Pros man@s do Choramingando, A-Corda Bamba e Canalha. Saravá!!
- Sacumé meu cumpadi, sacumé!
- Sacumé meu cumpadi, sei cumé!
Eu tava num batuque
Lá casa do José
E apareceu aquela nêga
E eu quis saber qual é
- Sacumé meu cumpadi, sacumé!
- Sacumé meu cumpadi, sei cumé!
O batuque era de prima
Bonito isso meu cumpadi!
Eu chamei Choramingando
Que é da melhor qualidade!
- Sacumé meu cumpadi, sacumé!
- Sacumé meu cumpadi, sei cumé!
Esse gira é de malandro
A melhor dessa cidade
Então chega A-Corda Bamba
Que é batuque de verdade
- Sacumé meu cumpadi, sacumé!
- Sacumé meu cumpadi, sei cumé!
E a gira tá redonda
Gostosa de umbigá
As neguinha vão quebrando
Pra ciúmes de iá iá
- Sacumé meu cumpadi, sacumé!
- Sacumé meu cumpadi, sei cumé!
Esse baque é de embolada
De sambar de terreiro
É da criatividade
Desse povo brasileiro
- Sacumé meu cumpadi, sacumé!
- Sacumé meu cumpadi, sei cumé!
Pelo telefone eu aviso
Pro delegado se atrasar
Sacumé otoridade
A Canalha quer sambar
- Sacumé meu cumpadi, sacumé!
- Sacumé meu cumpadi, sei cumé!
Eu batuco na cidade
Na favela e no sertão
O batuque é verdadeiro
Ele é do coração
- Sacumé meu cumpadi, sacumé!
- Sacumé meu cumpadi, sei cumé!
Eu já fiz a minha parte
Pro saba ficar maneiro
Sendo assim vou dar passagem
Para os outros companheiro
Mas não esqueço a minha nega
A cabrocha do terreiro
Não leva mal camaradagem
Mas cada galo em seu poleiro
- Sacumé meu cumpadi, sacumé!
- Sacumé meu cumpadi, sei cumé!
Da melhor qualidade!!!!!!!!!!!
Blog para reflexões ludo-telúrico-etílico-filosófico-poético-existenciais, ou seja, pra falar tudo que mim comigo mesmo gostaria de falar. Mas todos serão bem vindos!
terça-feira, 12 de julho de 2011
segunda-feira, 11 de julho de 2011
Maria e José: a luta é o que a vida é!
estas com sede, homem,
sede de justiça,
sede de fé?
beba a vida
antes que a vida lhe coma o pé!
- e não caminhes, nem se quer levante.
coma a vida.
ande José!
estas com fome, mulher,
com fome de dignidade
com fome de fraternidade?
coma a vida, antes que ela lhe coma a fé.
beba a vida, lamba, lambuse-a, mulher!
- Maria tome a vida, tome a vida José!
sois com sede e com fome, homem,
mulher?
tome a vida!
tome a terra!
tome a dignidade!
faça a fé!
tome tudo !
pois a vida é a luta
a luta é o que a vida é!
sede de justiça,
sede de fé?
beba a vida
antes que a vida lhe coma o pé!
- e não caminhes, nem se quer levante.
coma a vida.
ande José!
estas com fome, mulher,
com fome de dignidade
com fome de fraternidade?
coma a vida, antes que ela lhe coma a fé.
beba a vida, lamba, lambuse-a, mulher!
- Maria tome a vida, tome a vida José!
sois com sede e com fome, homem,
mulher?
tome a vida!
tome a terra!
tome a dignidade!
faça a fé!
tome tudo !
pois a vida é a luta
a luta é o que a vida é!
