, mas de uma fronteira identitária, marcada não só pelas diferenças/clivagens étnicas, culturais como também de classes. Quando as peças publicitárias falavam de um Pará pobre e outro rico, estavam se referindo às riquezas naturais e não ao acúmulo de riquezas existentes entre pessoas ricas e pobres. O termo paraensismo se refere a um sentimento de identidade único e homogêneo, como se todos os paraenses fossem iguais, independente de sua condição sócio-econômica. Só que esse sentimento só existe na propaganda.
O debate sobre o modelo de desenvolvimento regional, por exemplo, ficou marginalizado ou suprimido no debate. O que fazer com o avanço da soja? Como equilibrar a produção alimentar com a preservação do meio ambiente? O que fazer com a riqueza produzida pela exploração mineral? Como lidar com as mortes no campo e as chacinas nas grandes cidades? E a reforma agrária, ainda vai ser tratada como uma “questão federal”? Tantas perguntas poucas respostas.
O sentimento do “nós” contra “eles” tem radicalizado o divisionismo pré-existente, podendo deixar cicatrizes profundas entre a população. É legítimo o desejo autonomista das regiões de “Carajás” e “Tapajós”. Como é legítimo o desejo dos contrários à separação. O debate de fundo, no entanto, não é esse. A fronteira pensada enquanto acesso direto dos produtores aos bens naturais está de fora desse debate, valendo a lógica do “dividir para concentrar”. Por outro lado, não está sendo proposto um modelo de gestão dos recursos públicos de modo a equilibrar os investimentos com vistas a equilibrar as diferenças.
Do jeito que está à pobreza do debate em torno do SIM e do Não irá se somar a indiferença de uns com a truculência de outros, sem falar do oportunismo de outros tantos. A única coisa boa disso tudo é a experiência democrática consubstanciada pela prática do Plebiscito, prática incomum no Brasil. Que essa seja a forma para decidir sobre temas de relevância nacional, como o Plebiscito pela reestatização das empresas privatizadas, como a poderosa Vale, a descriminalização do aborto e das drogas, entre outras matérias polêmicas e restritas a decisão de um Congresso visto com cada vez mais desconfiança pela população. Pelo menos algo de bom podemos esperar desse processo marcado pelo rebaixamento do debate político.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Sobre a divisão do Pará.

Recentemente um amigo do Rio perguntou a minha opinião sobre a divisão do estado do Pará. Estava querendo escrever sobre isso faz algum tempo e com a pergunta dele acabei me forçando a fazê-lo agora. Sendo assim, coloco minha opinião sobre isso, de maneira objetiva e sem falsos "paraensismos":


Então vamos por parte.
1. Grosso modo quem propôs a divisão foram setores da elite paraense ligados às regiões em questão. Na verdade os projetos de divisão foram elaborados por políticos de fora do Pará. Aqui quem sustenta a divisão é a elite ligada ao agro-negócio, madeireiras, fazendeiros, etc. e que obviamente pretendem mais espaço político com a criação de novos estados. Os interesses são econômicos e políticos de fato e não sociais.
2. Culturalmente falando há uma divisão real entre as regiões (não necessariamente na ordem que foi traçado o mapa da divisão). Essa divisão cultural é fruto dos processos migratórios recentes, das últimas décadas. Ou seja, já existe uma divisão de linguagem, de costumes, de modos de vida, etc. Para a população pobre dessas regiões a divisão aparece como possibilidade de melhoria de vida, já que o modelo de desenvolvimento econômico do Pará, pelo menos desde a Ditadura militar, foi o de favorecer os ricos e excluir a população das terras, dos recursos que geram distribuição de riqueza, etc. Ou seja, são populações que necessitam realmente de melhorias muito significativas nas suas regiões, mas infelizmente os interesses dos setores que coordenam a divisão, das elites, não é exatamente atender a essas necessidades. Com a divisão não há perspectiva nenhuma para mudança do modelo econômico, ou seja, o controle das terras e recursos naturais permanecerá nas mãos das mesmas elites locais e grandes empresas internacionais, etc. Os grupos que coordenam a divisão nem de longe tratam deste assunto, porque não lhes interessa mudar essa realidade!
3. Algumas pesquisas já mostraram que a criação dos estados, por outro lado, não resolverá os problemas sociais da região em decorrência de que eles surgirão como estados deficitários. Demorará décadas talvez para que esses estados possam se equilibrar do ponto de vista de suas receitas. Isso significa que provavelmente permanecerão como estados pobres e com desigualdades sociais marcantes. Não apenas pelo desinteresse das elites “separatistas”, nem só pelo modelo concentrador de riqueza que não foi em nenhum momento questionado por essas, mas também porque os estados serão deficitários desde o início e possivelmente continuarão assim por longos anos.
4. Do ponto de vista ecológico a divisão poderá levar a um avanço da fronteira agrícola rumo ao estado do Tapajós, que é a região que tem proporcionalmente maior quantidade de florestas. Ora, mesmo com as reservas legais é muito certo que a separação deste abriria uma nova possibilidade da expansão madeireira, agrícola, etc. para aquela região.
5. A elite do Pará, não separatista, particularmente o PSDB e grupos ligados a ele, aproveita o debate do plebiscito pra propagandear um falso estado que ruma ao progresso. Nas propagandas do Gov. do Estado todos os problemas reclamados pelas regiões que pretendem se separar não existem. Pura hipocrisia. Ninguém pode negar que existem problemas reais que atingem diretamente a população mais pobre destas regiões, essa é a base de suas reclamações!
6. Grande parte da esquerda, parte do PT e o PSOL todo, parece-me que são contra a separação, pelos motivos que descrevi acima. Mas nas regiões em disputa mesmo parte dos setores “progressistas”, talvez a parte menor, creio eu, seja favorável a separação. Na verdade os debates sobre o plebiscito chegam a ser risíveis. De um lado os separatistas prometem mundos e fundos para as populações locais sem questionar em nenhum momento as regras do jogo econômico e políticos do estado, ou seja, não questionam o modelo concentrador e excludente da região, a devastação de florestas por conta desse modelo e a expansão da fronteira agrícola e mineral. De outro, os que defendem a unidade do Pará (refiro-me aqui exclusivamente ao governo e aos setores conservadores, que são quem de fato estão comandando a campanha da não separação) fingem que tudo está numa boa e aproveitam os espaços midiáticos apenas para apelar a um “paraensismo” “patriótico”, cafona e alienado! Resume-se todo o debate a se o “tacacá” ou a estrela da bandeira do Brasil, que corresponde ao estado do Pará, vão ser ou não divididos!
7. Ou seja, muito pouco das questões que poderiam ser discutidas nestes debates não o estão sendo: a reversão do modelo econômico, a maior descentralização da ação do estado, a renegociação com as grandes empresas como a Vale do Rio Doce, uma revisão radical do modelo de ocupação de terras, a resolução dos conflitos agrários, a punição e impedimento das grilagens, a questão dos assassinatos no campo, uma nova repactuação com o poder central no debate sobre a lei Kandir e mesmo um amplo debate sobre o papel da Amazônia no conjunto da nação. Esses são os assuntos que praticamente não são tratados neste amplo debate!
8. Ou seja, estamos em maus lençóis e aparentemente continuaremos assim por um bom tempo. Eu sou contra a divisão por entender que ela não resolverá as verdadeiras questões que precisam ser discutidas. Vou votar não e não! Mas espero que este debates falso que está ocorrendo, sirva pelo menos pra que mais adiante possamos discutir os verdadeiros temas sobre o Pará e sobre a região amazônica!

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Poema sobre fotografias e saudades!

Entre panos, tecidos
Teces um sorriso tímido
E um corpo magro inclinado
E as melenas encaracoladas
Fazem te ver tão menina
“Tão menina”, eu disse!
“Mas eu sou menina!” me respondeste!
E o sorriso tímido que me deste
Me desarmou todo, me deteve!
Ai menina se eu pudesse novamente
Beijar sua mão fria no cinema
E te levar para passear comigo
Ou pelo menos adivinhar pra que horizonte olhas
Naquela foto que não paro de rever!

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Poema auto-explicativo

Esta poema
não quer dizer
porra nenhuma!!
Esse teu olhar apressado
Corre, rápido, corredor.
Essas pernas querentes de ficar
Olhando...
Parece que queres ao rejeitar.
Na estante, livros.
Desarrumados
Poeirentos, alguns
Olho para eles todos os dias
Quero lê-los!
Tento entender conceitos abstratos
Nomes-Idéias, Nomes-Idéias
Nomes-Numes-Idéias
Muitos parecem velhos amigos
Outros, inimigos inteligentes.
Alguns mais que eu
O certo é que se pode fazer alguma coisa no mundo
Não existe teoria sem prática
É necessário se fazer algo no mundo
Os livros podem ser bíblias
Podem ser armas
Podem ser voz
Ou silêncio.
Podem ser práxis, também.
(março de 2006)

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Nada é para sempre, não esqueça!
Às vezes amamos desamando tanto
e às vezes amamos, amando somente.
Do amor às vezes surge o desamor e o pranto,
do desamor às vezes grela renovada semente!

domingo, 13 de novembro de 2011

Pequeno testamento

Meus versos...? Deixo-os à crítica roedora dos ratos.
Meu corpo defunto, à crítica roedora dos vermes!
De resto, deixo o pó ao tempo!

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Da infinita perfeição do não-ser!

Me escondo no silêncio
Lá onde não me comunico estou
Me escondo no escuro
Lá onde não me vejo estou
Me escondo no labirinto
Lá onde me perco estou
Quando eu morrer
Será infinita a perfeição do não-ser!

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Feijoada do Bloco da Canalha

Dando continuidade às suas atividades carnavalescas oficiais de 2011 e já aquecendo para o carnaval de 2012, o grupo vai realizar a Feijoada do Bloco da Canalha. O evento contará com a participação do grupo de samba A-CORDA BAMBA, do grupo de choro CHORAMINGANDO e ainda participação especialíssima dos percussionistas e cantores da Tenda de Umbanda Luz do Oriente, que vão trazer muito axé pra todos!
Fora isso, iniciamos outras atividades permanentes como a “Batucada do Coletivo Canalha”, que ocorre duas vezes por mês (sempre as sextas) na ruela que fica entre o Bar do Parque e o teatro da Paz, na Praça da República. A Batucada usa uma Bike Som (bicicleta sonora de propaganda suburbana) onde plugam instrumentos e o samba e o carimbó corre solto. O evento já teve a participação de grupos como Choramingando, A-Corda Bamba, Boi da Terra, Grupo Sabor Marajoara e uma série de músicos e poetas que dão participações especiais nos eventos. Nos últimos tempos a Batucada tem se destacado no cenário alternativo da cidade, valorizando espaços tradicionais e que fazem parte da história da cultura local, como é o caso do Bar do Parque.
Dando continuidade às suas atividades carnavalescas oficiais de 2011 e já aquecendo para o carnaval de 2012, o grupo vai realizar a Feijoada do Bloco da Canalha. O evento contará com a participação do grupo de samba A-CORDA BAMBA, do grupo de choro CHORAMINGANDO e ainda participação especialíssima dos percussionistas e cantores da Tenda de Umbanda Luz do Oriente, que vão trazer muito axé pra todos!
Serviço:
Feijoada do Bloco da Canalha
Data 06/11/11
Local: Bar The Beatles (Rua Cesário Alvin, esquina com Rua Bom Jardim, Cidade Velha, Belém)
Horário: das 12 as 19 horas
Valor da feijoada: 10 R$
Obs. Entrada franca.

