segunda-feira, 31 de maio de 2010

O caso da Frota Liberdade

“Periodicamente navios tentavam levar comida e remédios à população de Gaza, chegando por mar, de forma pacífica, mas sistematicamente eram atacados pelas tropas israelenses. Desta vez a maior comitiva internacional de paz, com cerca de 750 pessoas de vários países, se aproximou de Gaza para tentar romper o bloqueio cruel que Israel mantêm sobre a população palestina. Foi atacada pelas tropas israelenses, provocando pelo menos 19 mortos e várias de dezenas de feridos”.

Emir Sader in: http://www.cartamaior.com.br


Imagens da net de dentro dos navios dos "terroristas humanitários".


Como são malvados estes "terroristas" que iam levar alimentos para os palestinos!
Ainda bem que os soldados (coitadinhos deles!) israelenses existem.
Eles só iam tentar conversar com os terroristas pra tentar convencê-los a mudar de idéia. Essa foi a explicação oficial de Israel. Ainda bem que existe os EUA e Israel (o Estado!).

sábado, 29 de maio de 2010

Boi da Terra II


Cortejos folclórico e show todos os domingos de Junho (com início ainda em 30 de maio de 2010), a partir das 14 hs, no Bar da Terra (Pass. Comissário n. 121, esquina com Pass. N. S. das Graças. Bairro Terra Firme).
Bem próximo a praça central da Terra Firme.
Todos convidados.

Boi da Terra: resistência da cultura popular na periferia de Belém.


Fruto da dissidência de um boi-bumbá mais antigo, o “Boi da Terra” foi fundado em 21 de setembro de 2007 por moradores do bairro da Terra Firme, periferia de Belém. Congrega brincantes, compositores, percussionistas, dançarinos, cantores e a comunidade em geral. Personagens que vêem na cultura popular uma oportunidade de inclusão social e de criação de novas formas de sociabilidade.

A Terra Firme é hoje conhecida como um dos bairros mais violentos da cidade de Belém. Formado por uma série de ocupações desordenadas, aonde os recursos públicos na maior parte das vezes chegam de maneira precária e insuficiente. Neste contexto o Boi da Terra intervém no bairro de modo a constituir formas alternativas de lazer e ao mesmo tempo estabelecer uma relação de valorização das coisas da comunidade. Tem como objetivo maior mostrar que em contextos desfavoráveis é possível criar coisas belas, aumentar a autoconfiança de populações carentes e ao mesmo tempo, com os poucos recursos que possui, agregar a comunidade em atividades culturais que preguem a cidadania e a inclusão social, sobretudo entre os jovens.

Atualmente o Boi da Terra desenvolve atividades durante todo o ano como passeios, torneios e jogos infantis, arrecadação de roupas e alimentos para campanhas solidárias e tem seu período de maior atuação durante a Quadra Junina, quando realiza aos domingos um cortejo cultural pelas ruas do bairro.

Bar do Lula: o banheiro mais limpo do Brasil!

