se eu explodir
viro estrela cadente
feixe que corta, incandescente,
as imensidões dos ares
mas, se eu implodir
torno-me buraco negro
emimesmado, sem medo,
de eternas dores astrais.
Blog para reflexões ludo-telúrico-etílico-filosófico-poético-existenciais, ou seja, pra falar tudo que mim comigo mesmo gostaria de falar. Mas todos serão bem vindos!
domingo, 27 de junho de 2010
quinta-feira, 24 de junho de 2010
Em tudo na vida há de ter paixão
Pois que sua ausência resseca os ares
Transforma o moinho
em
brisa
opaca
Em tudo na vida há de existir paixão
Pois que mesmo a morte nos causa volúpia e curiosidade
“A dor também ...”, dizem, alguém disse, disseram,
“...tem suas volúpias”
Em meio ao arrepio e ao medo
Em tudo na vida deve haver paixão
Pois que sem esta não teríamos espaçonaves, borboletas no estômago, uma folha qualquer que cai no chão...
E nos choca e nos move, e nos atinge e nos cega, e nos corta e nos leva e nos embriaga e a tudo move...
Em tudo na vida deve ter, e há, paixão
Não fosse isso tudo ficaria cinza
E se tudo fosse cinza as pessoas seriam iguais
E não reconheceríamos ninguém
E não seríamos ninguém
E já estaríamos mortos
Mesmo antes do fim!
Pois que sua ausência resseca os ares
Transforma o moinho
em
brisa
opaca
Em tudo na vida há de existir paixão
Pois que mesmo a morte nos causa volúpia e curiosidade
“A dor também ...”, dizem, alguém disse, disseram,
“...tem suas volúpias”
Em meio ao arrepio e ao medo
Em tudo na vida deve haver paixão
Pois que sem esta não teríamos espaçonaves, borboletas no estômago, uma folha qualquer que cai no chão...
E nos choca e nos move, e nos atinge e nos cega, e nos corta e nos leva e nos embriaga e a tudo move...
Em tudo na vida deve ter, e há, paixão
Não fosse isso tudo ficaria cinza
E se tudo fosse cinza as pessoas seriam iguais
E não reconheceríamos ninguém
E não seríamos ninguém
E já estaríamos mortos
Mesmo antes do fim!
quarta-feira, 23 de junho de 2010
A morte.
Na verdade não temos certeza da morte,
muito menos sabemos o que terá depois da vida,
sabemos apenas que a carne apodrece!
muito menos sabemos o que terá depois da vida,
sabemos apenas que a carne apodrece!
terça-feira, 22 de junho de 2010
Poema.
Como vocês sabem - meus poucos e bravos seguidores deste humilde blog - coloco de vez em quando, aqui, poetas que gosto bastante. Hoje apresento uma poetisa nova, chamada Maria Meireles Coralina.
Espero que gostem:
Ponho-me a rir porque não tenho mais esperança de choro sincero,
Rio à toa porque meu riso não é mais de felicidade
Às vezes penso que é com tristeza que assistirei minha partida
Partirei em mim, de mim, em paz,
Ou uma sombra pousará sobre meu corpo
Gélido como já é
Não sentir nem o mais abrupto desejo, seco, seca
Como uma rocha, uma pedra, gélida
Não terei surpresas em meu coração
Não sentirei mais essa dor, esse incomodo,
Tumor de vida que cresce e desabrocha como um espinho tardio
Uma primavera passada que rememora meus mais íntimos desejos
Meu ser que não é,
Meu devir que não deve
Não ser em mim
E em mais nada
E em mais ninguém
Perpetuar esse estado lânguido
Sombras, rochas, volumes, primaveras e invernos
Seqüência de uma existência que deve ao acaso
Caso de existir sem querência
Espero que gostem:
Ponho-me a rir porque não tenho mais esperança de choro sincero,
Rio à toa porque meu riso não é mais de felicidade
Às vezes penso que é com tristeza que assistirei minha partida
Partirei em mim, de mim, em paz,
Ou uma sombra pousará sobre meu corpo
Gélido como já é
Não sentir nem o mais abrupto desejo, seco, seca
Como uma rocha, uma pedra, gélida
Não terei surpresas em meu coração
Não sentirei mais essa dor, esse incomodo,
Tumor de vida que cresce e desabrocha como um espinho tardio
Uma primavera passada que rememora meus mais íntimos desejos
Meu ser que não é,
Meu devir que não deve
Não ser em mim
E em mais nada
E em mais ninguém
Perpetuar esse estado lânguido
Sombras, rochas, volumes, primaveras e invernos
Seqüência de uma existência que deve ao acaso
Caso de existir sem querência
segunda-feira, 21 de junho de 2010
São João suburbano!
Uma das características principais das periferias é o “barulho” que nos cerca por todos os lados.
São crianças na rua, meninos correndo, empinando pipas e “papagaios”, carros-de-som anunciando a carne barata do açougue do fulano de tal, etc., etc.
No mês de junho a coisa se intensifica. Festas e mais festas são anunciadas pelas ruas dos bairros de periferia (Guamá, Jurunas, Cremação, Terra Firme, pra ficarmos apenas nos mais próximos ao centro).
A densidade de sons se amplia com a densidade de cores e movimentos. Em junho as bandeirolas penduradas nos postes colorem mais as ruas, e em época de Copa do Mundo o verde e amarelo domina. É o típico São João suburbano.
A vizinhança se reúne, faz coleta, compra fios e plásticos coloridos e se aglomera para enfeitar a sua rua. Domingo todos pra frente da casa: som alto, rolando o Tecnobrega (a verdadeira música popular das cidades do Pará e boa parte do Norte do Brasil – apesar dos intelectuais e intelectualóides não gostarem!).
Além disso, tem o boi-bumbá. Grupos como o Boi da Terra e Boi Marronzinho percorrem o bairro levando a cultura popular pelas ruas esburacadas, empoeiradas e de casas de madeira envelhecida.
Circular as ruas dos bairros de periferia com um boi-bumbá é uma verdadeira viagem etnográfica. Passamos por “Áfricas”, passamos por “Cearás” e “Maranhões”, passamos por “Caboclos”, “Tapuios”, “Tupis”, e por tudo isso junto e misturado.
Passear pelo bairro da Terra Firme seguindo um boi-bumbá é uma maneira de entrar no coração da cidade, no coração escondido – lá onde grande imprensa só entra acompanhada da polícia para cobrir casos de violência urbana. É entrar naquilo que costumamos chamar de “povo” brasileiro. Algo que ninguém sabe realmente o que é!
Nem sempre a cidade reconhece o boi-bumbá e nem sempre o boi-bumbá reconhece as pessoas das ruas da cidade. Mas, independente disso, os cortejos culturais continuam entrando no coração da cidade, aquele coração magoado e ressentido, pelo abandono das autoridades, pela falta de oportunidades, pela falta de cidadania.
Por isso que dissemos em uma de nossas toadas do Boi da Terra que: “o contrario deste boi não é outro boi contrário é a pobreza desta terra e este povo no calvário...”
E viva São João, viva o boi-bumbá, viva a cultura popular!
domingo, 20 de junho de 2010
São Domingos dê licença
São João chegou
São Domingos dê licença
Que nesta terra
Meu boizinho vai passar
Meu terreiro é na rua
Tucunduba, Rio guamá.
Refrão
Venha vê, venha vê meu boi
Boi da Terra, deste chão
Vem chegando o mês de junho
Vem chegando o batalhão
E o contrário deste boi
Não é outro boi contrário
É a pobreza desta terra
E este povo no calvário.
(2008)
São Domingos dê licença
Que nesta terra
Meu boizinho vai passar
Meu terreiro é na rua
Tucunduba, Rio guamá.
Refrão
Venha vê, venha vê meu boi
Boi da Terra, deste chão
Vem chegando o mês de junho
Vem chegando o batalhão
E o contrário deste boi
Não é outro boi contrário
É a pobreza desta terra
E este povo no calvário.
(2008)
quinta-feira, 17 de junho de 2010
Perguntas de twitter.