Mais informações sobre o Bloco e o evento:
https://www.facebook.com/event.php?eid=248160225230996

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Segredo

(S. A.)
Nego publicamente meus galanteios.
Nego-os a todos, não os revelo.
Guardo-os. Escondo-os por todos os meios.
Nego!. Juro de pés juntos que não te quero.
Quero-te apenas em pensamento.
Publicamente esconderei meus devaneios.
Não te direi as verdades, os meus desejos,
Mesmo que talvez você os conheça, por inteiro!
O amor não dura tanto.
O amor dura um tantinho.
O amo, no fundo mesmo...
não passa d'um redemoinho!!

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Há certas horas que só o café me compreende
pois que o sorvo... por entre os dentes!

sábado, 29 de outubro de 2011

Poema para voar sozinho

Eu vou pôr do sol
A luz no lugar
Eu vou chover
Eu vou molhar
Eu vou então desaguar
E vou rio, liquefeito
Eu cair candente
Eu vou estrela brilhar
Eu vou estrada caminho
Eu vou caminhar
Eu vou vento
Moinho
Eu vou passarinho
Eu vou sair do ninho
Eu vou voar sozinho
Sozinho eu volvo o ar

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Eu sempre que posso evito morrer! Pois além de doer, deve anti-higiênico!
Às vezes o amor
Não é estarmos juntos o tempo todo.
É estarmos colocados,
Um dentro do outro!
Depois de uns três dias fazendo estes pequenos poemas (abaixo) de indignação contra a coisificação da vida, a destruição de populações indígenas, de rios e de pessoas, descobri que na verdade eles são apenas um poema, como vocês podem perceber.
Acho que ele terminou agora!
Indigna-se com a infâmia dos covardes,
Chora-se pelo luto dos inocentes.
Não embrulhamos pra presente!
Represa-se rios da Amazônia,
Cobramos por hidroelétrica!
Doamos entulhos indígenas da construção!
Coisificar-se pessoas,
Independente da cor, sexo ou idade.
Não aceitamos devolução!
Dá-se sorrisos órfãos.
Aos montes.
Pede-se que devolvam os dentes!
Vende-se poemas,
Cobra-se por estrofe!
Com rimas em promoção!

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Aprende-se com o tempo,
demora, mas aprende-se,
que hora amamos e hora somos amados,
que hora desejamos e hora somos desejados...
Aprende-se, dolorosamente,
mas aprende-se,
que tais sentimentos não são,
contudo,
necessariamente coincidentes!
As paixões têm
seus subterfúgios!
Há, porém, sob os subterfúgios...
inumeráveis paixões!

terça-feira, 18 de outubro de 2011

domingo, 16 de outubro de 2011

sábado, 15 de outubro de 2011

Hoje quero a simplicidade
Olá, como está, até logo...
O menor múltiplo comum
Bom dia, boa tarde, como vai?...
Sem nenhum subterfúgio,
Somente isso e nada mais...

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Eu tenho pressa!

Eu tenho pressa em tudo que faço
Por isso erro
Me embaraço
Às vezes tropeço
No próprio encalço
Mas me levanto
De sobressalto
Eu tenho pressa
O tempo urge
O tempo corre, o tempo grita
Eu tenho pressa
Eu vou partindo
Antes mesmo que chegue a partida
Eu tenho pressa
E a pressa manda
Que eu lhe diga: adeus querida!

Limoeiro

Eu li...moeiro
Li-te todo
Li-te inteiro
Li-te o oco
Li-te o suco
A tua seiva
Li-te o volvulus
Na semeadeira
Plantei teu fulcro
No chão inteiro
Na terra úbere
E derradeira!
Para Flávia Souza

entre os transeuntes
e os circunstantes,
eu passei...
inconstante...
No fundo Pasárgada é aquele local onde se esconde o sossego, pode ser ou não na antiga Pérsia, e o rei de lá, que é meu amigo, e é amigo de todos os poetas, não é Ciro e nem outro rei, é apenas o som do silêncio...

domingo, 9 de outubro de 2011

Nossa Senhora de Nazaré abençoa os pobres, caboclos e índios da Amazônia.

Nossa Senhora de Nazaré abençoa os pobres, caboclos e índios da Amazônia. Proteja-os das hidroelétricas que matam rios (a biodiversidade e o modo de vida das populações nativas). Proteja-os dos conflitos de terras nas áreas dominadas por grileiros, multinacionais, agronegócio e madeireiros.
Corrija a justiça provinciana que criminaliza movimentos sociais e libera ricos políticos pedófilos da cadeia, assim como nunca coloca atrás das grades assassinos de sem terras, assassinos de lideranças religiosas e de todos aqueles que lutam por uma Amazônia ecológica e popular (muitos desses assassinos sendo representantes do próprio Estado).
Evita que elejamos prefeitos corruptos (que nunca são presos) que acabam com projetos sociais e sucateiam uma cidade inteira.
Auxilia a colocarmos representantes do povo, no congresso nacional e na presidência da República, que tenham de fato um projeto para a Amazônia e que não falem desta vasta região apenas quando pretendem penalizar algum ministro rebelde, ameaçando-o de exilá-lo em tão “distante” selva.
Por fim, minha Santinha, não se deixe iludir por mantos de fios de ouro que te adornam o corpo. Lembre da preferência aos pobres que foi o “signo” deixado por Jesus em pleno Império Romano. Lembre Senhora de Nazaré que o que envolve o núcleo eclesiástico do Círio, onde autoridades eclesiais e políticas observam o andamento da procissão, são os milhares de promesseiros apertados em uma corda de 400 metros de comprimento.
Lembra Santinha que sua imagem conduz a fé, mas é o povo que conduz a sua imagem. São os caboclos, como Plácido, que tomam as ruas da cidade, rios de gentes que conduzem a fé... e conduzem a berlinda... Lembra Senhora de Nazaré que o povo toma a cidade uma vez por ano, saem de suas cabanas interioranas e vem à Belém em seus barquinhos enfrentando as águas caudalosas dos rios da Amazônia...
Lembra Santinha que todos os anos o ritual se renova indicando antigos movimentos de gentes, lembrando antigas ondas de fé e rebeldia, lembrando outras tomadas das ruas, lembrando outros moradores de cabanas, que no fundo são as mesmas gentes que viveram e vivem a opressão dos velhos e novos opressores...
Lembra de tudo isso Santinha e nos abençoa!

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Sobre o tempo (em resposta a uma antropóloga)

Perguntas sobre o tempo
O que dizer?
O tempo corre somente
Do sol que nasce
Ao entardecer
Da noite fria
Ao dia quente
À noite o tempo passar no breu
De dia o tempo passa no movimento
Todo homem tem um tempo que é só seu
Que hora se fantasia de dor
E hora surge como contentamento
E os Nuer que tempo teriam?
Como poderia eu lhe responder?
De certo que não usam os relógios dos antropólogos
Como deves há bastante tempo saber...
No fundo cabe a gente, às vezes, dar um tempo
E esperar que o tempo seja, tão somente
Aquilo que o tempo tiver que ser...

terça-feira, 4 de outubro de 2011

domingo, 2 de outubro de 2011

Abra os ouvidos
Você está vivo
Abra os olhos e deixe entrar a luz
Você está vivo
Deixe o ar entrar nos pulmões
E sinta a dor
Você está vivo
E é livre
Você está vivo e é livre
Até pra morrer...

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

A verdade é sempre mais complexa que a mentira ou a omissão, daí que é mais difícil de ser pronunciada!

Resposta de Raquel Costa ao poema "Morrer como quem não quer nada"

Mais abaixo fiz um poeminha chamado "Morrer como quem não quer nada". Hoje vi que minha amiga, e também poeta, Raquel Costa colocou uma resposta, um versinho mais bonito que o meu, obviamente. O retirei do comentário e coloco aqui para que tod@s vejam.

De Raquel Costa:

A morte é como a justiça, dizem
até tarda, mas não falha
o chato é sempre vem muito cedo
mesmo quando já é esperada.

domingo, 25 de setembro de 2011

Toda palavra dita
É cheia de conteúdo
Até mesmo o “vazio” que te digo!
Até mesmo o “nada” que te uso!

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

OI! Tô meio sumido mas logo volto a postar. Meio sem criatividades nos últimos dias.... sacumé né!

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Faço poemas de amor de vez em quando.
Os amores vão embora, como dever ser.
Os poemas ficam lá calados, esperando,
Como fragmentos fossilizados do viver...

Oco

Os fios de meu sono
Compõem tecidos sórdidos e puídos
Acordo todas as manhã
De corpo motejado e carcomido
Meus sonhos, pesadelos
Lançam-me em um abismo sem fim
Agarro-me em teias quebradiças
Sem saber que no imo do oco
Habitam borboletas em mim.

domingo, 11 de setembro de 2011

Ainda 11 de setembro

O 11 de setembro é um símbolo do jogo da memória/esquecimento. A memória hegemônica (midiática) lembra-se das torres gêmeas, mas esquece de outros setembros (como o do Chile em 11 de setembro de 1973, Palácio de La Moneda), pois é mais conveniente ao poder, ao capital, ao imperialismo! Uma violência não justifica outra, nunca! Mas uma história contada mil vezes talvez escamoteie outras histórias silenciadas tantas vezes quanto!

Amor e café

Amor é igual o café,
tem gente que gosta forte,
tem gente que gosta coado.
Tem gente que gosta de amor expresso,
mas tem quem prefira café descafeinado.
Tem gente que toma muito e sente prazer,
tem gente que toma muito e fica com insônia.
Tem gente que toma café no lazer...
Assim como tem gente que faz amor no trabalho, sem cerimônia...
Há aqueles que prefiram com leite ou adoçante.
Tem gente que toma depois do almoço ou depois do jantar...
Há os que exigem açúcar (no amor), não obstante!
E os que tomam café depois de amar
Contudo... porém... entretanto,
há quem goste de um gostoso cappuccino
e tem gente que prefere mesmo...
um singelo suco de maracujá!

sábado, 10 de setembro de 2011

Outros 11 de setembros

11 diretores foram convidados para fazer um filme sobre a queda das torres gêmeas em 11 de setembro.
Essa é a brilhante contribuição de Ken Loach que traça um paralelo com um outro 11 de setembro, aquele de 1973 no Chile.





"Mães, pais e entes queridos dos que morreram em Nova York, logo chegara o 29º aniversário de nossa terça-feira, 11 de setembro, e o 1º aniversário da sua. Vamos nos lembrar de vocês. Espero que vocês se lembrem de nós..."

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Carne

A carne tenta o homem,
Pois este é também carne.
Fricção de carnes,
Muito mais que simples fome,
Vontade concupiscente!

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Sobre a Revolução

Um poema de Fabio Pessoa "Sobre a Revolução"

Me disseram que revolução começa em casa
Imaginei então como seria a revolução dos que não têm casa
Talvez revolucionem os próprios passos
No andar pelas ruas dos sem-tento, dos sem-nada
Mas, e se fecharem as ruas?
E se lhes arrancarem os pés?
Como farão a revolução?
Talvez então gritassem nas ruas silenciadas pelas ditaduras
Mas, e se ninguém ouvir?
E se os gritos forem silenciados pela força bruta?
Só restara o pensamento
Não o “idealismo alemão”
Mas a própria razão de ser revolução
Que não tem cartilha
Não é dogma
Não tem fim...

Fábio Pessôa, 01/07/2004.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Morrer como quem não quer nada.

A melhor maneira de morrer, dizem,
É morrer como quem não quer nada.
Caminhas tranqüilamente e... puft, morreste!
Só mais um corpo no meio da estrada!

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Naturalizem-me com seus rancores, mas não esqueçam que fora eu (que sou pétreo, segundo as boas línguas morais e éticas), todo o resto é histórico, mutável e contraditório!

Poema do não querer

Nunca te pedi que me dissesses adeus
Nem sequer pedi que me anunciasses a chegada
Nunca te pedi que me indicasses o caminho
E muito menos quis que partisses à longa estrada!

Tateável!