Alguém já reparou que banheiros de bar são todos iguais?
Seja onde for, banheiro de bar, sobretudo dos botecos “pé de chinelo”, são todos iguais! Isso parece ser até uma espécie de cultura da sujeira dos botecos do Brasil. É claro que os bares grã-finos têm banheiros razoavelmente limpos, com sabonete, fio dental e tudo mais, mas ai não conta, pois estou falando aqui do bom e velho boteco “pé de chinelo”!
Mas como toda regra tem exceção, existe um boteco “pé de chinelo” que possivelmente tem o banheiro mais limpo do Brasil. E ele fica em um bairro de periferia de Belém, a Terra Firme.
Trata-se do “Bar do Macaco” ou “Bar do Lula”, que na verdade tem como nome oficial “Mania de Beber”. O bar não tem nada de especial, como todo boteco aliás, mas o pequeno banheiro, para ambos os sexos, é impecável: limpo, seco e até cheiroso!
Dizem as más línguas que o Lula já chegou até a expulsar clientes do bar que tentaram fazer o nº 2 no banheiro, na malandragem. Não sei se é verdade ou trata-se de mais uma lenda urbana.
Sei que estava lá dia desses e presenciei uma verdadeira “cagada”. Digo: literalmente!
Ocorre que o caboclo, amigo do Lula, passou lá agoniado, vindo do trabalho, apertado, e pediu pro Lula liberar rapidinho o banheiro pra ele fazer o nº 1. O camarada entrou e, no movimento normal do bar, ninguém percebeu que ele demorou mais que o comum.
Minutos depois ele saiu apressado, sem dizer nada e sumiu na rua estreita da Igreja de São Domingos de Gusmão. Se ele tivesse saído mais rápido eu poderia dizer que conheci o significado filosófico da frase “estou cagando e andando pra você!”. Mas felizmente não chegou a tanto.
O Lula percebeu que tinha alguma coisa errada, aliás, sentiu que tinha alguma coisa errada. Na verdade todos os freqüentadores do bar sentiram que tinha alguma coisa errada.
E lá foi o Lula, bufando e reclamando, desconjurando e amaldiçoando o desgraçado do cagão! Passou metade da noite lavando o banheiro. O Lula, como todo dono de boteco “pé de chinelo”, não é lá um cara muito sossegado!
Resultado da noite: o Lula teve o maior lucro do mês, pois tivemos que beber dobrado pra agüentar o fedor, mas gastou todo o lucro em litros e litros de desinfetante pra deixar tudo como antes!
Isso sim é o que podemos chamar de “cagar a noite alheia!”.

quinta-feira, 27 de maio de 2010


José Serra acusou a Bolívia de fornecer 80 a 90 % da cocaína traficada no Brasil. Ao mesmo tempo declarou não perder nada em não ter mais Aécio Neves como vice na sua chapa. Será que isso já faz parte da política antidrogas de candidato tucano?!
Isso não está me cheirando bem!

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Tem prefeito em Belém?

E por falar em Edmilson Rodrigues lembrei do tempo em que Belém tinha prefeito... era tão bom!
Ah a cidade tem prefeito hoje? Ops! Desculpem-me, não tinha percebido.
Mas por falar no prefeitinho de Belém olha só esta última.

Manual Dulciomariano de como não resolver a questão dos camelôs de Belém:

1. Primeiro meta porrada nos camelôs do centro da cidade e, com apoio da mídia retardada, coloque a opinião pública contra os mesmos.
Obs.: Por mídia retardada me refiro à grande mídia paraense, àquela que não posso dizer o nome pra não ser processado ou levar porrada em restaurantes chiques da cidade. Explique-se: levar porrada por seguranças que são na verdade policiais que atuam irregularmente fazendo segurança pros poderosos locais. Deu pra saber de quem eu tô falando? Pô, se não deu, vão ler o “Jornal Pessoal” do grande jornalista Lúcio Flavio Pinto (este sim um grande jornalista paraense) pra ver se vocês me entendem!
2. Depois mantenha os camelôs sem trabalho, obrigando-os a ficarem fazendo passeatas nas ruas centrais e continue metendo porrada neles, com a Guarda Municipal;
3. Demore meses prometendo que vai inaugurar um espaço para os camelôs no lugar de uma antiga fábrica (desativada!);
4. Demore mais alguns meses prometendo o item acima;
5. Demore mais um pouquinho...;
6. Bom, finalmente inaugure o tal do camelódromo da prefeitura;
7. Diga em seqüenciais e caras propagandas de TV (pagas com o dinheiro público) que o camelódromo resolveu o problema dos camelôs da cidade, quando na verdade não atendeu nem (sei lá!) um décimo dos camelôs que estão nas ruas;
8. Por fim, além de tudo isso, esqueça de colocar pias e torneiras com água nas barraquinhas dos camelôs vendedores de comida e lanche do novo camelódromo. E depois deixe que a Vigilância Sanitária proíba que estes vendedores de lanche trabalhem lá, pois não existem pias e torneiras com água (alguém sabe o nome do engenheiro que projetou o camelódromo?).
Agora eu entendi porque o prefeitinho escreveu um livro chamado “Bicho do mato”. Vai ver foi lá na floresta que ela aprendeu a ser prefeito.
Ué, por que ele não volta pra lá então?