Samba do malandro antigo
Letra minha e música de Osvaldo Santos
Malandro antigo
que vaga cabisbaixo
debaixo dos olhos
a história que restou
malandro coitado
só tem o consolo
do samba da baixa
que vez em quando encaixa
tuas histórias de amor
malandro agora
os tempos são outros
nem mesmo a dura
os home, a coça
se quer se importam
com um malandro assim
mas doce malandro
levante a cabeça
e antes que pereça confie em mim
confia nos moços
no samba sambando
mulata dançando
navalhas no ar
nos dias de hoje
malandro amigo
maior malandragem
não é só lembrar
pois samba não morre
não morre o molejo, a ginga, o gracejo
do velho malandro
confia nos moços
que do fundo do poço
já podes ouvir
um samba chegando
cadencia, gingando
e o riso malandro
de novo fulgir
Malandro antigo
que vaga cabisbaixo
debaixo dos olhos
a história que restou
malandro coitado
só tem o consolo
do samba da baixa
que vez em quando encaixa
tuas histórias de amor
malandro agora
os tempos são outros
nem mesmo a dura
os home, a coça
se quer se importam
com um malandro assim
mas doce malandro
levante a cabeça
e antes que pereça confie em mim
confia nos moços
no samba sambando
mulata dançando
navalhas no ar
nos dias de hoje
malandro amigo
maior malandragem
não é só lembrar
pois samba não morre
não morre o molejo, a ginga, o gracejo
do velho malandro
confia nos moços
que do fundo do poço
já podes ouvir
um samba chegando
cadencia, gingando
e o riso malandro
de novo fulgir
domingo, 10 de julho de 2011
Um
Um lírio
Uma casa
Um arredar
Um mover o móvel
Um esculpir o inexistente
Um roer
Um roer
Um fazer coisa
Uma coisa
Uma coisinha
Uma zinha
Uma nhá
Um a
Um
Uma casa
Um arredar
Um mover o móvel
Um esculpir o inexistente
Um roer
Um roer
Um fazer coisa
Uma coisa
Uma coisinha
Uma zinha
Uma nhá
Um a
Um
segunda-feira, 4 de julho de 2011
Tecno-brega
Tum-tum tá
Tum-tum tá
Tum-tum tá
Tum-tum ta
“3, 50 R$ o recarregador novinho na TF, mas até 3 R$ morre!”
Tem sansungue, tem éle gê, tem até disco antigo do Pinduca,
Mas se quiser peixe frito, tem na barraca perto do mercado
“me dá 10 no tecrado, que a gente negocia!”
“1 real o DVD!”
hoje saí pra namorar a cidade
em todas suas facetas
suas gretas
ruelas
paisagens
sarjetas
quero revirar seu intestino-esgoto
no baixo meretrício
no porto
quero ver as criancinhas brancas
de classe média e alta
entrando nos carros com ar condicionado
serei o garoto que vende bala
tostando no asfalto
o capacete do carona do moto-taxista é quente, cheira e suor e é empoeirado,
mas é mais barato e passa por entre os carros
a única desvantagem é que não da pra ouvir música alta
o amarelo da blusa do moto-taxista brilha no sol das três da tarde,
na hora que as meninas de calça coladíssima e bucho aparecendo (tudo provocado pelo consumo excessivo de farinha, provavelmente!) estão no intervalo de aula do Brigadeiro Fontenelle
elas inventaram uma nova moda...
que povo criativo esse...
serei o tio do cafezinho
na esquina da escola
quero o belo e o feio destas ruas
fazer Cooper na Avenida Tucunduba
ou na Praça Batista Campos?
o que fazer com o vendedor de balas
que não deixaram entrar no coletivo?
o que ele gritava, quase chorando, bufando, quase morrendo?
era câncer-vida,
vida-desespero,
vida-dor?
câncer-câncer!
quero visitar os palacetes,
as telas-mito de nossa origem
os vultos
nossos grandes defuntos
- não os pobres viventes –
impávidos colossos sorridentes
Tum-tum tá
Tum-tum tá
Tum-tum tá
Tum-tum ta
quero-me ver refletido em toda a cidade
na vidraçaria da Estaca das Docas
nas valetas, canais e poças
nos igarapés, esgotos
vou tomar banho de maré com as crianças
da Terra Firme
ouvindo tecno-brega em alto volume...
terra-firme-praça-até-o-tucumduba!
terra-firme-praça-até-o-tucumduba!
terra-firme-praça-até-o-tucumduba!
terra-firme-praça-até-o-tucumduba!