Tátil é a vida que toco todos os dias
Com meus dedos táteis
Em sua coisa histórica
Em corpos vivos
Que existem em forma tátil
Tátil é meu sentido
As pontas de meus dedos são como lanças
Pontas
Mas minha pele é tátil
Extremidades ou não
Tátil é todo o sentido
Tateável!
#emimesmado!

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Camarad@ não temas!
Quando uma porta se fecha para sua entrada...
tens ainda toda a imensidão da estrada!

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Salve Mestre Verequete!!

Augusto Gomes Rodrigues, o Verequete, nasceu em Quatipurú em 16 de agosto de 1916 . Era filho de Antônio José Rodrigues e D. Maximiana, sendo o penúltimo de seis irmãos. Seu pai era conhecido como Antônio Maranhense, em decorrência de ter nascido naquele estado, e era um popular freqüentador de manifestações da cultura popular. O nome Verequete, pelo que ele mesmo narra, teria surgido em Belém, quando Augusto Gomes Rodrigues foi a um terreiro de umbanda em companhia de uma namorada. Impressionado com os cânticos e batucadas do ritual e principalmente com o cântico referente à entidade Verequete, ele teria voltado para casa cantando insistentemente aquela música e teria recebido o apelido dos amigos a partir daí.
Desde muito pequeno Verequete trabalhou em várias atividades, o que o impediu de aprender a ler e escrever . Desde os oito anos de idade já se envolvia em cordões de pássaro e bois-bumbás, em boa parte por influência de seu pai. Aquele tipo de atividade fazia parte de seu cotidiano desde muito pequeno. Segundo o que afirmou, teria fundado o seu próprio boi-bumbá ainda com oito anos de idade .
Por volta dos 12 anos deixou sua casa e foi morar com um irmão na vila de Careca, no município de Bragança. Mais tarde foi morar com um tio de melhores condições de vida, por algum tempo. Na juventude percorreu várias cidades do interior do estado, trabalhando em várias atividades. Morou na cidade de Capanema por dez anos, trabalhando como foguista na usina de luz. Depois foi ainda para Ananindeua, onde trabalhou como cortador de lenha para o trem que ia até Bragança. Finalmente foi morar em Icoaraci, distrito de Belém, onde permaneceu por cerca de 40 anos .
Participava ativamente das festas populares de rua e chegou a fundar seu próprio grupo, chamado “Pai da malhada”. Em relação à atividade de criador de folguedos populares, ele se considerava um “folclorista”, que no seu entender é aquela pessoa que cria o folclore: “A arte do folclorista é compor a música que entra no juízo dele e ele rima aquela música e bota tudo igual” .
Durante sua morada em Icoaraci participou de competições de bois-bumbás que a Prefeitura de Belém promovia. Dentre os bois que fundou ou participou, estão o “Flor da noite”, o “Pai da Malhada”, que era seu, e “Ramo dourado”. Por volta dos anos 60 diz que deixou o boi-bumbá e passou a se dedicar ao carimbó .
No Final daquela década teria feito uma festa em sua casa em Icoaraci e convidou o único grupo de carimbó que existia nas redondezas: “aí surgiu um [grupo de carimbó] no quilometro 23, mas não prestava para a família ver, era só pra bebedeira”. Como não existiam outros grupos que pudessem ser “pra família ver”, Verequete diz que resolveu fundar o seu próprio grupo, e em 1971 criou o “Uirapuru do Amazonas”. Nesta época suas apresentações se davam principalmente em Icoaraci. O carimbó ainda não havia se tornado popular em Belém: “Não tinha dentro de Belém, não se ouvia falar nem em carimbó” .
Verequete foi um dos primeiros artistas de carimbó a gravar um LP, em 1971, antes mesmo que Pinduca. O LP foi gravado em Belém nos estúdios da Radio Marajoara, segundo Vicente Salles , em só um dia, pela “Equipe Utilidades Domesticas”. Sobre seu pioneirismo, disse uma vez: “Não inventei nada, apenas fui o primeiro a botar o ritmo no salão” . Após este LP, com o sucesso crescente do carimbó em Belém e depois em outros estados, Verequete lançou vários outros discos. Contudo, diferente de Pinduca, por exemplo, a sua trajetória foi bastante tortuosa. Dos LPs lançados nos anos 70 não se aproveitou quase nada. Costuma dizer que foi enganado inúmeras vezes por seus empresários e acabou quase na miséria.
Em 1980 mudou-se para o bairro do Jurunas, na periferia de Belém. Neste momento o carimbó estava vivendo uma fase de refluxo após o período de grande sucesso na primeira metade dos anos 70. Sem receber nada ou quase nada de direitos autorais dos seus discos, acabou passando por dificuldades financeiras e se afastou da música por um longo período. Nos anos de 1990 Verequete vendia “churrasquinhos” na frente de sua casa para poder se sustentar. Seu caso foi característico de muitos outro de grupos de carimbó que surgiram nos anos 70 e depois desapareceram. Seja por inexperiência no trato com o mercado, seja por terem tido maus empresários, acabaram não desfrutando dos lucros do auge do carimbó.
O tipo de carimbó que Verequete tocava era o chamado “pau-e-corda” ou “carimbó de raiz”, isto é, o carimbó feito de maneira tradicional. Este tipo de carimbó seguia no geral o seguinte modelo: 1. tinha por base rítmica dois grandes tambores feios de troncos de madeira oca, o curimbó, medindo cada um em torno de 1 metro a 1,5 de comprimento por cerca de 50 centímetros de diâmetro. Geralmente um curimbó é maior que o outro, servindo, respectivamente, o grande para marcação do ritmo e o menor para repique, um mais grave e outro mais agudo. O tambor é fechado de um lado das extremidades por couro de animal entesado; o outro lado aberto serve para evacuação do som potente dos tambores. 2. Fora os tambores outros instrumentos podem fazer parte do “carimbó de raiz”, geralmente um banjo, um pandeiro, um ganzá, dois pauzinhos - que servem para batucar na parte de trás do curimbó, na madeira do tambor, criando um efeito sonoro equivalente a batida das mãos no couro - e um instrumento de sopro, clarinete ou flauta. Diferentemente de Pinduca, Verequete não quis “modernizar” o seu carimbó, manteve-se fiel ao que considerava autenticidade do ritmo: “Eu já cheguei a comprar um conjunto eletrônico, mas não me acostumei. É a minha opção. Quando eu nasci era assim, não havia eletricidade. É interessante mostrar como era feito no passado” .
Como nunca aprendeu a ler nem a escrever, suas músicas eram criadas e mostradas a pessoas que pudessem escrevê-las, geralmente a sua mulher, e mais recentemente eram gravadas em um gravador portátil para depois serem mostradas à sua banda .
Verequete, como outros músicos populares, não se dedicou somente ao carimbó, fez também outros tipos de música como xote e retumbão, em particular o retumbão bragantino .
Em 1997 lançou o CD “Uirapuru da Amazônia”, realizado pela SECULT, Secretaria de Cultura do Estado do Pará. Declarou em depoimento que graças a esse CD conseguiu comprar uma casa própria no bairro do Jurunas, nos anos 90. Esse fato mostra muito bem como em seu caso o carimbó não rendeu lucros suficientes para uma condição de vida estável.
Mas tarde Verequete recebeu prêmios nacionais do Ministério da Cultura e teve apoio da Prefeitura de Belém na administração do PT à época (com Edmilson Rodrigues). Sua situação voltou a piorar quando houve mudanças na administração municipal.
Verequete morreu em 3 novembro de 2009. Apesar das grandes dificuldades que passou em vida foi e é um dos maiores representantes da cultura popular amazônica e brasileira. Negro, pobre, analfabeto, suburbano, amazônida, brasileiro que mostrou que a riqueza da cultura e a beleza da arte podem enfrentar todo tipo de adversidade.
No dia de seu velório, no Teatro da Paz, tomei umas cervejas com uns amigos no Bar do Parque, para beber o morto com alegria! Alegria se deve ao fato de que a cultura popular não morre, apenas se transforma, já que ele é a alma pulsante da população excluída da sociedade, é uma maneira de mostrar que estamos aqui, mesmo que os poderosos não queiram nos ver. A alegria se deve à vitalidade da cultura popular, e dentro disso do carimbó, pois como já dizia o mestre: “O carimbó não morreu! Está de volta outra vez! O Carimbó nunca morre, quem canta o carimbó sou eu!!”

E viva Mestre Verequete! Viva o Carimbó!

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

terça-feira, 23 de agosto de 2011

‎"Seu Tranca Ruas
Tranca aqui tranca acolá
So não tranca minha gira
Na hora de trabalhar"

Salve Exu Guardião Tranca Ruas!

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Pequeno poema sobre despedidas!

O que você vai fazer neste exato instante?
Não faça!
Convide alguém para correr na chuva
Ou para subir em árvores...
Ou para comer nuvens
O que você vai fazer no feriado?
Não faça!
Ande solenemente na praça
E coloque o dedo em riste em uma estátua
O que você não iria fazer hoje?
Faça!
Coma combustível
Expila fumaça
O que você perguntaria agora para pessoa ao lado?
Peça-a em casamento
Beijem-se num ônibus lotado!
Compre um travesseiro
Durma ao seu lado!

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Batucada do Bar do Parque



Sabia que tinha alguma coisa útil pra postar aqui:

O Coletivo Canalha (A-Corda Bamba, Choramingando, Bloco da Canalha e Cia.) informa:

Sexta feira tem batucada do Bar do Parque!!!
(Dia 19 de agosto a partir das 18 horas)

Atrações: tod@s nós que quisermos batucar, cantar, dançar e ocupar este espaço que é da cidade de Santa Maria de Belém do Grão Pará.
Eu vou, afinal foi lá que "vovô fisgou vovó, no fim do carnaval..." Como já diriam os saudosíssimos Guilherme Coutinho e Walter Bandeira!!!!
Vamos!!!

Bar do Parque

Passo e vejo de repente
E nada ficou diferente
Se a mente lembra o que se sente
Estou feliz só em lembra...
Que foi aqui o meu lugar
Passa o tempo, passa a moda
E passa sempre a mesma imagem
De gente conversando em roda
Um papo que ninguém bolou
E o Bar do Parque já ficou...
O vovô poeta vibra
Que quando tinha seresta-ta
Veio a se manter a luz luar
E o sol tirava a sesta-ta
Bar do Parque é sempre foi
Tradicional e atual
Foi lá que vovô fisgou vovó
No fim de carnaval...
Vem a outra geração
Lá tem sempre a mesma imagem
De gente conversando em roda
Um papo que ninguém bolou
E o bar do parque já ficou...
E o bar do parque já ficou...

(Autor [O maravilhoso e hoje pouquíssimo conhecido, infelizmente]: Guilherme Coutinho; Interprete [o não menos maravilhoso]: Walter bandeira - 1971)

Observação importante!

A Batucada do Bar do Parque é uma reunião espontânea de pessoas (Bloco da Canalha, A-Corda Bamba, Choramingando e quiser mais quiser somar!!!!). Tem a intenção de movimentar o cenário cultural de Belém, num espaço tradicional de nossa vida artística. Não temos patrocínio, não temos nenhuma estrutura além da vontade. Mas acreditamos que fazer cultura não é só ficar reclamando da falta de apoio é também (!) enrolar as mangas e iniciar o jogo. Neste sentido todas as contribuições são válidas, desde a pessoa que quiser tocar um violão, até a pessoa que quiser apenas ver o evento e ficar batendo na mesa do bar. Nosso horário é A PARTIR (!) das 18 horas, e como vivemos o tempo da música e o tempo da arte (que difere do tempo burocrático de nossas vidas cotidianas e do tempo do capital!) de fato iniciamos e terminamos quando o próprio batuque, a música, a energia positiva e a alegria definirem!!! Batuqueiros de bom coração são tod@s bem vindos!!!!
Não tenho nada a declarar hoje, mas hei de ter daqui a alguns dias, ou logo que eu ficar bêbado! Saravá!
PS. por falar em bebida, alguém aí pode me emprestar cemzinho que tô duro e amanhã tem batucada do Bloco da Canalha e Cia no Bar do Parque?