Boa pedida pro domingo!

Não irei, pois tenho atividade no Boi da Terra, mas pra quem tiver tempo é uma boa pedida!

Ainda sobre a violência urbana em Belém

O principal argumento das autoridades policiais para os constantes seqüestros relâmpagos ou seqüestros “trovões” (acabei de inventar: é aquele que demora um pouquinho mais que os seqüestros relâmpagos!) é que eles ocorrem devido à presença ostensiva da polícia nas ruas.
Os assaltantes pegos de surpresa pelos “home da lei” (ou seja, “quando os home da lei grampeia!”) acabam fazendo reféns.
Ou seja, o maior número de seqüestros significa que a polícia tá trabalhando mais e melhor!
Pô...! Se for por esta lógica só temos duas alternativas: ou a gente vai ter cada vez mais seqüestros relâmpagos, já que queremos mais policiais nas ruas (devido à insegurança notável), ou a gente vai exigir que tenha menos policiais nas ruas pra evitar os seqüestros!
Ôô! “Otoridade policial” será que não dá pra criar outro argumento menos idiota?!

segunda-feira, 24 de maio de 2010

A propósito, sou totalmente contra a redução de maioridade penal. Pois vejamos:
1. Se as instituições que deveriam “re-socializar” (o que seria isso afinal de contas?) o menor infrator são verdadeiras faculdades do crime – o garoto chega amador e sai especialista em violência urbana - o problema não é a lei, mas sim o poder público que não cumpre o que a lei solicita em relação a estes espaços de re-socialização.
2. Se o Estado não garante educação de qualidade, emprego para as famílias, lazer e condições sociais mínimas para as populações pobres e periféricas (de onde vêm a maior parte dos casos de assaltos, trafico, etc.), não é a lei que está errada, não é a questão maioridade penal que deve ser revista, mas sim a ação do poder público, das elites políticas, o modelo de sociedade excludente.
3. Se os adultos que cometem crimes e são preso nos rigores da lei, mantêm-se no crime, já que os presídios (para adultos) são também faculdades do crime, então reduzir a maioridade penal e colocar a molecada toda no xilindró não vai re-socializar ninguém e nem resolver a questão da violência entre adolescentes. A questão não é a lei, é fazer que o poder público siga a mesma rigorosamente.
4. Reduzir a maioridade penal significa nivelar por baixo, ou seja, eliminar fisicamente (ou pelo menos excluir do convívio social) o adolescente pobre e excluído (quase todos pobres, negros e índios!). Significa jogar a “sujeira” pra baixo do tapete. Bem ao modo da elite brasileira!
É mais fácil resolver eliminando o problema (pessoas no caso!) do que resolver mudando a condições que fizeram surgir o problema!
As eleições vêem ai! Bom momento pra refletir sobre estas questões.

Crime desorganizado!(?)