Guamá-até-o-clipe!
Guamá-até-o-clipe!
Guamá-até-o-clipe!
terra-firme-praça-até-o-tucumuamá-até-o-clipe-1,50-R$!-só-1,50R$-freguesa!
Aceita-meia?Mas-ansim-mano!ai-tu-já-qué-falí-a-empresa!-terra-firme-praça-até-o-tucumduba!
terra-firme-praça-até-o-tucumduba! Guamá-até-o-clipe! Guamá-até-o-clipe!
Tum-tum tá
Tum-tum tá
Tum-tum tá
Tum-tum ta
mataram 3 na ligação só no domingo!
Três horas da tarde o sol esquenta, o asfalto ferve, o sol esquenta a costa morena do transeunte e o vapor exala!
cerveja a 1 real até a meia noite!
fotografei a cidade com meus versos
pintei suas ruas com meu canto
ouvi a partitura de seu pranto
em um menino que vendia balas
e transcrevi a sua cara
o seu espanto e desalento:
- um miserável que espera em silêncio
esperaria um poema abstrato?
esperaria comida no prato?
esperaria socorro somente?
ou um trocado pra fazer a cabeça?
uma “parada” pra consumir a mente!
contudo, observo, antes que eu esqueça
que este poema não mudou nada
em sua vida desgraçada!
e nem se quer em alegria
termina a merda desta poesia!
Todo dia tem!
Tum-tum tá
Tum-tum tá
Tum-tum ta
“3, 50 R$ o recarregador novinho na TF, mas até 3 R$ morre!”
Tem sansungue, tem éle gê, tem até disco antigo do Pinduca,
Mas se quiser peixe frito, tem na barraca perto do mercado
“me dá 10 no tecrado, que a gente negocia!”
“1 real o DVD!”
hoje saí pra namorar a cidade
em todas suas facetas
suas gretas
ruelas
paisagens
sarjetas
quero revirar seu intestino-esgoto
no baixo meretrício
no porto
quero ver as criancinhas brancas
de classe média e alta
entrando nos carros com ar condicionado
serei o garoto que vende bala
tostando no asfalto
o capacete do carona do moto-taxista é quente, cheira e suor e é empoeirado,
mas é mais barato e passa por entre os carros
a única desvantagem é que não da pra ouvir música alta
o amarelo da blusa do moto-taxista brilha no sol das três da tarde,
na hora que as meninas de calça coladíssima e bucho aparecendo (tudo provocado pelo consumo excessivo de farinha, provavelmente!) estão no intervalo de aula do Brigadeiro Fontenelle
elas inventaram uma nova moda...
que povo criativo esse...
serei o tio do cafezinho
na esquina da escola
quero o belo e o feio destas ruas
fazer Cooper na Avenida Tucunduba
ou na Praça Batista Campos?
o que fazer com o vendedor de balas
que não deixaram entrar no coletivo?
o que ele gritava, quase chorando, bufando, quase morrendo?
era câncer-vida,
vida-desespero,
vida-dor?
câncer-câncer!
quero visitar os palacetes,
as telas-mito de nossa origem
os vultos
nossos grandes defuntos
- não os pobres viventes –
impávidos colossos sorridentes
Tum-tum tá
Tum-tum tá
Tum-tum tá
Tum-tum ta
quero-me ver refletido em toda a cidade
na vidraçaria da Estaca das Docas
nas valetas, canais e poças
nos igarapés, esgotos
vou tomar banho de maré com as crianças
da Terra Firme
ouvindo tecno-brega em alto volume...
terra-firme-praça-até-o-tucumduba!
terra-firme-praça-até-o-tucumduba!
terra-firme-praça-até-o-tucumduba!
terra-firme-praça-até-o-tucumduba!
Guamá-até-o-clipe!
Guamá-até-o-clipe!
Guamá-até-o-clipe!
terra-firme-praça-até-o-tucumuamá-até-o-clipe-1,50-R$!-só-1,50R$-freguesa!