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Feriado

Tento manter-me com a espinha ereta, seguindo os conselhos de um velho amigo. Contudo, não sei se conseguirei vencer a batalha contra a gravidade. Talvez, quem sabe, isso seja o efeito natural da idade...
Acordei às 14 pensando que era meio dia - horas depois de uma noite em claro...
Tomei cerveja, amei pessoas, senti a energia de amigos.
Atualmente tenho ficado atento à cor laranja dos lugares, planejo um dia exercitar a fabricação caseira de vinhos, embutidos e outras coisas que vão me levar ao paraíso.
Ora o paraíso, maldita invenção dos Deuses, este lugar inalcançável onde podemos beber ambrosia à vontade e vivermos em eterna chapação!
Ontem lá pelas tantas da madrugada percebi que tentava desesperadamente tocar a lua, que estava bem alta... levantava minha mão como sempre faço, mas nada conseguia sentir. Vai ver a lua é fria de madrugada!
No fundo, ainda haverei de construir uma “maquina de procurar coisas” e ficarei a vida toda apenas procurando, mas nunca achando nem se quer dez centavos no chão!

Vontade

Quero tentar beijar tua boca fugidia
E tocar em tuas mãos impalpáveis.
Quero que tropeces em meus calcanhares
Em tuas brincadeiras de guria.
E pretendo escorregar sobre teu cheiro doce,
Não me importando que perfume utilizes.
Só me interessa a somatória que é o teu cheiro,
Matéria-prima de meus desejosos deslizes.
Desejo te ver passar por ai...
E que jogues o teu corpo no mundo, se assim quiseres,
Mas desejo mais que pares em minha frente
E que colemos, então, pele na pele.
Desejo que emaranhes as tuas pernas em minhas pernas,
De tal maneira que eu não possa sequer mover-me...
E que te aconchegues como se não quisesses me tocar...
No lúbrico jogo do querer-me e não querer-me
Quero descer levemente a mão em teu cabelo
E apalpar o lóbulo de tua orelha, te acariciando como se quisesses outra vez.
Tudo isso eu quero, eu desejo – sem comedimento.
E quem sabe queiras...
Talvez!

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Meu eu lírico hoje está à flor da pele, está louco.
Enquanto eu, de minha parte, já superei todas as barreiras físicas do corpo!

Dor antiga

Poema para minha querida amiga Aninha Do Rosário.

Sofro de uma doença antiga
Que persegue por vezes os incautos
Doença de sustos e sobressaltos
Que conserva apertado o peito
Por vezes asfixia e quase mata
Há horas que a vertigem é quem ataca
E leva ao quase óbito corpo em moribundo leito
Doença dos infernos, dizem uns
Maldição deixada pelos Deuses
Marca indelével de nossa fraqueza
Que fulmina o peito dolorosas vezes
Mas que seria do homem se tal doença não existisse
Quantos poemas, quanta vida, irrealizados dramas?
Seria melhor a vida de um homem que não sentisse
Essa velha dor do coração daquele que ama?
Não sei, talvez para tal enigma não haja saída
Sobre certas matérias não cabe às vezes decifrações
Conformemo-nos então a tal desdita
Da dor antiga que atinge a todos os corações!

Arte como provoca-ação!

A arte sempre está um pouquinho à frente na percepção da realidade, porém seu “reflexo” é peculiar, está permeado pelo devaneio, imaginação e beleza! Daí que ela é mais uma pergunta, uma provocação, que uma resposta.
Seu reflexo é sempre uma reflexão, sua prova é sempre uma provocação.
Mesmo a arte conservadora nós provoca, pois ela será sempre uma reflexão de uma sociedade conservadora. E mesmo com seus limites ideológicos não deixará de ter até certo ponto aquilo que Marx problematizava sobre a arte grega ou aquilo que Lenin chamou de uma verdade sobre a realidade.
A arte é o campo da liberdade em termos gerais, pois que mesmo sendo uma reflexão da realidade o é sempre de maneira provocadora, criativa, rebelde, o eterno jogo do ser uma coisa sendo outra. Neste sentido a arte mesmo sendo ideologia é sempre mais complexa que as formas políticas, sociais, que os modelos e padrões.
A arte sempre é uma brecha para a liberdade, na medida em que ela sempre é provocadora, sempre nos diz algo, nos faz pensar. Sobretudo a arte revolucionária tem este objetivo mais claro, pois que a revolução é sempre a provocação sobre nossa condição humana, sobre a paralisia, sobre a quietude.
A arte revolucionária é sempre de/uma mobiliza-ação é sempre de/uma provoca-ação!

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Do amor às paisagens

O amor às paisagens é o mais verdadeiro
Pois que é o amor somente
É o amar simples e puro
Sem outros tantos ingredientes
É um amor àquilo que de mais inteiro
Deu-nos nossa morada, Terra
Amar uma paisagem é como amar o absoluto
Tal que, o olhar amante não erra!
Tal amor não terá dor
Jamais terá luto
A paisagem é o horizonte inalcançável
Que se ama exatamente por não estar presente
É o amor que não tem toque
Nem sequer desejo
É o simples amar um sol poente
A noturna lua distante
É o amor da presença ausente!

(poema inacabado)

Há canções que pedem poemas

Para minhas amigas Ana e Wanessa: uma leitura amorosa de uma canção amorosa "Quem sabe isso quer dizer amor" (Márcio Borges e Lô Borges), magnificamente interpretada por Milton Nascimento.


Há canções que pedem poemas
Imprimem-nos uma necessidade
Exigem-nos um desejo
Uma dor qualquer
Um amor
Uma flor
Qualquer coisa bela
Há canções que nos lembram poemas inexistentes
Que forçam ser paridos, colocados pra fora
Pro mundo
Como se o mundo fosse uma coisa boa
Há canções que nos abismam, inebriam da pior droga: a vida!
Há canções que nos forçam a pensar que a última curva da estrada
Acarreta uma surpresa qualquer
Que a última jogada
Nunca é a última partida!

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Sobre o dia do orgulho heterossexual!

O “dia do orgulho hétero” é tão absurdamente imbecil como fazer uma “marcha para que o sol nasça todo dia” ou outras coisas do tipo. Isso pra mim só pode ser explicado pelos seguintes tipos de posturas: 1) imbecilidade inconsciente ou 2) preconceito consciente e descarado. Aos imbecis inconscientes fico a me perguntar se os alienados têm culpa da alienação e o que podemos considerar a respeito disso. Aos preconceituosos descarados só há uma solução: a mão firme de uma lei anti-homofobia (que é cada vez mais necessária!). A todos, resta conhecer minimamente a história para sabermos que nunca, absolutamente NUNCA, em todos os tempos e lugares (e posso falar quase que com certeza absoluta!) uma pessoa se quer foi agredida, humilhada, ameaçada, constrangida ou sofreu qualquer tipo de preconceito por “escolher” ser heterossexual. Se eu estiver enganado, pelo amor de Deus me digam quando aconteceu de alguém ter sido minimamente ofendido por ser hetero!!!!! O dia do orgulho gay não é uma agressão aos heterossexuais, é uma postura política afirmativa contra o preconceito. Uma lei contra homofobia não agrediria os heterossexuais, lutaria contra os homofóbicos, os agressores, os preconceituosos, etc. Quem não entende isso, ou é excepcionalmente imbecil ou é cinicamente preconceituoso! Não podemos tolerar isso. Lei anti-homofobia nel@s!!!

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Especialismo: uma doença dos intelectuais!

Doença que acomete historiadores, sociólogos, antropólogos e afins. Consiste na hiper-especialização de cientistas que tendem a saber absolutamente tudo de sua área, mas não entendem de mais nada em todo o universo, nem tem opinião sobre assunto algum fora o seu. Costuma ser letal a partir da fase mestrado e doutorado e atinge, sobretudo, catedráticos empedernidos! Pode ser curado com poderosas doses de filosofia clássica ou com choque de realidade no cérebro! Se não for tratado corretamente pode levar ao fim do engajamento intelectual e, em alguns casos extremos, ao niilismo.
Desespero político é quando perdemos o bonde da história; desespero existencial, quando perdemos o bonde da vida!
Sobre o silêncio não se fala
Emudece-se!
Para as saudosas amigas Kissia Stein e Kezia Lavan


De saudade em saudade eu fiz um barco
Da matéria-prima solidão
Construído em madeira nobre
Tábuas de fibra coração
Lancei-me ao mar tenebroso
Tal qual Ulisses fez um dia
E o balançar do Deus croneida
Imprimia medo e alegria
O horizonte sempre distante
Era a saudade que eu sentia
De terras novas, mil amores
De presenças plenas e vazias
Não sabia eu que minha Penélope
Fruto de minha solidão eterna
Era apenas a nauseabunda sombra
Como narrado no Mito da Caverna

De fato o que procuramos em vida
Não é um reino, nem um amor
Procuramos o inexorável Télos
De hora viver o prazer e hora viver a dor

quarta-feira, 27 de julho de 2011

O médico aproximou-se do poeta, paciente, e disse:
- Amigo, tens que te tratar,
Fazer exercícios pelo menos três vezes por semana...
E o poeta, paciente, disse:
- Doutor, já faço três poemas por semana e às vezes um conto,
Como é que ainda vou morrer!?

terça-feira, 26 de julho de 2011

Tétrico, o bêbado anda
Lúgubre, ao morrer da hora
Na boemia, cambaleando,
A esperar o nascer da aurora!
O pirilampo vagalumeou
No meio da noite nua
Cada vez que a vaga lume
Lumina a lume lua
A minhoca comeu o rabo do tatu
E o tatu, nem ai...
A minhoca cavou um buraco bem fundo
Bem no meio do jardim!

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Mais um poema sobre café!

Tomo café
Ora, porque o café existe
E existe minha sedefomevontade
Tomo o café
E o café consome
Ora, porque o café existe
E existe minha sedevontadefome
Tomo e o café consome
Some o café
Fica a sede
Fica a fome
Fica a vontade
A necessidade sempre está
A fome é
A sede é
A vontade torna-se
O café é
O homem sede tem fome
O homem necessita do homem
O café consome
Com sede
Com fome
Falei-te
Que o falo
Que-ria falar-te
O verbo
Fuder!
Olá, depois de um curto intervalo em nossa programação normal, estamos de volta. Saravá!

Mundiando o mundo
o mundo me mundeia
e por este encantado ao mundo,
eu vivo a cantar.

sábado, 16 de julho de 2011

Se do mais profundo amor,
Estas envolta, no mais deleitoso delírio...
Ora meu bem,
Deixe de tolice
E compre um colírio!
Se hoje eu cair de madrugada
Limpe-me, um pouco...
Ou me tire da privada!

sexta-feira, 15 de julho de 2011

E que graça teria de ser apenas amor
Sem der calafrios,
Aflição,
Sem causar tremor,
E até desilusão?
Que graça teria se fosse como comprar pão na padaria,
Ir à escola,
Fazer comida?

O amor bom,
Aquele amor de verdade,
É meio como a mordida em uma fruta travosa:
Inteiriça a língua,
Faz nos tremer todo
E pode ao fim, quem sabe, até ser gostosa!

Rio, 15/07/11
A tudo mantenha se atento
Reestruture, organize o pensamento
Deixe de um pouco lado as notícias ruins
Tome uma boa dose de cachaça
E siga feliz!

Rio, 15/07/11

terça-feira, 12 de julho de 2011

Sacumé meu cumpadi, sacumé!

Pros man@s do Choramingando, A-Corda Bamba e Canalha. Saravá!!


- Sacumé meu cumpadi, sacumé!
- Sacumé meu cumpadi, sei cumé!