Vemos todos os dias na TV notícias de seqüestros, tiroteios nas favelas, trafico de drogas, etc., no Rio de Janeiro ou em São Paulo. Aí temos o que é chamado normalmente de crime organizado.
Não tenho idéia se este termo é adequado pra este tipo de criminalidade, sei que em Belém temos tudo isso em outra escala. Mas o que incomoda mesmo a vida das pessoas na cidade das mangueiras é a questão do que eu chamaria de crime desorganizado. Isto é, aquele crime feito na grande maioria das vezes por adolescentes, em pequenos roubos à mão armada pelos quatro cantos da cidade.
Em Belém infelizmente não podemos fazer coisas extremamente simples do cotidiano, como atender o celular na rua, levar mochilas nas costas ou escutar música no MP3, qualquer um destes atos pode chamar a atenção dos trombadinhas, que atacam a toda hora e em qualquer lugar da cidade.
O problema é que este tipo de crime, apesar de parecer menos estruturado ou organizado como o de tráfico de drogas, por exemplo, é um dos tipos de violência que nos deixa mais vulneráveis ou pelo menos mais temerosos em relação à possibilidade de levar um tiro a qualquer hora.
Muito se fala na cidade que um dos problemas deste tipo de assalto é a inexperiência dos assaltantes, muitas vezes adolescentes muito novos, que por este motivo, a qualquer movimento do assaltado disparam a arma.
Não sou especialista no assunto, muito menos tenho dados pra falar, mas só por uma questão de comparação, nas vezes em que estive no Rio ou em São Paulo, ou outras cidades como Porto Alegre, por exemplo, me sentia muito seguro de fazer estas coisas do cotidiano, mesmo andando altas horas da madrugada em ruas desertas. Atendia celular, usava mochila, etc. coisa que em Belém, infelizmente temo fazer.
Não estou dizendo que estas cidades sejam maravilhosamente seguras – claro que não! – todas têm os seus muitíssimos casos de violência urbana. Mas ao que parece, talvez pela existência do “crime organizado” (onde muitas vezes o chefe do tráfico proíbe os assaltos, já que precisa dar segurança aos compradores de drogas advindos das classes médias da cidade!), ainda existe um mínimo de segurança ou sensação de segurança por lá.
Assim, não sei o que é “melhor” (explicando a ironia: “na verdade não sei o que é pior!”) o crime organizado do centro ou o “crime desorganizado” de Belém.
O foda mesmo é ter que escolher entre estes dois tipos, sem termos uma terceira opção à vista no horizonte belenense!!
Por enquanto só nos resta torcermos pra não cruzarmos com nenhum grupo de assaltantes na rua da cidade!

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Um poema numa garrafa

singro o mar azul
singro o sangue vermelho
singro e divago,
enquanto vago, alheio
singro rumo ao cabo
à boa esperança que me espera
singro sobre o barco
sigo o balanço da vela
singro, vou passando
passarinhando volta e ida
singro e vou voando
sob o comando da vida
a espada que carrego
não tem gume e nem corta
é esbulho da velha guerra
a tal guerra que jaz morta
singro por todos os mares
como se não houvesse humanidade
singro absorto
até os fins de minha idade

(21/05/2010)

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Spam da política

Essa é boa e me foi enviada por amigo mineiro. Um camarada, Daniel Florêncio, fez um documentário sobre as relações entre o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, e a Rede Globo Mineira. “Gagged in Brazil” foi exibido nas TVs americanas e inglesas. O vídeo foi colocado no You Tube com legenda e recebeu uma resposta de outro vídeo defendendo Aécio, chamado “Aécio Neves responde Liberdade essa palavra”, etc.
Até ai tudo bem, mas o engraçado é que os visitantes do vídeo em defesa de Aécio, que deixam recados de apoio ao governador, são quase todos de países distantes, tipo Índia, Coréia do Sul, países da América Central, etc., etc.
Curioso né, como é que o nosso quase candidato pelo PSDB para presidente da República é tão popular na Índia, por exemplo...?
Isso cheira mau, digo, no caso de Aécio Neves cheira bem, quer dizer cheira mau mesmo, quer dizer... vamos deixar pra lá esse negócio de cheirar em se tratando do Governador mineiro...
Quem tiver tempo dê uma olhadinha neste potencial caso de span político, vale à pena.

Eleições 2010.