Aceita-meia?Mas-ansim-mano!ai-tu-já-qué-falí-a-empresa!-terra-firme-praça-até-o-tucumduba!
terra-firme-praça-até-o-tucumduba! Guamá-até-o-clipe! Guamá-até-o-clipe!
Tum-tum tá
Tum-tum tá
Tum-tum tá
Tum-tum ta
mataram 3 na ligação só no domingo!
Três horas da tarde o sol esquenta, o asfalto ferve, o sol esquenta a costa morena do transeunte e o vapor exala!
cerveja a 1 real até a meia noite!
fotografei a cidade com meus versos
pintei suas ruas com meu canto
ouvi a partitura de seu pranto
em um menino que vendia balas
e transcrevi a sua cara
o seu espanto e desalento:
- um miserável que espera em silêncio
esperaria um poema abstrato?
esperaria comida no prato?
esperaria socorro somente?
ou um trocado pra fazer a cabeça?
uma “parada” pra consumir a mente!
contudo, observo, antes que eu esqueça
que este poema não mudou nada
em sua vida desgraçada!
e nem se quer em alegria
termina a merda desta poesia!
Todo dia tem!
terça-feira, 28 de junho de 2011
A estética da pirataria
o Brega,
o plágio,
a pirataria,
o barulho,
o batom forte e vermelho nos lábios,
o suor caindo nas costas dos dançantes,
o barulho das aparelhagens, o excesso,
a plebe dançando,
suada,
negros,
mestiços,
mamelucos,
cafuzos,
caburés,
caboclos,
curibocas,
desordeiros,
violentos,
baderneiros,
bebuns,
festeiros,
mal educados,
feios,
as gostosas da periferia,
os da periferia,
a estética da pirataria,
as feiras,
o caos,
a baderna,
a desordem,
o não branco,
o não burguês,
aquele que não vai à vernissages de artes plásticas, fotos contemporâneas. Só vê as fotos das manchetes de folhetins das mortes da semana,
os não limpos,
os banguelas,
os que vão morrer cedo,
a ralé,
a canalha,
a choldra,
confusão de gente ordinária,
salgalhada,
a estética do feio,
a estética do plágio,
a estética sem estética,
a estética gafieira,
a estética perfume da Coty,
a estética da dentadura,
a estética da rapadura,
a estética da patusca,
a estética da pirataria,
a ralé na era de sua reprodutibilidade técnica,
os alienados,
aqueles que não são nem mercado,
nem elite intelectual com seus gostos refinados,
aqueles que não sentam no bar pra ouvir Bossa Nova,
a estética Terra Firme, Guamá, Jurunas, Pedreira, Condor, Paar, Benguí, baixada, favela, “Carlos Marighela”, “Che Guevara”,
boteco,
tasca,
charque frito e gorduroso,
peixe frito com açaí,
estética jabá,
estética da pirataria,
que é tudo e não é nada,
que é subversiva e vai selecionar por baixo, a parti de baixo o que é e o que não é belo,
sem “vanguardismos babacas” e pequeno-burgueses, das elites intelectuais,
estética ralé,
a estética rua,
a estética praça,
estética patusca,
a estética canalha!!!
Devoremos Flami-n’-assú de Abguar Bastos; devoremos Antropofagia de Oswald de Andrade, devoremos o Brega, o Tecno-Brega, transformemos Waldemar Henrique em Tecno-Brega, assim como Waldemar Henrique transformou o popular, o “folclore” em música erudita. Ou por outro lado não devoremos o erudito, por que temo que devorá-lo? Por que temos que ser cultos e refinados? Sejamos o que quisermos, sejamos a ralé, que pirateia, plagia, imita, inventa, cria, reproduz, faz e desfaz à vontade o que quer com o que quer, sem se preocupar com refinamentos e valores estéticos higiênicos. Todos podem ser ídolos, tanto que sejam do caos! (Disse Hesíodo: “Bem primeiro nasceu Caos...”)
