sexta-feira, 23 de julho de 2010

"Alô nação jurunense!"

Ainda não fiz nenhuma indicação de leitura neste blog, até mesmo porque ultimamente tenho lido muito mais coisas acadêmicas (e ás vezes um pouco chatas!) do que coisas literárias (e supostamente mais prazerosas). Mas faço agora.
Quem tiver interesse em ler um excelente trabalho antropológico sobre a cidade de Belém de uma maneira geral, mas mais especificamente sobre um dos bairros mais populares da cidade (populares em todos os sentidos possíveis), o Jurunas, não perca tempo em recorrer a “Vem do bairro do Jurunas” de Carmen Izabel.

É fruto de uma tese de doutorado, mas de uma maneira geral, se vocês puderem suportar uma ou outra discussão mais teórica e especializada, tem uma linguagem muito gostosa.
Fala sobre a história do bairro, as manifestações da cultura popular e da religiosidade popular, e principalmente do cotidiano e das sociabilidades dos migrantes (pessoas do interior do estado que moram no Jurunas) na sua luta por conquistar a cidade!
Obviamente que não poderia deixar de falar da maneira jurunense de ser no mundo, afinal como todos sabem (aliás, todos de Belém) o Jurunas é uma “nação” e não um bairro! Tem destaque especial a vida cultural do bairro, as festas e o carnaval, onde se realça o “Rancho não posso me amofiná”, mais antiga escola de samba de Belém e a 4ª mais antiga do Brasil!
Boa leitura a todos!

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Para o MST!

Bandeiras
Balançam
Em corpos vermelhos
Bandeiras andanças
Bandeiras
Espelhos
Estradas
Caminhos
Caminhas
Caminhar
Bandeiras
Vermelhas
Num longo esperar!
“Ocupar, resistir, produzir!”
(16 de janeiro de 2009)

Sobre reportagem da Rede Globo sobre a Amazônia urbana!

Finalmente uma reportagem sobre a Amazônia que mostrou a fala dos agentes (pesquisadores, políticos, etc.) da região! Geralmente escolhe-se um intelectual de fora quando existe uma produção científica local muito importante. Nada contra os pesquisadores de fora, mas deve-se (re)conhecer os pesquisadores do NAEA (UFPA), UFAM, Mus. Goeldi e tantos outros centros de produção acadêmica sobre a região, na/da região.
Lembro que é a segunda vez que a Globo dá uma dentro em relação a Amazônia (e olha que a priori sou sempre contra esta emissora conservadora!). A primeira vez, que lembro, foi em uma matéria que foi exibida creio que no Fantástico, a tempos atrás, onde o repórter Pedro Bial falava sobre a floresta e aquela coisa toda repetitiva e estereotipada, mas, para surpresa de todos, começou a falar da casa de Benedito Nunes, que pra quem não sabe é um dos mais importantes filósofos do Brasil e da América Latina.
Foi interessante pra desmistificar um pouco aquela visão de Amazônia como apenas e exclusivamente uma floresta ameaças e com caboclos com moto-serra na mão. A Amazônia é isso também, e a questão ambiental é fundamental, mas não é só isso (também): é um espaço de reflexão, de arte, de poesia, de modernidade (é heterogênea como todo lugar!).
Vamos ver se a série da Globo sobre a Amazônia urbana vai mostrar isso também!

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Ficha Limpa no Pará!


Não custa nada lembrar todo mundo que a Lei da Ficha Limpa já colocou um bocado de gente no "Limbo" eleitoral. No Pará até agora são: Jader Barbalho, Delvani Santos, Emerson Monsef, Everaldo Nunes, Genivaldo Araújo, José Fernandes de Barros (Zé Ferragista), Luiz Sefer, José Roberto da Costa Martins, Luiz Furtado Rebelo, Mário Corrêa, Marlio Teles, Nadir Neves, Nelito Lopes, Neuton Souza, Paulo Rocha, Raimundo Santos, Roselito Soares e Sebastião Neto.
O TRE tem até o dia 5 de agosto pra dar a última decisão, é bom todo mundo ficar ligado! Ainda tem chances de esse povo todo, ou quem sabe os mais poderosos, saírem de fininho em alguma brecha da lei.
Sabemos que no Brasil infelizmente as coisas são mais fáceis pra quem tem muita grana pra pagar os melhores advogados.
Quem imaginaria que figuras como Jader Barbalho, Luiz Sefer e Paulo Rocha iam ficar nesta!
Cabe fiscalizarmos pra fazer a “Ficha Limpa” Valer!

domingo, 18 de julho de 2010

Saudade dos anos 80/90.


Nervermind: Clássico do anos 90.