Tendo em vista que as eleições de 2010 estão na porta e ao que parece os candidatos não trouxeram grande tesão para os antigos militantes de esquerda como eu, fiquei imaginando com seria bom se as coisas fossem diferentes.
Isto é, como seria bom se nós tivéssemos candidatos envolventes como antigamente, no tempo do antigo Lula (na época que ele era o sapo barbudo), no tempo do Brizolão (que na campanha de 1989 chamou Maluf, de dedo em riste, de “Filhote da ditadura!”), etc., etc.
Bom, mas como em termos de política as eleições de 2010 estão muito meio mais ou menos, ou seja, está meio tipo assim, entende...? Vou me aproveitar da charge de autoria de Diogo Salles, cartunista do Jornal da Tarde, pra animar um pouco esta parada.
Então estão aí, Serra Burns e Marge Dilma em outra perspectiva, dois novos candidatos para a eleição deste ano.
Agora é só escolher! Infelizmente a realidade é bastante desestimulante.


Diogo Salles: Exposição de charges na Estação Gasômetro, POA.

PS.: Para mais charges de Diogo Salles conferir: http://www.diogosalles.com.br/charges.asp

segunda-feira, 17 de maio de 2010

A magnífica máquina de fazer cafuné (parte 1)

Minha tese é de que o grande problema da civilização está ligado à passagem, à ultrapassagem melhor dizendo, da barreira que chamo de “era do cafuné”.
No início dos tempos, quando as populações humanas eram pequenas e primitivas, mais ou menos na fase em que vivíamos em árvores e já começávamos a descer das mesmas - e construíamos os primeiros instrumentos como arco e flecha, tacapes, etc. -, neste momento vivíamos a “era do cafuné”.
O cafuné naquela época, e assim o é até os dias de hoje, consistia no carinho voluntário ou involuntário dado por um indivíduo sobre o corpo de outro indivíduo do grupo. Poderia ser um simples afago, um passar a mão na cabeça, ou até mesmo uma elaborada catação de piolhos. As pessoas trocavam contato físico, trocavam energia orgônica, se reconheciam enquanto indivíduos de um grupo, manifestavam prazer e também – já que o conflito faz parte da existência - descontentamento através daquele ato corpóreo.
Ocorre que com o desenvolvimento das forças produtivas, com a maior divisão sexual e social do trabalho, os grupos humanos superaram esta fase história de quase harmonia e proximidade físico-afetivo-espiritual, que tornava os indivíduos comunidade.
A passagem para a fase adiante do desenvolvimento humano (o período pós-cafuné) nos levou a uma história bastante conhecida pelos historiadores: o surgimento da propriedade privada, do estado e das desigualdades sociais, até o aparecimento do capitalismo na sua versão contemporânea.
Trocando em miúdos o mundo contemporâneo é o mundo do não-cafuné, o mundo do indivíduo fragmentado que não é mais comunidade e não socializa sua força físico-afetivo-espiritual com os outros indivíduos do grupo, a não ser em escala muitíssimo reduzida. O resultado lógico desta alteração foi a transformação do cafuné em uma atividade privada, restrita aos carinhos maternais ou amorosos. O Cafuné que temos hoje é na verdade um remanescente de uma fase histórica de plenitude, reduzido à condição de fragmento.

Para ler a parte 2 clique aqui.

A magnífica máquina de fazer cafuné (parte 2)