Aqui algumas das grandes perguntas que a humanidade se faz desde que o homem inventou a roda. Na verdade desde que a roda ainda era quadrada.
Mas recentemente as perguntas filosóficas tiveram que ficar cada vez mais pequenininhas que é pra caberem nos twitters da vida.
Pois vejamos algumas:
Se a esperança é a ultima que morre, quem é que faz o seu enterro?
Mais heim?
Nasce um casal de gêmeos, um morre no parto, o segundo sabe apenas na fase adulta. Como ele saberá que não foi ele quem morreu e não seu irmão?
Anus hebrius ignoratus donus?
Ser ou não ser eis a questão? (versão moderna elaborada por Ricky Martin).
Se o Ganso fosse “pato” sobreviveria ao Círio de Nazaré em Belém ou teria que se refugiar e pedir ajudas pros Santos, intermediado por São Paulo?
Quem nasceu primeiro o ovo ou a omelete?
Uma reflexão filosófica profunda pra acabar: quem cavou os buracos negros? Teria sido Deus?
Ta vendo! Quem disse que não da pra filosofar na net?!
Na verdade eu acho que esse passarinho ai em cima cagou na minha cabeça!
Agora em versão para twitter também: in: http//twitter/tony_leao
PS.: atualizando:
Morreu Saramago! Se morrer o Oscar Niemeyer será o fim do "comunismo realmente existente"?
quarta-feira, 16 de junho de 2010
Sarney pra se coçar!
Agora sobre política. Em nome da coligação com o PMDB, o PT e Lula se enrolam cada vez mais na política obscura de políticos “coronéis”, tipo aqueles que governam há décadas o miserável estado do Maranhão. Isso sim é buscar Sarney pra se... ops! Quero dizer: sarna pra se coçar!
Rapidíssimas!
Rapidíssimas:
1. Sei que o tema atualmente é a copa do mundo. Os seguidores do twitter inventaram a campanha “Cala boca Galvão”. Tô de pleno acordo. Mas saindo um pouco do mundo futebolístico acho que a gente deveria inventar a campanha “Cala Boca Datena!”. Ô cara chato e conservador, sem contar que pra ele parece que o mundo todo ocorre apenas em São Paulo.
2. Agora voltando para o mundo da redondinha, convenhamos, entre Pelé, que se acha um negro com alma de branco – foi ele mesmo quem disse isso, há anos atrás – e o Maradona, que tem uma tatuagens do Guevara no braço e de Fidel na perna, quem poderíamos escolher!?
Viva Maradona, viva Cuba!