É curioso perceber que depois dos anos 60, depois dos Beatles, Stones, maio de 1968, etc., todas as gerações subseqüentes elegem uma década pra se identificar.
Por exemplo, a geração de Roberto Carlos e Cia. é vista como a geração 60; a geração de Ney Mato Grosso e Cia. é vista como geração 70; a geração de Cazuza, Renato e Cia. é vista como geração 80; a turma do Nação Zumbi, Cássia Eller, Nirvana e Cia. é vista como geração 90; Los Hermanos e Cia., geração 2000 (creio eu!).
O certo é que todo mundo, obviamente, se não morrer com dez anos de idade, vai ter vivido mais de uma década. Ao que parece a fase da adolescência e das descobertas da vida jovem é que define a geração de cada um. Seria mais ou menos assim: entre os 12 aos 25, mais ou menos, com variações para cada indivíduo, defini-se a geração cultural-musical da pessoa.
Pra mim que nasci em 78, sempre fiquei entre a década de 80 e 90, fiquei no meio termo. Peguei um pouquinho, o finalzinho, a rebarba do que seriam os anos 80 efervescentes e bastante dos 90.

Chico Science, renovação do rock nacional dos anos 90.

Mas parece-me que na verdade a década de 80, na música pop rock brasileira, foi tão forte, que todo mundo, mesmo os que viveram muito mais a década de 90, como eu por exemplo, tem a década de Cazuza, Renato Russo, Lobão (que na verdade é um pouquinho mais velho!), Arnaldo Antunes, etc., como modelo, ou inspiração, ou padrão ou sei lá o que.
Creio que a prova cabal disso esta na roupa e não na música. Quem tiver fotos dos anos 90, entre 1991 e 1995/6, poderá verificar por si mesmo que as pessoas ainda se vestiam mais ou menos como nos anos 80, em meados da década seguinte.
A década de 90, que como todo os período apresentou excelentes artistas na música, ainda peleja pra construir uma cara própria, mais homogênea (se é que é possível – inventar um tradição em termos técnicos!).

Cassia Eller, entre os malditos e o pop nacional.

Bom, mas seja como for, o fato é mais ou menos o seguinte: eu acredito que quando chegamos à casa dos 30 e uns trocados começamos a pensar que talvez já estejamos na metade da vida (claro que isso é apenas uma possibilidade, pois podemos morrer até com 100 anos, em tese). Daí que começamos a ter saudade das coisas que vivemos na adolescência/juventude, e de coisas que achamos que vivemos, que nossos amigos viveram, que queríamos ter vivido, que inventamos pra nós mesmo que vivemos, etc. Daí passamos a inventar nossa memória e nossa geração cultural/musical.
Eu já tô nessa!
Estes dias já comecei a pensar em fazer uma festa dos anos 90 (mas com aquele toque ainda de 80!) e reunir a galera das “antigas”, pra conversarmos e falarmos mal de nós mesmo, é claro.
Por enquanto fico eu cá com os meus botões, se fizer a festa aviso a todos vocês.

sábado, 17 de julho de 2010

Twittando a política alheia!



Dizem que ficha suja de Jader Barbalho (PMDB- PA) é tão grande que não caberia em um twitter, nem num blog! Ficha limpa nele!

MPF impugnou candidaturas de Sefer (acusado de pedofilia), Paulo Rocha (acusado de mensaleiro) e Barbalho (acusado de tudo que for possível).

Com 14 partidos na coligação @PT_Para só podemos esperar um futuro governo de centro-esquerda-direita volver!? Antes era bem mais simples!

Direção perigosa: é quando o motorista vota em transito, no candidato errado (José Serra)!

Foi aprovado o voto em transito. Agora o paulistano vai poder votar pra presidente mesmo no engarrafamento!

Cidade.

fotografei a cidade com meus versos
pintei suas ruas com meu canto
ouvi a partitura de seu pranto
em um menino que vendia balas
e transcrevi a sua cara
o seu espanto e desalento:
- um miserável que espera em silêncio
esperaria um poema abstrato?
esperaria comida no prato?
esperaria socorro somente?
ou um trocado pra fazer a cabeça?
uma “parada” pra consumir a mente!
contudo, observo, antes que eu esqueça
que este poema não mudou nada
em sua vida desgraçada!
e nem se quer em alegria
termina a merda desta poesia!
(16 de janeiro de 2009)

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Falando muito sério e com indignação!