Certa feita um cientista pensou na possibilidade de fazer uma maquina diferente de tudo que teria sido inventado antes: a máquina de fazer cafuné.
A palavra cafuné deriva possivelmente de um termo encontrado na região africana onde hoje é Angola: kufundu. Esta palavra significa cravar, enterrar, o que leva a crer que o cafuné sempre consistiu no ato de enterrar os dedos na cabeça, cravá-los entre os cabelos, em movimento de carinho. Esta foi sem dúvida nenhuma, a mais importante invenção da antiguidade, surgida obviamente no berço da civilização: a África!
O referido cientista, assim, elaborou o projeto, viajou à África negra onde fez estudos antropológicos sobre o cafuné, leu antigos manuscritos sobre a existência da energia orgônica e finalmente elaborou uma máquina simples movida à energia solar.
A energia orgônica ou energia vital é conhecida desde tempos imemoriais, porém modernamente foi mais bem elaborada, em termos científicos, por Wilhelm Reich, discípulo dissidente de Freud. Para aquele pensador a energia orgônica era a forma mais importante de bioenergia e poderia ser encontrada em todos os seres vivos. Mas tarde Reich considerou que esta energia existia não só nos seres vivo, mas também na atmosfera.
Esta energia fluiria por todo o corpo de cima pra baixo pela espinha, mais ou menos da mesma forma como no Yoga se pensa o conceito de “prana”. Para os adeptos do Yoga, o prana circula por caminhos chamados de nadis, sendo os mais importantes o ida, pingala e o susumna, que estão relacionados com a coluna vertebral, o eixo do corpo. Mesmo sem conhecer tal pensamento Reich chegou a resultados parecidos em sua teoria sobre o Orgônio.
É interessante ressaltar que teorias paralelas como a física moderna e o uso da acupuntura acabaram tratando de um conceito de energia parecido com o que formulou Reich e, por outro lado, aproximaram-se um pouco da função social do cafuné em tempos antigos. A acupuntura, por exemplo, nada mais é do que o ato de cravar (kufundu) agulhas no corpo, de modo a equilibrar a energia vital (pelo menos o é na maioria dos casos em que se usam agulhas). A física quântica, por sua vez, fala de troca constante de energia entre os corpos e na matéria tanto como partícula (algo existente no sentido físico), assim como em energia como ondas (matéria como possibilidade, mas existente e em constante troca entre todos os corpos).
Baseando-se um pouco em tudo isso, somando-se ainda a elementos do espiritismo, Pitágoras e Hipócrates, a máquina de cafuné teria como função principal restabelecer o contato corpóreo entre os seres humanos, a partir do cafuné. Buscava-se restaurar a conexão da energia vital ou orgônica, reconstituindo o equilíbrio entre o ser social moderno e o elemento físico-afetivo-espiritual perdido na evolução da espécie.
Contudo, para que isso desse certo era necessário que a máquina pudesse imitar condições de cafuné parecidas com aquelas encontradas no cafuné propriamente dito. Em um mundo urbano e moderno como o nosso seria impossível que as pessoas pudessem perder tempo fazendo cafunés umas nas outras.


Chaplin usando a magnifica máquina de fazer cafuné.

Neste sentido, imaginou o cientista que a energia solar, que por sua vez teria também energia orgônica acumulada da atmosfera, transformada em energia mecânica, poderia mover dedos e mãos artificiais, colocadas estrategicamente nas cabeças das pessoas, que ficariam fazendo cafuné enquanto as mesmas trabalhavam, cominam, dormiam, caminhavam, conversavam, faziam sexo, etc.
Inicialmente a máquina foi um sucesso. Dado fatores de herança genética, a cultura moderna ainda não havia excluído a sensação de prazer que o cafuné cria na maioria das pessoas. Logo a invenção tornou-se a grande novidade das lojas de departamento em todo o mundo. Mesmo em países de línguas e culturas muito diferentes da cultura ocidental houve uma adesão maciça à novidade.

Para ler a parte 3, clicar aqui.

A magnífica máquina de fazer cafuné (parte 3)

Contudo, passado o entusiasmo inicial, viu-se que máquina estava trazendo sérios problemas para a vida das pessoas. Muitos faltavam ao trabalho por causa do sono característico do cafuné. A produção das fábricas e da agricultura começava a diminuir e a economia começava a dar sinais de desgaste.
O que não percebeu o brilhante cientista foi que a energia liberada pela máquina de cafuné, ao mesmo tempo em que restabelecia o equilíbrio existencial sinestésico do toque corpóreo à sensação de prazer corpóreo-metafísico-espiritual perdido à milênios, por outro lado colocava-se em oposição ao modelo de vida da civilização moderna e capitalista. Era como se aos poucos as coisas começassem a voltar ao passado. O cafuné funcionava mais ou menos como um relógio que corria pra trás.
Aos poucos as pessoas começaram a deixar de fazer coisas ditas modernas e atividades produtivas e passaram a realizar atividades vistas como inúteis, tais como dormir, bocejar, ficar distraído olhando o nada, falar coisas bobas e amorosas, pedir licença, achar belas as flores, contemplar uma criança correndo, ficar horas esperando uma estrela cadente, dar bom dia, etc. etc.


