quarta-feira, 21 de maio de 2014

O reaça diz: não há racismo, somostod@smacacos. 
Mas, sabe-se que entre os “iguais” (humanos e bichos) “alguns são mais iguais que os outros”.

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Campanha #somostodoshomensplaca:

Essa foto é a prova definitiva de que no Brasil além de não existir esse negócio de racismo (já que ‪#‎somostodossereshumanos), o pouco que existia foi eliminado de uma vez por todas por campanhas criativas e bondosas como aquela do ‪#‎somostodosmacacos. Campanhas que inclusive geraram empregos e dignidade para os nossos escravos, ops, quero dizer, para os nossos negros...
Aguardem, logo logo empresários e jogadores brasileiros ligados ao terceiro setor lançarão a campanha: "Somos todos homens-placas".
Não vejo a hora de adquirir a minha camiseta.
(SQN)






#AFlorestaVaiGritar!

Texto a seguir foi extraído do site da campanha, acesse e contribua AQUI



No dia 24 de maio de 2011, dois pistoleiros mataram os ambientalistas Zé Cláudio e Maria. Eles foram julgados, mas os mandantes continuam soltos. Essa vaquinha é para ajudar a família a fazer uma grande mobilização dentro do assentamento onde eles viviam e lutar por justiça!
Zé Cláudio e Maria dedicaram suas vidas para proteger a Amazônia. Eles amavam a floresta e queriam garantir esse legado para as gerações futuras.
Zé Cláudio uma vez disse: "Se uma árvore morre, eu planto outra. Porque no dia em que eu me for, vai ficar minha continuidade. E virão outras pessoas que querem a mesma coisa (Floresta) que tenho hoje."
Esses heróis denunciavam aqueles que queriam destruir a floresta. Zé Claudio e Maria eram a voz da Floresta.
Aqueles que mataram Zé Cláudio e Maria tentaram calar essa Voz.
Mas o legado deles ficou e a #AFlorestaVaiGritar!
Seu apoio é fundamental. Junte-se aqueles que lutam pela floresta e que no dia 24 de maio de 2014 gritarão junto da Majestade, a grande castanheira que Zé Cláudio e maria amavam: Viva a Floresta!

Quem somos:
Familiares de Zé Cláudio e Maria: Claudelice Santos, irmã de Zé Cláudio; Clara Santos, sobrinha de Zé Cláudio e Laisa Sampaio, irmã de Maria. Junto com a Comissão Pastoral da Terra.

Como faremos:
A família, a Comissão Pastoral da Terra e organizações locais estão organizando um grande mutirão para reconstruir a casa e o lote para receber os visitantes. Queremos fazer um grande ato para reunir forças, apoio das outras famílias extrativistas, e transformar o local de vida deles em um símbolo.
Os custos desse projeto são essenciais para permitir essa mobilização. Vamos receber pessoas que vivem com poucos recursos e dificuldades para o transporte e alimentação, mas gente corajosa e dedicada a defender a floresta.
O nome dos apoiadores será escrito em um muro na entrada da casa e agradecido nas redes sociais.
#VivaZéCláudioeMaria!

Minha twittada de hoje.

O que seria de nós sem o Diabo? Como viveríamos tendo que aceitar que boa parte dos erros são de nossa única e exclusiva responsabilidade?!

(No twitter)

Ciclovia "Casa da Mãe Joana".

Toda rua tem nome, não é mesmo? Pensando nisso me surgiu a ideia de batizar também uma ciclovia. A da Av. Mundurucus, a única inaugurada pela prefeitura de Belém nos últimos anos.
Ocorre que, percorrendo seu caminho, é facilmente observado que a ciclovia é de todo mundo. É uma ciclovia republicana, por assim dizer!
É do pedestre que para na faixa, dentro da ciclovia, esperando o sinal abrir; é do motoqueiro que pra fugir do engarrafamento a utiliza como atalho; é do outro motoqueiro que parou pra deixar uma encomenda (“rapidinho!”, segundo ele); é do carroceiro que deu uma paradinha pra juntar um entulho jogado nas ruas; é do motorista de táxi que parou “só um minutinho” pra pegar um cliente; é do moço que entrega gás naqueles carrinhos de pequeno porte; às vezes, é até da viatura da PM que estaciona pra fazer a fiscalização e a segurança pública da cidade; é das latas de lixo, aquelas grandes, deixadas na frente dos condomínios perto de São Brás; é do carro do lixo que para na ciclo faixa ao fazer a coleta; é dos ônibus que “sem querer” colocam um lado de suas rodas pra dentro da ciclovia; é dos carros particulares que a utilizam pra estacionar na frente das casas ou na frente dos lanches e bares da Mundurucus; etc...
Em resumo: a ciclovia da Mundurucus é de todo mundo. Se a gente parar pra pensar, pode ser até que ela também seja dos ciclistas, tanto que esses não atrapalhem todo o resto de cidadãos citados aqui em cima. Os muitos e muitos ciclistas que usam a via como corredor de transporte alternativo para o trabalho, evitando assim o pagamento de muitas passagens de ônibus todos os dias. E por falar em passagens de ônibus, informo a tod@s que ela já está mais cara nesta segunda-feira de Santa Maria de Belém do Grão-Pará.
Pensando em tudo isso é que tive a ideia de batizar a ciclovia da Mundurucus. Pensei em vários nomes, inclusive em homenagear familiares da atual administração pública. Mas, tendo em vista as características citadas, poderíamos lhe chamar de ciclovia “Casa da Mãe Joana”, pois, como muitas coisas em Belém na atualidade, a ciclovia não é de ninguém e é de todo mundo ao mesmo tempo.
Fica a sugestão para a prefeitura. Tenho certeza que será mais um bela homenagem à cidade de Belém, nas vésperas de seu aniversário de 400 anos.
Esteticamente “vanguardista”, plasticamente cult-retrô, comportamentalmente blasé, politicamente reaça! Os males pequeno-burgueses são!
[PS.: sobretudo da jovem pequeno-burguesia brasileira]