Eu tava num batuque
Lá casa do José
E apareceu aquela nêga
E eu quis saber qual é

- Sacumé meu cumpadi, sacumé!
- Sacumé meu cumpadi, sei cumé!

O batuque era de prima
Bonito isso meu cumpadi!
Eu chamei Choramingando
Que é da melhor qualidade!

- Sacumé meu cumpadi, sacumé!
- Sacumé meu cumpadi, sei cumé!

Esse gira é de malandro
A melhor dessa cidade
Então chega A-Corda Bamba
Que é batuque de verdade

- Sacumé meu cumpadi, sacumé!
- Sacumé meu cumpadi, sei cumé!

E a gira tá redonda
Gostosa de umbigá
As neguinha vão quebrando
Pra ciúmes de iá iá

- Sacumé meu cumpadi, sacumé!
- Sacumé meu cumpadi, sei cumé!

Esse baque é de embolada
De sambar de terreiro
É da criatividade
Desse povo brasileiro

- Sacumé meu cumpadi, sacumé!
- Sacumé meu cumpadi, sei cumé!

Pelo telefone eu aviso
Pro delegado se atrasar
Sacumé otoridade
A Canalha quer sambar

- Sacumé meu cumpadi, sacumé!
- Sacumé meu cumpadi, sei cumé!

Eu batuco na cidade
Na favela e no sertão
O batuque é verdadeiro
Ele é do coração

- Sacumé meu cumpadi, sacumé!
- Sacumé meu cumpadi, sei cumé!

Eu já fiz a minha parte
Pro saba ficar maneiro
Sendo assim vou dar passagem
Para os outros companheiro
Mas não esqueço a minha nega
A cabrocha do terreiro
Não leva mal camaradagem
Mas cada galo em seu poleiro

- Sacumé meu cumpadi, sacumé!
- Sacumé meu cumpadi, sei cumé!

Da melhor qualidade!!!!!!!!!!!

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Maria e José: a luta é o que a vida é!

estas com sede, homem,
sede de justiça,
sede de fé?
beba a vida
antes que a vida lhe coma o pé!
- e não caminhes, nem se quer levante.
coma a vida.
ande José!
estas com fome, mulher,
com fome de dignidade
com fome de fraternidade?
coma a vida, antes que ela lhe coma a fé.
beba a vida, lamba, lambuse-a, mulher!
- Maria tome a vida, tome a vida José!
sois com sede e com fome, homem,
mulher?
tome a vida!
tome a terra!
tome a dignidade!
faça a fé!
tome tudo !
pois a vida é a luta
a luta é o que a vida é!

Samba do malandro antigo

Letra minha e música de Osvaldo Santos

Malandro antigo
que vaga cabisbaixo
debaixo dos olhos
a história que restou
malandro coitado
só tem o consolo
do samba da baixa
que vez em quando encaixa
tuas histórias de amor
malandro agora
os tempos são outros
nem mesmo a dura
os home, a coça
se quer se importam
com um malandro assim
mas doce malandro
levante a cabeça
e antes que pereça confie em mim
confia nos moços
no samba sambando
mulata dançando
navalhas no ar
nos dias de hoje
malandro amigo
maior malandragem
não é só lembrar
pois samba não morre
não morre o molejo, a ginga, o gracejo
do velho malandro
confia nos moços
que do fundo do poço
já podes ouvir
um samba chegando
cadencia, gingando
e o riso malandro
de novo fulgir

domingo, 10 de julho de 2011

Um

Um lírio
Uma casa
Um arredar
Um mover o móvel
Um esculpir o inexistente
Um roer
Um roer
Um fazer coisa
Uma coisa
Uma coisinha
Uma zinha
Uma nhá
Um a
Um

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Tecno-brega

Tum-tum tá
Tum-tum tá
Tum-tum tá
Tum-tum ta

“3, 50 R$ o recarregador novinho na TF, mas até 3 R$ morre!”
Tem sansungue, tem éle gê, tem até disco antigo do Pinduca,
Mas se quiser peixe frito, tem na barraca perto do mercado
“me dá 10 no tecrado, que a gente negocia!”

“1 real o DVD!”

hoje saí pra namorar a cidade
em todas suas facetas
suas gretas
ruelas
paisagens
sarjetas
quero revirar seu intestino-esgoto
no baixo meretrício
no porto
quero ver as criancinhas brancas
de classe média e alta
entrando nos carros com ar condicionado
serei o garoto que vende bala
tostando no asfalto

o capacete do carona do moto-taxista é quente, cheira e suor e é empoeirado,
mas é mais barato e passa por entre os carros
a única desvantagem é que não da pra ouvir música alta
o amarelo da blusa do moto-taxista brilha no sol das três da tarde,
na hora que as meninas de calça coladíssima e bucho aparecendo (tudo provocado pelo consumo excessivo de farinha, provavelmente!) estão no intervalo de aula do Brigadeiro Fontenelle
elas inventaram uma nova moda...
que povo criativo esse...

serei o tio do cafezinho
na esquina da escola
quero o belo e o feio destas ruas
fazer Cooper na Avenida Tucunduba
ou na Praça Batista Campos?
o que fazer com o vendedor de balas
que não deixaram entrar no coletivo?
o que ele gritava, quase chorando, bufando, quase morrendo?
era câncer-vida,
vida-desespero,
vida-dor?
câncer-câncer!
quero visitar os palacetes,
as telas-mito de nossa origem
os vultos
nossos grandes defuntos
- não os pobres viventes –
impávidos colossos sorridentes

Tum-tum tá
Tum-tum tá
Tum-tum tá
Tum-tum ta

quero-me ver refletido em toda a cidade
na vidraçaria da Estaca das Docas
nas valetas, canais e poças
nos igarapés, esgotos
vou tomar banho de maré com as crianças
da Terra Firme
ouvindo tecno-brega em alto volume...

terra-firme-praça-até-o-tucumduba!
terra-firme-praça-até-o-tucumduba!
terra-firme-praça-até-o-tucumduba!
terra-firme-praça-até-o-tucumduba!
Guamá-até-o-clipe!
Guamá-até-o-clipe!
Guamá-até-o-clipe!
terra-firme-praça-até-o-tucumuamá-até-o-clipe-1,50-R$!-só-1,50R$-freguesa!
Aceita-meia?Mas-ansim-mano!ai-tu-já-qué-falí-a-empresa!-terra-firme-praça-até-o-tucumduba!
terra-firme-praça-até-o-tucumduba! Guamá-até-o-clipe! Guamá-até-o-clipe!

Tum-tum tá
Tum-tum tá
Tum-tum tá
Tum-tum ta

mataram 3 na ligação só no domingo!

Três horas da tarde o sol esquenta, o asfalto ferve, o sol esquenta a costa morena do transeunte e o vapor exala!

cerveja a 1 real até a meia noite!

fotografei a cidade com meus versos
pintei suas ruas com meu canto
ouvi a partitura de seu pranto
em um menino que vendia balas
e transcrevi a sua cara
o seu espanto e desalento:
- um miserável que espera em silêncio
esperaria um poema abstrato?
esperaria comida no prato?
esperaria socorro somente?
ou um trocado pra fazer a cabeça?
uma “parada” pra consumir a mente!
contudo, observo, antes que eu esqueça
que este poema não mudou nada
em sua vida desgraçada!
e nem se quer em alegria
termina a merda desta poesia!


Todo dia tem!

terça-feira, 28 de junho de 2011

Calcinado o sol levanta
E a vida tosta
Todos os dias
Vaga marmóreo o poeta,
como se carregasse sua defunta história
nas costas.

A estética da pirataria

o Brega,
o plágio,
a pirataria,
o barulho,
o batom forte e vermelho nos lábios,
o suor caindo nas costas dos dançantes,
o barulho das aparelhagens, o excesso,
a plebe dançando,
suada,
negros,
mestiços,
mamelucos,
cafuzos,
caburés,
caboclos,
curibocas,
desordeiros,
violentos,
baderneiros,
bebuns,
festeiros,
mal educados,
feios,
as gostosas da periferia,
os da periferia,
a estética da pirataria,
as feiras,
o caos,
a baderna,
a desordem,
o não branco,
o não burguês,
aquele que não vai à vernissages de artes plásticas, fotos contemporâneas. Só vê as fotos das manchetes de folhetins das mortes da semana,
os não limpos,
os banguelas,
os que vão morrer cedo,
a ralé,
a canalha,
a choldra,
confusão de gente ordinária,
salgalhada,
a estética do feio,
a estética do plágio,
a estética sem estética,
a estética gafieira,
a estética perfume da Coty,
a estética da dentadura,
a estética da rapadura,
a estética da patusca,
a estética da pirataria,
a ralé na era de sua reprodutibilidade técnica,
os alienados,
aqueles que não são nem mercado,
nem elite intelectual com seus gostos refinados,
aqueles que não sentam no bar pra ouvir Bossa Nova,
a estética Terra Firme, Guamá, Jurunas, Pedreira, Condor, Paar, Benguí, baixada, favela, “Carlos Marighela”, “Che Guevara”,
boteco,
tasca,
charque frito e gorduroso,
peixe frito com açaí,
estética jabá,
estética da pirataria,
que é tudo e não é nada,
que é subversiva e vai selecionar por baixo, a parti de baixo o que é e o que não é belo,
sem “vanguardismos babacas” e pequeno-burgueses, das elites intelectuais,
estética ralé,
a estética rua,
a estética praça,
estética patusca,

a estética canalha!!!

Devoremos Flami-n’-assú de Abguar Bastos; devoremos Antropofagia de Oswald de Andrade, devoremos o Brega, o Tecno-Brega, transformemos Waldemar Henrique em Tecno-Brega, assim como Waldemar Henrique transformou o popular, o “folclore” em música erudita. Ou por outro lado não devoremos o erudito, por que temo que devorá-lo? Por que temos que ser cultos e refinados? Sejamos o que quisermos, sejamos a ralé, que pirateia, plagia, imita, inventa, cria, reproduz, faz e desfaz à vontade o que quer com o que quer, sem se preocupar com refinamentos e valores estéticos higiênicos. Todos podem ser ídolos, tanto que sejam do caos! (Disse Hesíodo: “Bem primeiro nasceu Caos...”)

Que a ralé coma o belo,
o limpo,
a ordem,
o silêncio,
o polido e delicado,
o burguês,
façamo-los o feio,
o sujo,
a desordem,
o barulho,
o rude e áspero,
o proletário,
a revolução na política e na estética,
a ralé,
a política, a subversão,

o sub-verso da versão e da seleção do que é e não é belo. Criemos nossa própria estética, a estética do caos,

a estética da pirataria!!
Façamos a ode - desconexa - à pirataria

Festejemos ao ócio, a patusca!
Festejemos a desordem!
Festejemos o caos!
Festejemos a pirataria!



*Fiz este texto há uns 5 anos atrás e mostrei a alguns amigos ligados ao mundo da arte. Ninguém gostou ou pelo menos não disseram nada, sei lá.
Naquele momento refletia sobre a cultura contemporânea local e a condição da arte que vai da periferia ao centro. O Manifesto de certa maneira é uma expressão do que já ocorria com o tecnobrega e suas varias vertentes e a aproximação de setores médios da sociedade a este produto cultural.
Acreditava naquela época que a vanguarda da cultura contemporânea no Pará e no Norte do Brasil estava na música e não na literatura. Continuo pensando a mesma coisa!
Penso que a literatura deve se aproximar de uma realidade concreta, a coisa que ocorre nas periferias das cidades da Amazônia, sobretudo em Belém. Porém não faz isso em boa parte por está em um nível do “eu lírico” alienado da realidade, alienado de uma cultura fragmentaria, fragmentada e que tem a expressão maior na pirataria, um processo em construção – pra onde vai? Não tenho a menor idéia!
A matéria prima da poesia deve ser a realidade circundante – a dura realidade fragmentada da Amazônia – enquanto isso não ocorre acho que temos uma separação entre o poético e o político!

domingo, 26 de junho de 2011

Encerramento Boi da Terra.