Imagem do famoso cientista que inventou a máquina de fazer cafuné.

Um resultado lógico de tudo isso foi que logo a ciência, sempre ela, resolveu dar um jeito no caos que se estabeleceu. Dado o fato de que as pessoas ficavam preguiçosas, faltavam ao trabalho, dormiam no expediente, etc., outro cientista criou uma nova máquina, rapidamente tornada obrigatória para todas as pessoas, pelos patrões e pelos governos de vários países civilizados: a máquina de receber cafuné.
Ocorre que inicialmente houve uma proibição geral do uso da maquina de fazer cafuné, porém em vários lugares do mundo as populações se levantarem agressivamente contra a ordem social vigente. Movimentos sociais se organizaram de forma massiva. Greves, piquetes, revoltas indígenas nos países subdesenvolvidos ocorreram por mais ou menos uma década. Parecia que de uma hora pra outra tudo que a civilização ocidental construiu como modelo de sociedade estava em risco apenas por causa de uma máquina de fazer cafuné. As massas se levantaram em oposição à proibição do uso da “máquina da paz e amor”, como passou a ser conhecida.
A maneira alternativa encontrada pelas autoridades para resolver o problema foi colocar um dispositivo que suavizava a liberação da energia orgônica da máquina de fazer cafuné. Este dispositivo, que foi secreta e obrigatoriamente colocado na maquina original ainda em seu processo de fabricação, ficou conhecido pelo nome de “máquina de receber cafuné”, já que recebia em boa parte, 80 %, o cafuné e a energia produzidos pelo primeiro invento. Empresários e governos mantiveram em segredo o uso do novo dispositivo.
Com o passar do tempo, as pessoas voltaram a suas atividades normais. Aos poucos as máquinas de fazer cafuné foram sendo esquecidas, devido ao fato de que seu efeito tornou-se muito fraco ao ponto de não mais levar às pessoas ao vício. Tudo voltou ao normal e a civilização tomou seu caminho rumo ao progresso.
Hoje a máquina de fazer cafuné é quase esquecida dos grandes inventos da ciência, porém, corre à boca miúda que ela é usada ainda por setores marginais da sociedade, por intelectuais, artistas e militantes de esquerda das mais variadas tendências. Diz-se inclusive que muito dos grandes artistas da modernidade fizeram brilhantes obras de arte sob o efeito do cafuné e, comenta-se mesmo, que até autoridades de postura exemplar no mundo da política, das finanças, da indústria, etc., etc. usam o cafuné como terapia alternativa aos problemas rotineiros do mundo moderno.
A máquina de fazer cafuné, na sua versão original, não mais existe, nem mesmo em museus. Não há mais como fazê-la, já que a formula é guardada a sete chaves por pouquíssimas autoridades militares dos países centrais.
E é exatamente por este motivo que o cafuné ocorre ainda de forma muito fragmentada em atividades privadas e em momentos íntimos. Só ai, mesmo com a condenação moral pública que ainda há nos dias de hoje, o cafuné ainda resiste, marginal. Como se fosse a selvageria dos homens que ainda persiste em cada um de nós.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Jornal "Boca da Rua"