Que a ralé coma o belo,
o limpo,
a ordem,
o silêncio,
o polido e delicado,
o burguês,
façamo-los o feio,
o sujo,
a desordem,
o barulho,
o rude e áspero,
o proletário,
a revolução na política e na estética,
a ralé,
a política, a subversão,
o sub-verso da versão e da seleção do que é e não é belo. Criemos nossa própria estética, a estética do caos,
a estética da pirataria!!
Façamos a ode - desconexa - à pirataria
Festejemos ao ócio, a patusca!
Festejemos a desordem!
Festejemos o caos!
Festejemos a pirataria!
*Fiz este texto há uns 5 anos atrás e mostrei a alguns amigos ligados ao mundo da arte. Ninguém gostou ou pelo menos não disseram nada, sei lá.
Naquele momento refletia sobre a cultura contemporânea local e a condição da arte que vai da periferia ao centro. O Manifesto de certa maneira é uma expressão do que já ocorria com o tecnobrega e suas varias vertentes e a aproximação de setores médios da sociedade a este produto cultural.
Acreditava naquela época que a vanguarda da cultura contemporânea no Pará e no Norte do Brasil estava na música e não na literatura. Continuo pensando a mesma coisa!
Penso que a literatura deve se aproximar de uma realidade concreta, a coisa que ocorre nas periferias das cidades da Amazônia, sobretudo em Belém. Porém não faz isso em boa parte por está em um nível do “eu lírico” alienado da realidade, alienado de uma cultura fragmentaria, fragmentada e que tem a expressão maior na pirataria, um processo em construção – pra onde vai? Não tenho a menor idéia!
A matéria prima da poesia deve ser a realidade circundante – a dura realidade fragmentada da Amazônia – enquanto isso não ocorre acho que temos uma separação entre o poético e o político!
o plágio,
a pirataria,
o barulho,
o batom forte e vermelho nos lábios,
o suor caindo nas costas dos dançantes,
o barulho das aparelhagens, o excesso,
a plebe dançando,
suada,
negros,
mestiços,
mamelucos,
cafuzos,
caburés,
caboclos,
curibocas,
desordeiros,
violentos,
baderneiros,
bebuns,
festeiros,
mal educados,
feios,
as gostosas da periferia,
os da periferia,
a estética da pirataria,
as feiras,
o caos,
a baderna,
a desordem,
o não branco,
o não burguês,
aquele que não vai à vernissages de artes plásticas, fotos contemporâneas. Só vê as fotos das manchetes de folhetins das mortes da semana,
os não limpos,
os banguelas,
os que vão morrer cedo,
a ralé,
a canalha,
a choldra,
confusão de gente ordinária,
salgalhada,
a estética do feio,
a estética do plágio,
a estética sem estética,
a estética gafieira,
a estética perfume da Coty,
a estética da dentadura,
a estética da rapadura,
a estética da patusca,
a estética da pirataria,
a ralé na era de sua reprodutibilidade técnica,
os alienados,
aqueles que não são nem mercado,
nem elite intelectual com seus gostos refinados,
aqueles que não sentam no bar pra ouvir Bossa Nova,
a estética Terra Firme, Guamá, Jurunas, Pedreira, Condor, Paar, Benguí, baixada, favela, “Carlos Marighela”, “Che Guevara”,
boteco,
tasca,
charque frito e gorduroso,
peixe frito com açaí,
estética jabá,
estética da pirataria,
que é tudo e não é nada,
que é subversiva e vai selecionar por baixo, a parti de baixo o que é e o que não é belo,
sem “vanguardismos babacas” e pequeno-burgueses, das elites intelectuais,
estética ralé,
a estética rua,
a estética praça,
estética patusca,
a estética canalha!!!
Devoremos Flami-n’-assú de Abguar Bastos; devoremos Antropofagia de Oswald de Andrade, devoremos o Brega, o Tecno-Brega, transformemos Waldemar Henrique em Tecno-Brega, assim como Waldemar Henrique transformou o popular, o “folclore” em música erudita. Ou por outro lado não devoremos o erudito, por que temo que devorá-lo? Por que temos que ser cultos e refinados? Sejamos o que quisermos, sejamos a ralé, que pirateia, plagia, imita, inventa, cria, reproduz, faz e desfaz à vontade o que quer com o que quer, sem se preocupar com refinamentos e valores estéticos higiênicos. Todos podem ser ídolos, tanto que sejam do caos! (Disse Hesíodo: “Bem primeiro nasceu Caos...”)