É isso ai meu car@s, Boizinho da Terra encerra oficialmente suas atividades este ano - apesar de que durante o ano todo ainda ocorrerão oficinas e eventos com a comunidade. Tivemos a honra de contar com a presença, no encerramento, de Nazaré Pereira, trazida por nosso grande companheiro Adilson Alcantara, e obviamente com todos nossos amigos de sempre: Extremo Norte Movimento Literário, Bloco da Canalha, Grupo Choramingando, Eli e grupo de teatro do bairro, nosso violeiro Eliezer Aviz e toda a comunidade da TERRA FIRME. O nosso Boizinho da Terra agradece a todas e a todos pela presença, àqueles que não puderam ir agradecemos e lembramos que ano que vem tem mais. É periferia de Belém mostrando que existe muito mais do que violência na cidade, existe também beleza, alegria e COMUNIDADE!. Um grande abraço!!!!

sábado, 25 de junho de 2011

Boi da Terra

Amanhã último dia do Boi da Terra. Vamos!

Meu boi chegou
Tony Leão

Meu boi chegou
Pra enfeitar o seu terreiro
alegrar nosso cortejo
esquentar o batalhão
meu boi chegou
renovando as suas fitas
afinou suas barricas
com alegria e devoção

2 x
este boi é de ouro sim senhor
ele é meu tesouro, sim senhor
e alegra o subúrbio na festa de São João

2x
Batuca Boi da Terra
Põe suing na canção
Retumba no compasso
Cantando e encantando a multidão

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Minha primeira parceria com Thomaz Silva

Batuque brasileiro
Thomaz Silva e Tony Leão)

Meu senhor, por favor
Tenha paciência de deixar tocar
O meu batuque, um carimbó assim
Pois trinta contos não tenho nem pra mim

Sou do tempo das palmas e da roda
Sou do tempo do prato-e-faca na mão
E o pandeiro que soava direitinho
Quando o samba ainda nem era canção

Agora toco o meu surdo e cuíca
E tamborim que sempre está a acompanhar
Por isso aviso que sem prendes o meu samba
De umbigada a pernada vai voar

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Cortejo do Boi da Terra em 19 de junho - TV Liberal, ORM.

São Domingos dê licença
(Tony Leão da Costa)
São João chegou
São Domingos dê licença
Que nesta terra
Meu boizinho vai passar
Meu terreiro é na rua
Tucunduba, Rio guamá.

Refrão
Venha vê, venha vê meu boi
Boi da Terra, deste chão.
Vem chegando o mês de junho
Vem chegando o batalhão
E o contrário deste boi
Não é outro boi contrário
É a pobreza desta terra
E este povo no calvário



Domingo,dia 26, a partir das 12 horas.
Local: passagem Comissário, esquina com passagem Nossa Senhora das Graças, uma esquina da praça central da Terra Firme.

problemas técnicos

Amig@s, tô sem teclado, sem comunicação, sem enter, temporariamente sem postar aqui. Desculpem!

A Carta do 2º Encontro Nacional dos Blogueiros Progressistas

Rodrigo Vianna (Escrevinhador), foi o redator das alterações do documento votadas em plenária na tarde de domingo, 19/06/2011. 2º blogprog, Brasília.

Desde o I Encontro Nacional dos Blogueir@s Progressistas, em agosto de 2010, em São Paulo, nosso movimento aumentou a sua capacidade de interferência na luta pela democratização da comunicação, e se tornou protagonista da disseminação de informação crítica ao oligopólio midiático.

Ao mesmo tempo, a blogosfera consolidou-se como um espaço fundamental no cenário político brasileiro. É a blogosfera que tem garantido de fato maior pluralidade e diversidade informativas. Tem sido o contraponto às manipulações dos grupos tradicionais de comunicação, cujos interesses são contrários a liberdade de expressão no país.

Este movimento inovador reúne ativistas digitais e atua em rede, de forma horizontal e democrática, num esforço permanente de construir a unidade na diversidade, sem hierarquias ou centralismo.

Na preparação do II Encontro Nacional, isso ficou evidenciado com a realização de 14 encontros estaduais, que mobilizaram aproximadamente 1.800 ativistas digitais, e serviram para identificar os nossos pontos de unidade e para apontar as nossas próximas batalhas.

O que nos une é a democratização da comunicação no país. Isso somente acontecerá a partir de intensa e eficaz mobilização da sociedade brasileira, que não ocorrerá exclusivamente por conta dos governos ou do Congresso Nacional.

Para o nosso movimento, democratizar a comunicação no Brasil significa, entre outras coisas:

a) Aprovar um novo Marco Regulatório dos meios de comunicação. No governo Lula, o então ministro Franklin Martins preparou um projeto que até o momento não foi tornado público. Nosso movimento exige a divulgação imediata desse documento, para que ele possa ser apreciado e debatido pela sociedade. Defendemos,entre outros pontos, que esse marco regulatório contemple o fim da propriedade cruzada dos meios de comunicação privados no Brasil.

b) Aprovar um Plano Nacional de Banda Larga (PNBL) que atenda ao interesse público, com internet de alta velocidade para todos os brasileiros. Nos últimos tempos, o governo tem-se mostrado hesitante e tem dado sinais de que pode ceder às pressões dos grandes grupos empresariais de telecomunicações, fragilizando o papel que a Telebrás deveria ter no processo. Manifestamos, ainda, nosso apoio à PEC da Banda Larga que tramita no Congresso Nacional (propõe que se inclua, na Constituição, o acesso à internet de alta velocidade entre os direitos fundamentais do cidadão).

c) Ser contra qualquer tipo de censura ou restrição à internet. No Legislativo, continua em tramitação o projeto do senador tucano Eduardo Azeredo de controle e vigilância sobre a internet – batizado de AI-5 Digital. Ao mesmo tempo, governantes e monopólios de comunicação intensificam a perseguição aos blogueiros em várias partes do país, num processo crescente de censura pela via judicial. A blogosfera progressista repudia essas ações autoritárias. Exige a total neutralidade da rede e lança uma campanha nacional de solidariedade aos blogueiros perseguidos e censurados, estabelecendo como meta a criação de um “Fundo de Apoio Jurídico e Político” aos que forem atacados.

d) Lutar pelo encaminhamento imediato do Marco Civil da Internet, pelo poder executivo, ao Congresso Nacional.

e) Defender o Movimento Nacional de Democratização da Comunicação, no qual nos incluímos, dando total apoio à luta pela legalização das rádios e TVs comunitárias, e exigindo a distribuição democrática e transparente das concessões dos canais de rádio e TV digital.

f) Democratizar a distribuição de verbas públicas de publicidade, que deve ser baseada não apenas em critérios mercadológicos, mas também em mecanismos que garantam a pluralidade e a diversidade. Estabelecer uma política pública de verbas para blogs.

g) Declarar nosso repúdio às emendas aprovadas na Câmara dos Deputados ao projeto de Lei 4.361/04 (Regulamentação das Lan Houses), principais responsáveis pelos acessos à internet no Brasil, garantindo o acesso à rede de 45 milhões de usuários, segundo a ABCID (Associação Brasileira de Centros de Inclusão Digital).

h) Fortalecer o movimento da blogosfera progressista, garantindo o seu caráter plural e democrático. Com o objetivo de descentralizar e enraizar ainda mais o movimento, aprovamos:

- III Encontro Nacional na Bahia, em maio de 2012.

- Que a Comissão Organizadora Nacional passará a contar com 15 integrantes:

- Altamiro Borges, Conceição Lemes, Conceição Oliveira, Eduardo Guimarães, Paulo Henrique Amorim, Renato Rovai e Rodrigo Vianna (que já compunham a comissão anterior);

- Leandro Fortes (representante do grupo que organizou o II Encontro em Brasília);

- um representante da Bahia (a definir), indicado pela comissão organizadora local do III Encontro;

- Tica Moreno (suplente – Julieta Palmeira), representante de gênero;

- e mais um representante de cada região do país, indicados a partir das comissões regionais (Sul, Sudeste, Centro-Oeste, Nordeste e Norte). As comissões regionais serão formadas por até dois membros de cada estado, e ficarão responsáveis também por organizar os encontros estaduais e estimular a formação de comissões estaduais e locais.

Os blogueir@s reunidos em Brasília ainda sugerem que, no próximo encontro na Bahia, a Comissão Organizadora Nacional passe por uma ampla renovação.

Brasília, 19 de junho de 2011. - Retirado de Blog da Maria Frô

quarta-feira, 15 de junho de 2011

terça-feira, 14 de junho de 2011

Moinhos de vento

Os moinhos de vento deveriam moer apenas ventos
Os ventos do norte e aqueles do sul
Ventos transversais, diagonais, horizontais
Em forma de bolhas, folhas, plataformas e outras mais

Os moinhos de ventos foram inventados para isso
Mas com o passar dos tempos passaram a moer sonhos também

Quando o velho sambista da Mangueira disse isso uma vez
Referia-se à moagem de sonhos
“O mundo é um moinho”
Suas engrenagens são de ferro puro

Os ventos quando são moídos transformam-se n’outras matérias:
Borboletas, passarinhos, filhotes de cães, jardins de flores astrais,
Bactérias...
Os sonhos, por sua vez, quando são moídos
Transformam-se no simples pó
O pó do tempo dos homens...

sábado, 11 de junho de 2011

Olhos do fundo!

Hoje às 01h30min da manhã minha amiga Vânia Ferreira da Silva ligou dizendo que estava vendo o luar no espelho d’água do rio Caeté, em Bragança. Curiosamente naquele exato instante eu tinha me afastado da multidão no bar Palafita e estava sozinho olhando o luar no espelho d’água do rio Guamá.
Estava exatamente na entrada do rio Guamá, ou na boca do rio como se diz no interior. A lua tinha me envolvido naquele instante e acabei indo instintivamente, tal qual o labisônio, observar o rio e a ela mesma, a lua.
Essa coincidência só pode ser explicada pela conexão espiritual das amizades ou então pela ação das entidades da encantaria, que possivelmente estavam nos mundiando no mesmo momento LÁ DO FUNDO DO RIO!
O que será?
Paes Loureiro costuma falar dos olhos que nos observam constantemente dos fundos dos rios, dos fundos das matas, do breu destes dois ambientes. Eu lembro agora das nódoas, das sombras que aparecem e desaparecem nas matas e, sobretudo, nos rios da Amazônia. Quem já fez uma viagem de barco pelos rios barrentos desta região, sobretudo as viagens noturnas, já deve ter se deparado com desenhos misteriosos, manchas dentro do breu, dentro da escuridão úmida da noite, desenhos misteriosos que bóiam das águas caudalosas. Seriam cobras-grandes, boiúnas, as entidades, os encantados, jacarés, cardumes de peixes, sombras das nuvens refletidas pelo luar? Não sei.
Mas sei quase com certeza que o fundo rio com todos os seus mistérios de vida e de morte, atiça a curiosidade do morados das margens, seja nas cidades grandes como Belém seja nos interiores ou nas comunidades ribeirinhas. Lá do fundo do rio com certeza os olhos que nos olham, como diria o poeta, nos chamam também e ficam mais vivos quando a lua esta cheia e vibrante...
Neste momento em todas as partes pessoas param pra ver o rio, param pra olhar e para serem olhadas. E não contentes apenas em contemplarem a contemplação, elas se ligam, mandam e-mails, escrevem textos em blogs sobre o ato do flerte, flerte misterioso e profundo, um flerte com a profundidade das coisas, com a profundidade do não saber, com o breu, com o fundo, quem sabe... com os encantados d’outro mundo!