3. Lembrei que o Ministro da Saúde acertadamente disse que temos que fazer esportes e sexo pra manter uma vida mais saudável. Bom como meu único esporte é levantamento de copos e em tempo de Copa do Mundo nem futebol sequer eu jogo, o jeito é fazer sexo...!
1. Sei que o tema atualmente é a copa do mundo. Os seguidores do twitter inventaram a campanha “Cala boca Galvão”. Tô de pleno acordo. Mas saindo um pouco do mundo futebolístico acho que a gente deveria inventar a campanha “Cala Boca Datena!”. Ô cara chato e conservador, sem contar que pra ele parece que o mundo todo ocorre apenas em São Paulo.
2. Agora voltando para o mundo da redondinha, convenhamos, entre Pelé, que se acha um negro com alma de branco – foi ele mesmo quem disse isso, há anos atrás – e o Maradona, que tem uma tatuagens do Guevara no braço e de Fidel na perna, quem poderíamos escolher!?
Viva Maradona, viva Cuba!

3. Lembrei que o Ministro da Saúde acertadamente disse que temos que fazer esportes e sexo pra manter uma vida mais saudável. Bom como meu único esporte é levantamento de copos e em tempo de Copa do Mundo nem futebol sequer eu jogo, o jeito é fazer sexo...!
segunda-feira, 14 de junho de 2010
Os párias e o crack.
Todo mundo lembra da famosa “cracolândia” paulistana. No centro de São Paulo as pessoas consomem livremente crack. Todo mundo sabe, mas fingem que não vêem.
Mas não é só em São Paulo. Em Porto Alegre, por exemplo, o crake chegou com tanta força que os meios de comunicação de massa fazem campanhas fortíssimas contra o consumo da pedra, na TV e nos jornais impressos.
E não é só a grande mídia: no jornal Boca da Rua, feito por moradores de rua e portadores de HIV, que circula pelas ruas de Porto Alegre, o tema do crack é corriqueiramente discutido - já que os moradores de rua são o seu principal público consumidor.

Foto de Lúcio Távora - AG A Tarde.
Agora é Belém a bola da vez. Parece que a cidade das mangueiras já tem a sua “cracolândia” no centro da cidade. Como em São Paulo as autoridades passam, olham, mas não enxergam nada.
Será que isso ocorre pela invisibilidade dos moradores de rua?
Estes são os párias, aqueles que existem, mas não nos interessam, não queremos saber, não nos importamos...
Foda vai ser quando os “invisíveis” ficarem sem grana pra comprar a “parada” e forem pedir grana, gentilmente munidos de um “ferro”, para o pacato cidadão brasileiro mediano...
É por isso que em tempo de copa do mundo a gente só pode chegar à seguinte conclusão: o Brasil tem tudo pra ganhar a copa, o que não falta é crack nas cidades brasileiras.
Mas não é só em São Paulo. Em Porto Alegre, por exemplo, o crake chegou com tanta força que os meios de comunicação de massa fazem campanhas fortíssimas contra o consumo da pedra, na TV e nos jornais impressos.
E não é só a grande mídia: no jornal Boca da Rua, feito por moradores de rua e portadores de HIV, que circula pelas ruas de Porto Alegre, o tema do crack é corriqueiramente discutido - já que os moradores de rua são o seu principal público consumidor.

Foto de Lúcio Távora - AG A Tarde.
Agora é Belém a bola da vez. Parece que a cidade das mangueiras já tem a sua “cracolândia” no centro da cidade. Como em São Paulo as autoridades passam, olham, mas não enxergam nada.
Será que isso ocorre pela invisibilidade dos moradores de rua?
Estes são os párias, aqueles que existem, mas não nos interessam, não queremos saber, não nos importamos...
Foda vai ser quando os “invisíveis” ficarem sem grana pra comprar a “parada” e forem pedir grana, gentilmente munidos de um “ferro”, para o pacato cidadão brasileiro mediano...
É por isso que em tempo de copa do mundo a gente só pode chegar à seguinte conclusão: o Brasil tem tudo pra ganhar a copa, o que não falta é crack nas cidades brasileiras.
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