Que a ralé coma o belo,
o limpo,
a ordem,
o silêncio,
o polido e delicado,
o burguês,
façamo-los o feio,
o sujo,
a desordem,
o barulho,
o rude e áspero,
o proletário,
a revolução na política e na estética,
a ralé,
a política, a subversão,
o sub-verso da versão e da seleção do que é e não é belo. Criemos nossa própria estética, a estética do caos,
a estética da pirataria!!
Façamos a ode - desconexa - à pirataria
Festejemos ao ócio, a patusca!
Festejemos a desordem!
Festejemos o caos!
Festejemos a pirataria!
*Fiz este texto há uns 5 anos atrás e mostrei a alguns amigos ligados ao mundo da arte. Ninguém gostou ou pelo menos não disseram nada, sei lá.
Naquele momento refletia sobre a cultura contemporânea local e a condição da arte que vai da periferia ao centro. O Manifesto de certa maneira é uma expressão do que já ocorria com o tecnobrega e suas varias vertentes e a aproximação de setores médios da sociedade a este produto cultural.
Acreditava naquela época que a vanguarda da cultura contemporânea no Pará e no Norte do Brasil estava na música e não na literatura. Continuo pensando a mesma coisa!
Penso que a literatura deve se aproximar de uma realidade concreta, a coisa que ocorre nas periferias das cidades da Amazônia, sobretudo em Belém. Porém não faz isso em boa parte por está em um nível do “eu lírico” alienado da realidade, alienado de uma cultura fragmentaria, fragmentada e que tem a expressão maior na pirataria, um processo em construção – pra onde vai? Não tenho a menor idéia!
A matéria prima da poesia deve ser a realidade circundante – a dura realidade fragmentada da Amazônia – enquanto isso não ocorre acho que temos uma separação entre o poético e o político!
domingo, 26 de junho de 2011
Encerramento Boi da Terra.
É isso ai meu car@s, Boizinho da Terra encerra oficialmente suas atividades este ano - apesar de que durante o ano todo ainda ocorrerão oficinas e eventos com a comunidade. Tivemos a honra de contar com a presença, no encerramento, de Nazaré Pereira, trazida por nosso grande companheiro Adilson Alcantara, e obviamente com todos nossos amigos de sempre: Extremo Norte Movimento Literário, Bloco da Canalha, Grupo Choramingando, Eli e grupo de teatro do bairro, nosso violeiro Eliezer Aviz e toda a comunidade da TERRA FIRME. O nosso Boizinho da Terra agradece a todas e a todos pela presença, àqueles que não puderam ir agradecemos e lembramos que ano que vem tem mais. É periferia de Belém mostrando que existe muito mais do que violência na cidade, existe também beleza, alegria e COMUNIDADE!. Um grande abraço!!!!
sábado, 25 de junho de 2011
Boi da Terra
Amanhã último dia do Boi da Terra. Vamos!
Meu boi chegou
Tony Leão
Meu boi chegou
Pra enfeitar o seu terreiro
alegrar nosso cortejo
esquentar o batalhão
meu boi chegou
renovando as suas fitas
afinou suas barricas
com alegria e devoção
2 x
este boi é de ouro sim senhor
ele é meu tesouro, sim senhor
e alegra o subúrbio na festa de São João
2x
Batuca Boi da Terra
Põe suing na canção
Retumba no compasso
Cantando e encantando a multidão
Meu boi chegou
Tony Leão
Meu boi chegou
Pra enfeitar o seu terreiro
alegrar nosso cortejo
esquentar o batalhão
meu boi chegou
renovando as suas fitas
afinou suas barricas
com alegria e devoção
2 x
este boi é de ouro sim senhor
ele é meu tesouro, sim senhor
e alegra o subúrbio na festa de São João
2x
Batuca Boi da Terra
Põe suing na canção
Retumba no compasso
Cantando e encantando a multidão
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