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Batucada

Tava sumido, mas voltei e trago uma batucada que fiz pensando no Jurunas, esse bairro da cultura popular da gente!
Saravá!!

Vô dança bambiá para ia ai
Mas só danço se for lá Guamá
Vô dançá carimbó para io io
Mas só danço se for com meu amor

Vou fazer uma roda no Bagé
No final da estrada das Mongubeiras
Vou pedindo licença pro caboco
Que mora no fundo, lá na beira

No Largo de São José, lá na beira do Pirí
O meu boi canta ligeiro, ele canta e dança alí
No Largo de São José, no meio da batucada
O meu boi canta ligeiro, ele é pai da vaquejada!

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Tecnobrega II

"Não nego a riqueza e a autenticidade do samba, do baião ou do carimbó, mas às vezes esse vertente do pensamento leva à idéia de que a cultura feita pelo povo é algo “natural” e “congelada” e não pode mudar nunca. Ou seja, se o “caboclo urbano” pega um curimbó (principal instrumento do carimbó) e começa a tocar e cantar, falando de rios e pesca, de pássaros e marés, ele estaria perfeitamente colocado na categoria de “povo autêntico” do Pará e da Amazônia; mas, por outro lado, se este mesmo indivíduo, morador da Terra Firme ou do PAAR, do Jurunas ou do Benguí, adquire um computador e um moderno programa de edição de som, pirateado e vendido nas feiras livres da cidade, e faz um tecnobrega, ele automaticamente deixaria de ser visto como o “legítimo e autêntico caboclo amazônico” e passaria a ser visto como um desprovido de valores estético e de educação.

Esta visão congela a história, pois vê o povo como uniforme (o que já é um erro!) e preso a valores vistos como autênticos e estáticos, que não podem mudar nunca. Ao povo não é dado o direito da mudança, de ter acesso a tecnologia, por exemplo, pois se o tem é porque seria vítima da indústria cultural, seria ingênuo e não saberia o que faz, deturpou a sua própria cultura. Ao povo é dado o direito de ser apenas a visão pacata e tranqüila do folclore nacional".


Esta é a última parte de meu texto sobre tecnobrega que foi publicado no site Ponto Zero. Integra do texto está no site obviamente. Leiam!!

Saravá!!

Morte no campo paraense: quando a realidade supera a ficção

Texto esclarecedor e instigante de Fábio Pessôa:



No dia 13 de maio, uma sexta-feira, dia que representa oficialmente a abolição da escravatura, ocorreu o lançamento do filme “Esse homem vai morrer: um faroeste caboclo”, no Rio de Janeiro. Dirigido por Emílio Gallo, o filme é narrado por uma professora da região sul do Pará, interpretada pela atriz paraense Dira Paes. O filme conta a história de pessoas marcadas para morrer na cidade de Rio Maria, no Pará. Pessoas cujo o crime foi o comprometimento na luta pela terra e a denúncia do trabalho escravo na região, daí o elemento simbólico do 13 de maio, data de estréia do filme.

Um dos protagonistas do filme, o padre Ricardo Rezende é atualmente professor da UFRJ, mas seu protagonismo não se explica pela sua trajetória acadêmica. É sua atuação junto à Comissão Pastoral da Terra durante duas décadas, no município de Conceição do Araguaia, município que chegara em 1977, ainda sob forte vigilância e repressão em função da guerrilha do Araguaia desmantelada pelas forças do exército em 1974, que marca sua história de vida.

Com um registro de quase 700 entrevistas de sobreviventes de trabalho escravo, padre Rezende é um personagem como tantos outros na história do tempo presente amazônico, história essa marcada fortemente pela grilagem e especulação de terras públicas, projetos minerais que atraíram milhares de pessoas para a região, ação de grandes grupos que fazem da exploração ilegal de madeira um negócio altamente lucrativo, com terríveis danos sociais e ambientais.

Poderíamos ainda relacionar o filme com a situação política e econômica do Pará e da Amazônia, mas em certos casos a realidade supera a ficção. No mês do lançamento do filme, que denuncia pessoas ameaçadas, duas delas, os agricultores José Cláudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo da Silva foram assassinados no município de Nova Ipixuna, também no Pará. Além das mortes em si, o episódio é marcado por outro elemento simbólico. É que no mesmo dia das mortes, 24 de maio, estava em votação no Congresso nacional o projeto do novo Código Florestal Brasileiro, cuja aprovação foi comemorada pela bancada ruralista e por sua representação classista, a Confederação Nacional da Agricultura (CNA).

José Cláudio e Maria do Espírito Santo, casal que vivia da agricultura e extração de castanha, faziam parte de uma extensa lista de pessoas ameaçadas de morte, segundo a Comissão Pastoral da Terra (CPT). Num relatório recente a CPT também detalha 42 trabalhadores ameaçados que vieram a ser mortos nos últimos 10 anos, excluindo-se aí inúmeras chacinas realizadas contra trabalhadores que não entram nessa lista das “mortes anunciadas”. Além disso, o relatório da CPT encaminhado ao Ministério da Justiça em 2010 afirma que (...) até 2010, foram assassinadas 1580 pessoas, em 1186 ocorrências. Destas somente 91 foram a julgamento com a condenação de apenas 21 mandantes e 73 executores. Dos mandantes condenados somente Vitalmiro Bastos de Moura, o Bida, acusado de ser um dos mandantes do assassinato de Irmã Dorothy Stang, continua preso.

Como elemento simbólico dessas mortes, complementadas pela morte de uma testemunha do assassinato, o também agricultor Erenilton Pereira dos Santos, está o fato do casal não apenas está na “lista da morte” como também representar a luta pelas reservas extrativistas em oposição à grilagem e à exploração ilegal de madeira na região, práticas que muitos consideram facilitadas se o novo código florestal se confirmar.

Um dos itens polêmicos do novo código estabelece que, além da união, os estados poderão criar seus programas de regularização ambiental o que pode acarretar pressões políticas e econômicas sobre os governos. No Pará, tal pressão esbarra, vez por outra, na presença mais ou menos eficiente de órgãos como o IBAMA e a Polícia Federal. Essa flexibilização abre uma prerrogativa que ao invés de minimizar as tensões, deve radicalizar os conflitos, pois como vimos no relatório da CPT, a impunidade nesses casos é uma excelente conselheira para os assassinos de trabalhadores.

Há também o caso da anistia para aqueles que cometeram crimes ambientais até 2008, através da assinatura de um “termo de adesão e compromisso”. Outra medida que na prática significa a regularização do desmatamento.

Enquanto o governo federal articula uma ação interministerial para discutir ações aos problemas do campo, os trabalhadores rurais são ameaçados e mortos, e os ruralistas se sentem os “donos do campo”. Estendem sua arrogância ao parlamento e à grande mídia, numa impressionante sintonia entre o poder político, o grande capital e os meios de comunicação.

Nessa conjuntura de lutas de classe, é preciso unir denúncia com ação política concreta. O debate sobre o código florestal mostra que, apesar da vitória ruralista na câmara federal, a questão agrária brasileira ainda está em aberto, no momento em que o tema ambiental e a violência no campo têm ressonância internacional. Essas mortes não serão em vão. Nossa esperança e nossa luta apontam para outro caminho, um futuro cujo roteiro está sendo escrito por homens e mulheres que plantam os sonhos para colherem um novo amanhã.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Arrastões juninos do Boi da Terra

Domingo tem Boi da Terra, do qual tenho a honra de fazer parte como compositor e suposto barriqueiro. Convido a tod@s que gostam de cultura popular a comparecer na Terra Firme. E àqueles que falam muito do popular e da cultura popular, mas referem manter-se um pouco afastado dos bairros periféricos, dessa gente diferenciada que lá habita, sintam-se desconvidados!



Fruto da dissidência de um boi-bumbá mais antigo, o “Boi da Terra” foi fundado em 21 de setembro de 2007 por moradores do bairro da Terra Firme, periferia de Belém. Congrega brincantes, compositores, percussionistas, dançarinos, cantores e a comunidade em geral. Personagens que vêem na cultura popular uma oportunidade de inclusão social e de criação de novas formas de sociabilidade.

A Terra Firme é hoje conhecida como um dos bairros mais violentos da cidade de Belém. Formado por uma série de ocupações desordenadas, aonde os recursos públicos na maior parte das vezes chegam de maneira precária e insuficiente. Neste contexto o Boi da Terra intervém no bairro de modo a constituir formas alternativas de lazer e ao mesmo tempo estabelecer uma relação de valorização das coisas da comunidade. Tem como objetivo maior mostrar que em contextos desfavoráveis é possível criar coisas belas, aumentar a autoconfiança de populações carentes e ao mesmo tempo, com os poucos recursos que possui, agregar a comunidade em atividades culturais que preguem a cidadania e a inclusão social, sobretudo entre os jovens.


Serviço:
Cortejo junino do Boi da Terra pelas ruas do bairro da Terra Firme.
Todo os os domingos de junho, no Bar da Terra, a partir das 15 horas.
Endereço: pass. N. S. das Graças esquina com pass. Comissário.
Com participação de poetas do Extremo Norte e Bloco da Canalha.
Contatos 8874-1720/3253-8301/8860-8666/81160422

terça-feira, 31 de maio de 2011

Tecnobrega

"O que é afinal um gosto elevado, uma arte elevada, uma boa arte? Quem diz o que é ou não é uma boa arte, de onde diz, de que lugar social, por quais meios ele diz? Quem concorda com isso, quem forma a opinião do belo e do feio na sociedade e por que isso ocorre do ponto de vista das divisões internas na sociedade?

Em resumo, a variação de gostos representa por vezes muito mais valores cultuais que propriamente uma análise detida da música em si. Até onde vai o preconceito cultural e social sobre o tecnobrega e até onde vai a análise da estrutura da música? E mesmo na estrutura da música o que determina o que é melhor e pior em se tratando de arte? Que padrões de beleza nos permitem dizer que o tecnobrega não é música, não mereça o critério de música?

Ironicamente em Belém a música vista como 'baixa' é aquela das 'baixadas' da cidade, dos lugares onde mora a população mais pobre de uma maneira geral".


Fragmento de um artigo que escrevi para o site Ponto Zero. Um texto em 4 artes das quais 2 já foram publicadas. Quem quiser ler tudo é só acessar o site.

Restart

Vendo grupos como Restart e similares fazendo sucesso, chego quase à conclusão que o rock'errou!

segunda-feira, 30 de maio de 2011

By moto-taxi

Da Terra Firme para o Guamá, via Tucumduba, by moto-taxi, ao som de tecnobrega.
Não tem preço!

SONORA AMERICO LEAL

Américo Leal criticando a ação da OAB Pará e chamando a passeata contra a corrupção na ALEPA - Assembléia Legislativa do Estado do Pará - de "caminhada dos tolos".
Pra quem não lembra Américo Leal, que exige neutralidade da OAB, é o mesmo advogado que mostrou o cotoco - literalmente falando! - para militantes do MST na época do julgamento dos assassinos dos 19 de Eldorado do Carajás!
Alguém lembra daquela cena?
Advinhem quem ele está defendendo agora?

domingo, 29 de maio de 2011

Ainda a saudade.

Na genealogia dos sentimentos primários
a saudade é aquele que mais nos ofusca,
hora se apresenta como o desejo do que já foi achado,
hora é o disfarce de uma cega e eterna busca!

Saudade - Um poema antigo, revisitado!

Saudade do que nunca se teve, é vontade.
Saudade do que se teve é não se tem mais, é frustração.
Saudade do que não se quer mais, é vaidade!
Viver com tanta saudade assim, é ambição!

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Até quando?

“A Amazônia é a fronteira do bandido. Ou seja, é a regra da selvageria que deve prevalecer, não importa a que custo. No futuro, quando a terra estiver amansada, nós vamos criar ‘mocinhos’ para administrar essa área”

Frase de Delfim Netto, à época do Milagre Econômico. Citado por Lúcio Flavio Pinto em “Amazônia: a fronteira do caos”, p. 141.