Estava eu lá na “bucólica”, que pra quem não sabe é praia de Mosqueiro, em Belém do Pará, e eis que surgiu novamente o tema da redução da maioridade penal. Aquele papo todo: “só tem direitos humanos pra bandido!”, “o menor na verdade sabe o que faz!”, etc. etc.
Bom, já falei aqui neste blog o que acho disso, quem não leu é só procurar nas postagens antigas. Pra não ficar repetitivo quero apenas lembrar uma reportagem que eu assistir hoje no jornal do SBT de Belém:
Três crianças de 3, 4 e 5 anos (mais ou menos nestas idades) foram encontradas em um barraco em um bairro de periferia da cidade. O barraco era usado, ao que tudo indica, para tráfico de drogas. Foram encontrados cachimbos de craque, cocaína e outros instrumentos do tipo. A casa era “muito engraçada”: não tinha teto, não tinha nada! Ironia à parte a casa tinha telhas furadas, um plástico que impedia precariamente a chuva de cair dentro do imóvel, lixo espalhado por todos os lados (não estou usando linguagem simbólica meus caros!), não tinha assoalho, não tinham comida, apenas um cachorro sarnento (que creio eu não tinha envolvimento com o tráfico!). Suspeita-se que os moradores recebiam comida para permitir que os traficantes usassem o lugar.
Bom, resumindo: as crianças foram levadas para o conselho tutelar, que as direcionou para abrigos, e aquela coisa toda que todos nós já sabemos de tanto vermos casos como esses.
Moral da história, melhor dizendo, imoral da história: será que crianças vivendo em condições sociais tão desumanas, desiguais e excluídas de todos os direitos e todos os cuidados mínimos que um cidadão (e principalmente crianças!) deveriam ter, têm chances de ter uma vida distante do crime, da prostituição, do abandono, etc.?
Vou repetir a pergunta em letras garrafais para aqueles que têm algum tipo de miopia (inclusive aqueles que têm miopia ideológica):

SERÁ QUE CRIANÇAS VIVENDO EM CONDIÇÕES SOCIAIS TÃO DESUMANAS, DESIGUAIS E EXCLUÍDAS DE TODOS OS DIREITOS E TODOS OS CUIDADOS MÍNIMOS QUE UM CIDADÃO (E PRINCIPALMENTE CRIANÇAS!) DEVERIAM TER, TÊM CHANCES DE TER UMA VIDA DISTANTE DO CRIME, DA PROSTITUIÇÃO, DO ABANDONO, ETC.?

Quero lembrar apenas que a maioria (É OBVIO QUE NÃO TODOS – MAS A GRANDE MAIORIA!) dos menores infratores que saem roubando e matando mundo a fora tiveram uma infância parecida ou similar a estas três crianças da matéria. Que chances eles tiveram ou terão na vida? A mesma de uma criança que tem escola, lazer, alimentação saudável, amor, carinho, atenção, dignidade?
Reduzir a maioridade penal é o mesmo que aceitar que o pobre tem culpa de ser pobre; que o aidético é promiscuo e “bicha” e por isso está doente; que os “caboclos” são preguiçosos por natureza; que a seca do nordeste é culpa dos próprios miseráveis que moram lá; que a mulher foi estuprada porque quis, usou roupa indecente, provocou os homens; que mulher apanha do marido simples e puramente porque quer.
Crime sempre existiu e sempre existirá, mas a sociedade e o Estado têm que antes de tudo proteger o indefeso para que ele não se torne o criminoso de amanhã. O menor infrator de hoje (cruel, malvado, violento, covarde, bárbaro, etc.) em grande parte foi ontem a criança excluída, humilhada, jogada à rua, maltratada, espancada, violentada, e pouco assistida pelas autoridades que deveriam evitar isso!
Reduzir a maioridade penal é aceitar a violência contra os pobres antes de tudo, é aceitar o discurso higienizador da elite que não gosta de ver “pivetes” na rua, nos sinais, assaltando, por simples e pura defesa de sua (de sua classe, frações de classes, etc!) segurança. É aceitar que a história já acabou, pois não temos coragem de lutar para a modificação das verdadeiras e anteriores causas da violência urbana.
E vejam bem: não estou defendendo falta de punição para ninguém, estou apenas argumentando o que há por trás desta violência toda!
Fico indignado com isso tudo e acho que ficar indignado é o mínimo que devemos fazer!

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Consumir.


Crédito da foto: www.estadao.com.br/blogs/

Pago a conta
Meto fiado
Se não tiver dinheiro
Uso cartão
Dou calote
Compro a retalho
Uso dinheiro
Se não tiver talão.
Uso dinheiro, uso papel
Uso moeda, uso metal
Ouro, prata, o que tiver
Se não posso parar
Parar de consumir
Parar de consumir
Com sumir
Com sumir
Sumir
Sumir com
Consumir
Consumir.

(Abril de 2006)

Consumação.

Para a certeza
A dúvida
Para a dúvida
Indecisão
Para comer
Comida
Para a comida
A mão
Para parar
A morte
Para andar
Caixão
Para o tudo
Nada
Para o nada
Não
Para beber
Álcool
Para o álcool
Combustão
Para mim
Tu
Para nós
Consumação

(Dezembro de 2006)