Em POA tem um jornalzinho de rua muito interessante chamado “Boca de Rua”. Acho que não é tão conhecido no restante do Brasil, mas tem site e tudo na net. O que tem de interessante neste jornal é o fato de que é feito por moradores de rua, pessoas em risco social, alguns inclusive portadores do HIV.
Quem perambula pelas ruas do bairro boêmio da Cidade Baixa em POA poderá dar de cara com um morador de rua lhe abordando com o “Boca” em umas das mãos. Foi isso que aconteceu comigo quando estava em Porto Alegre.
É um dos projetos da organização não-governamental Alice - Agência Livre para Informação, Cidadania e Educação - ONG que além do jornal atua em outros projetos em prol da mídia alternativa.
O jornal traz matérias de interesse da população de rua e de baixa renda e tem abordado em grande parte a temática do uso do craque, que chegou a cidade com grande força nos últimos anos.
Geralmente estamos acostumados a falar de craque em lugares como São Paulo. Lá existe inclusive a famosa “cracolândia”. Mas na verdade o sul já esta sentindo os efeitos disso. Não só a mídia alternativa, como o caso do “Boca”, como a grande imprensa tem dado grande atenção ao assunto.



O “Boca de Rua” é um caso exemplar de mídia alternativa. Quem puder entre no site ou tente comprar algum exempla se estiver no sul. Vale a pena consultar! Fica aqui a sugestão de blog: www.bocaderuanainternet.blogspot.com e http://www.alice.org.br/portal/.

Cotas boêmias nas universidades!

Muito tem se discutido no Brasil nos últimos anos sobre a questão das cotas sociais e raciais nas universidades. Quero deixar claro em primeiro lugar que sou totalmente favorável. Afinal as cotas sociais e raciais não são – como pinta a vã filosofia burguesa e de classe média dos alunos de cursinhos ricos que pretendem estudas nas universidades públicas – pois estas são as melhores!!!! – um ato de autoritarismo e privilégio a grupos que não conseguem chegar à universidade por conta própria!
Na verdade as cotas são ações afirmativas – mesmo que não ideais e cheias de falhas, já que o que deveria ocorrer mesmo era a ampliação das vagas nas universidades: ou seja, o socialismo!!. São ações afirmativas de grupos historicamente excluídos do direito a educação, sejam eles negros, índios, ETs, X-Man, robocops, etc., etc.
Bom... pensando nisso e debatendo bastante com um grande intelectual amigo meu, o JJ (possivelmente vocês não o conhecem, pois ele só será reconhecido como um grande intelectuais lá pra 2050, no mesmo momento que eu for reconhecido como um grande poeta!). Mas como dizia: pensando nisso é que venho colocar a público o tema da cota boêmia nas universidades. No que consistiria isso:
1. A universidade é de uma maneira geral muito chata! Intelectuaisinhos almofadinhas falando da pós-modernidade e acreditando na REALIDADE DO FATO de que não existe realidade (existe no máximo a pós-modernidade: que é na verdade uma maneira fofa de dizer que o que existe não existe mais, pois tudo na verdade não existe, a não ser o não existente, que é justamente a pós-modernidade. Entenderam?).
2. Os intelectuais além de acreditarem que o real não existe, pois nada pode ser provado (e eles buscam provar isso!), não enchem a cara, não falam de futebol, não buscam comer a mulher ou o homem alheio, muito menos falam de sindicatos, recitam poesias ou planejam a revolução!
3. Ora isso é o que podemos chamar de um porre!
4. Neste sentido, então por que não colocarmos nas universidades outros livres pensadores mais interessantes...? Aqueles que planejam revoluções mesmo que nas mesas de bar. Pois planejar alguma coisa, mesmo que na mesa de bar me parece melhor do que não planejar nada! Demos lugar para aqueles que recitam poemas ou façam sambas. Ora é necessária a cota boêmia nas universidades brasileiras. Eu levanto esta bandeira! Quem me acompanha nisto?
Façamos o vestibular nos bares no centro da verdadeira livre reflexão!
Cota boemia talvez seja a melhor maneira de colocar livres pensadores nas universidades. Talvez seja a melhor forma de acabar com esta ressaca teórica que parece que não acaba nem com engove!
E por falar em engove, me lembrei que tem uma cerveja gelada na geladeira. Falaremos mais sobre isso outra hora. Fui!!!