Preciso comentar algo sobre esta frase?

TEDx Amazônia - Zé Cláudio Ribeiro Nov 2010 (English subtitles)

Aqui as mais novas vítimas de uma tragédia eternamente anunciada pra quem quiser ouvir no Estado do Pará: José Cláudio Ribeiro da Silva, o Zé Majestade, e sua esposa Maria do Espírito Santo da Silva. O casal morava no Projeto de Assentamento Praia Alta Piranheira, em Nova Ipixuna, Sudeste do Pará e era ativo na resistência contra a invasão de madeireiras e o desmatamento naquela região. Foram assassinados a tiros em uma das vicinais de acesso ao assentamento, na manhã desta terça-feira, 24 de maio.
O Secretário de Segurança Pública disse que não vai tolerar crimes no campo. Que absurdo, o Estado do Pará não só permite como já realizou, veja o caso de El Dourado do Carajás!
Concordo com Cândido Cunha, em seu blog, que os governos do PSDB e do PT foram omissos nas questões de conflito no campo! Esse é mais um exemplo trágico disso!
Esse vídeo é de 2010 e desde lá já se denunciavam as ameaças feitas aos ambientalistas!


sábado, 21 de maio de 2011

Matéria

De que química é teu cheiro?
De que matéria tua carne?
De quantos laços teus cabelos?
De qual alvura tua pele?
De que pecado eu morreria,
se me esvaísse em teu braço?
De que matéria corrosiva
te cerca o mundo nos teus passos?
Flor!
De que tecido és tecida?
Por que me quero em tua teia?
Por que viveria morrendo em ti,
e mesmo assim seria feliz?

Poema sobre tua ausência

Quando eu era pequenino
Não alcançava as nuvens
Nem aquelas de papel
Desenhadas com a mão
E naquele tempo não sabia que iria te conhecer
E que iria te amar
E que iria querer te presentear
Com um presente bonito
Quiçá feito de nuvens
Ou desenhado num papel
Como um poema sobre nuvens, infância e amores
Ou um poema sobre ausências...
Meu amor, não tema
O mundo é mesmo muito grande
E está cheio de gente, de todas as cores e modelos
E tamanhos e vontades
Meu amor, não fique assim tão triste, menina,
Mesmo nas tardes paulistanas sobra uma nuvenzinha no céu
E ela corre a imensidão do mundo
Chove e retorna pro ar
E às vezes chega até Belém do Pará
Onde poetas que nunca alcançaram o céu
Escrevem poeminhas singelos e apaixonados...

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Poemeto

Sei que é um poema bobinho, mas é bonitinho, então deixei rolar:


A cada amor despedaçado
Outra paixão em devaneio
A cada inverno chuvoso
Segue-se um sol de veraneio

terça-feira, 17 de maio de 2011

Receita

Joga-te de cabeça na paixão,
pois a vida é finita.
Diz “eu te amo”.
Sussurra, fala, grita!
Os amores vêm e vão,
vicissitudes da vida.
Joga, pois, cada amor,
como se fosse a última partida!

Resumo da Educação no Brasil (Profª Amanda Gurgel)


“Estamos aceitando a condição precária da educação como uma fatalidade? Estão me colocando dentro da sala de aula com um giz e um quadro pra eu salvar o Brasil, é isso? Sou eu a redentora do país? Não posso, não tenho condições, muito menos com o salário que tenho!”
Essa sim é educadora de verdade, que não se cala, e nem se submete a ideologia barata de que professor é sacerdote, que tem que sofrer a vida toda e encontrar o paraíso apenas no pós-morte!
Faço minhas as palavras indignadas da professora Amanda Gurgel, do Rio Grande do Norte, pois a realidade de lá é a mesma de todo o Brasil.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Prêmios aos leitores do MimComigoMesmo!

Informamos que ainda em comemoração ao aniversário de 1 ano deste blog e para estreitar os laços do blogueiro em questão e seus raros, porém valorosos, visitantes, estaremos sorteando prêmios àqueles que tiverem coragem de colocar comentários nos textos.
Os prêmios são:
1. Abertura de um crediário nas Casas Bahia (para todo o Brasil) ou na Yamada (pra quem mora em Belém).
2. Publicação do nome do leitor no mural do “Leitor do Mês” do MimComigoMesmo!
3. Um pente ou uma camisinha (de motel, porém não usados!).
Dentro em breve, mais novidades, aguardem!!

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Poemas na sarjeta

Percebi que quando estou bêbado os poemas brincam de pira-esconde na minha cabeça, pulam corda, jogam amarelinha. Percebi que quando estou bêbado e entre o sono e o devaneio os poemas me sacaneiam o tempo todo, vem e vão, vão e vem, vem e vão, vão e vem. Ficam neste joguinho sacana.
Os poemas meu caros, não tenham dúvida, são pessoas muito más, brincam o tempo todo com os poetas, maltratam aqueles que querem apenas colocá-los pra fora.
Porém, tenho a esperança de um dia, em meus momentos de embriaguez e devaneios, embebedar os meus poemas aprisionados na cabeça. E quando isso acontecer, prometo a todos que os deixarei deitados na calçada, na sarjeta, que é na verdade, sempre foi e sempre será, o verdadeiro lugar do poeta e de seus poemas!

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Dicionário de termos literários: “Homenageismo”

Olha que eu gosto de homenagear pessoas que acho que merecem, pô, mas tudo que é demais enche o saco!

Um das tendências mais importantes dos movimentos literários é o “homenageismo”. Trata-se da prática de literatos homenagearem-se entre si, mutuamente, através dos mais variados rituais, conferindo-se a si mesmos títulos, troféus, medalhas, comendas, glórias e lauréis.
Comemoram-se aniversários, lançamentos de livros, batizados de musas, casamentos de trovas, batizados de afilhados de escritores, aniversários de saraus, aniversário de morte e ressurreição, etc. e tal.
Tal prática tem a função social de mútua confirmação de talento, auto-massagem de ego do escritor em reciprocidade aos seus pares íntimos. Processo mútuo e recíproco no qual bajular o outro, torna-se um bajular-se a si mesmo – tal qual a teoria da reciprocidade de que nos fala Marcel Mauss.
Neste processo tende-se a constituição de instituição e construções de tradições. Erguem-se Academias de Letras e Abobrinhas, títulos eméritos e honoríficos são conferidos aos imortais.
Atitude das mais nobres nas academias lítero-gastronômicas, fenômeno não totalmente estudado pelos cientistas sociais e de artes ocultas. Outros estudos devem ainda surgir.
Amém!

terça-feira, 3 de maio de 2011

Leio um pouco os livros
e leio um pouco a vida,
na somatória disso,
existo!

Calendário sentimental.

No meu calendário sentimental as terças são reservadas para ser poeta
E as quartas e quintas também
No meu calendário sentimental as segundas-feiras são dias de ócio e profunda reflexão
Os domingos são dias de passarinho
E as sextas-feiras são dia de astronauta
Pois a lua em nauta noite embala sonhos boêmios
No meu calendário sentimental não tem espaço pra tanta babaquice,
Tanta caretice e sofreguidão
O meu calendário sentimental é uma ilusão
Como iludido é todo poeta
Que finge
Mas sente dor!

quinta-feira, 28 de abril de 2011

O historiador costuma não pensar sobre o tempo, sobretudo o seu, pois, sobre o que é tido como obvio, ninguém pensa!

segunda-feira, 25 de abril de 2011

A ovelha

Cientistas sociais de uma maneira geral são como ovelhas num pasto chamado existência. Vez outra uma ovelinha abusada se separa do bando. Mas eis que vem o pastor, chamado filosofia da realidade, indicar o caminho. No início do século XX a ovelinha rebelde se chamava antropologia, e tinha a mania de comer grama em pastos exóticos para apreciar melhor o gosto de seu próprio gramado. Infelizmente ele não costumava perguntar se o pasto alheio já tinha dono. Desde a segunda metade daquele mesmo século a ovelinha má ficou conhecida como estudos literários e lingüísticos. Ela acreditava que só a verbalização da palavra capim já lhe garantiria a vida eterna no paraíso, infelizmente quase morreu de fome. Por algum tempo as ovelinhas pensam ter autonomia, mas mal sabem elas que quem tem o cajado, chamado o verdadeiro motivo ou a dura realidade das coisas, é o pastor!

Arte & Ciência

A arte é pergunta, a ciência pretende ser resposta, o resto é estilo
A arte é livre, a ciência não, o resto é moda
O que a arte pronuncia, a ciência transforma em interrogação
O que a ciência interroga, a arte diz ter a solução
Não há casamento entre ciência e arte
Assim como não dura a convergência entre amor e paixão

domingo, 24 de abril de 2011

Queria estar intimamente dentro de ti agora
E me esconder no teu labirinto
E me achar na tua coisa
E de manhã, me consumir em tesão
“Memória recente do sexo”
Memória recente de teu sexo
E compartilhar o meu sono contigo
Na insustentável leveza das coisas

Histórias bíblicas por MimComigoMesmo!

História da Sexta-feira Santa:

Todo santo dia o cidadão ia ao boteco da esquina tomar umas pingas, mas só tinha água. Até que numa sexta-feira qualquer um cara chamado Jesus, um pouco antes de morrer, transformou água em vinho, para a alegria geral da galera, surgindo assim a “Sexta-Feira Santa”.

História da Páscoa:

Ao avistar terras desconhecidas a esquadra de Cabral deu de cara com um grupo de Tupi que vendia ovos de páscoa debaixo de um grande morro rochoso. Como isso era na Bahia e era domingo, e tava todo mundo assim meio com preguiça e com a maior vontade de pegar uma praia, Cabral colocou uma tanga, nomeou o morro de monte pascoal e decretou feriado nacional, surgindo assim o feriado de páscoa.

Feliz páscoa a tod@s!

sábado, 23 de abril de 2011

Poema ao amor ausente.

Todas as noites durmo com teu cheiro
E ao meu lado fica a tua imagem
Que aparece quando fecho os olhos
Não sabia que lembrança disseminava odores
Não sabia que ausência gerava calores
Não sabia que saudade se corporificava
Sabia apenas que te quero
E te tenho, mesmo à distancia!

A primeira inteligência.

A primeira inteligência é a poética,
Porque primeiro nos encantamos com o mundo!

sexta-feira, 22 de abril de 2011

todas as sextas serei poeta
todos os sábados, um bêbado insano
e aos domingos, criança sonolenta
todos os dias, sofrimento
todos os dias, trabalho
todos os dias, até a morte
a sorte, o acaso.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Tucunduba's twitters

Meu pov@ acabo de fazer uma viagem ao coração da fronteira Terra Firme - Guamá, by Moto-taxi. Não tem preço!!
Peguei o moto-taxi na praça da TF e segui via Tucumduba pra o bairro do Guamá. Isso merece uma breve descrição:
Cena 1: ao atravessar a ponte do Tucunduba dou de cara com a maré cheia, barcos e pessoas no beira do igarapé...
Cena 2: mais adiante, muit@s menin@s tomando banho no igarapé, parece que estamos no coração de um riozinho, mas dentro da metrópole...
Cena 3: crianças e adultos pescando no Tucunduba, que noutra fora um limpo e vivo igarapé! As pessoas ainda se alimentam dele!!
Cena 4: as obras do Tucunduba, as ruas antes asfaltadas no projeto da Prefeitura de @EdmilsonPSOL, agora totalmente abandonadas!!
Cena 4.1: essa cena é uma ausência, ela não existe, ela representa o Estado e a Prefeitura de @duciomar totalmente ausentes na periferia da cidade.
Fim do espetáculo: vivacidade da periferia e abandono do poder público. E o Tucunduba e suas gentes sobrevivendo como podem!