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Museu do índio

O museu é do índio, mas o índio ainda está vivo!
O índio ainda respira, ainda pulsa.
O museu é do índio, mas as terras são do Estado.
O museu é do índio, mas as terras são dos latifundiários.
Mais bonito se o índio estivesse na fotografia, bonitinho e emplumado!
Mais bonito se o índio fosse uma criança branca, pintadinha, cantando aos índios em feriados!
Mais bonito se o índio estivesse nos livros, em um passado engarrafado.
Todo dia era dia de índio, mas o índio ainda está vivo!
Agora!
Neste instante!
Em cima da árvore!
Mas aproveitem, não vai durar muito!
O passado é do índio, mas o tempo presente é daquele antigo progresso (enferrujado).
Logo logo, quem sabe, o índio volta para o museu...

Tão risonho quanto empalhado!

PS.: os índios estão vivos, agora, em vários lugares, aqui

sábado, 14 de dezembro de 2013

Protestos contra faixas exclusivas para transporte público, ou de como sofre a classe média!

Essa moça daí da foto, fez um protesto em São Paulo contra as faixas exclusivas para ônibus, argumentando que atrapalham o trânsito dos bons cidadãos que usam carro. Ora, que culpam têm esses cidadãos de terem dinheiro, casa, carros e agregarem valor ao mundo pequeno burguês consumista e individualista brasileiro, não é mesmo?!



Mas, na verdade o que muita gente que pensa mais ou menos como ela, ou quem sabe até ela mesma (hipoteticamente), queria dizer, era algo parecido com essa reconstituição "ficcional" que faço abaixo:

Faz de conta que é a indignada cidadã protestando contra as faixas exclusivas de ônibus. Ela continua:

- "E tem mais, eu acho que temos que acabar com esse negócio de transporte público! Ora, se os nossos negrinhos, ops... digo, se os nossos empregados querem ir pro trabalho, limpar nossos banheiros, engraxar nossos sapatos, quem vão à pé, pra isso tem calçadas. Eles já conquistaram o direito de usarem sapatos, então que os usem indo pro trabalho cedo! Já não basta essas bolsas esmolas para essa gente nordestina desdentada... ops, quero dizer, pra essa gente pobre... Daqui a pouco, além de faixa exclusiva para ônibus, vão querer faixa pra essa gente defeituosa que anda pedindo na rua... ops!, quero dizer, pra essa gente com problemas de locomoção. Se continuar assim, a gente dando direitos pra essa gente vagabunda, ops, quero dizer, pra essa gente pobre, o Brasil vai acabar virando uma Cuba ou a Venezuela... Deus me livre!"

Fim da reconstituição ficcional!

O que falar de tudo isso, né minha gente? Pensei em dar gritos de revolta, mas vou concluindo com um lamentar. Como sofre essa classe média brasileira, como sofre essa gente de bem.

É de dar dó!... de dar dó!

Tive aceso ao caso na postagem do Movimento Pró-Corrupção no facebook, aqui.

Perguntas de um trabalhador que lê Belém.

(em homenagem ao Antonio Lemos)

Quem construiu a Belém belepoquiana? 
Nos livros vem o nome de Lemos.
Mas foi ele quem transportou as pedras de mármore, quem plantou uma a uma as mangueiras hoje centenárias?
Não levava sequer um calceteiro preto, índio, caboclo, pobre, da periferia, para arrumar as pedras por onde passava?
E as óperas do Theatro da Paz, quem as patrocinava?
Nos livros aparecem nomes de nobres locais.
Mas, e os pianos? Carregaram eles mesmos os pianos nos ombros?

Como diria o poeta Brecht:
“Em cada página uma vitória.
Quem cozinhava os festins?
Em cada década um grande homem.
Quem pagava as despesas?

Tantas histórias
Quantas perguntas"

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Açaí com frutas ácidas mata!

Hoje estava na defesa de doutorado de um amigo na UFPA na qual estava presente, dentre outros, o professor e poeta João de Jesus Paes Loureiro. Em certo momento de sua fala, o poeta lembrou da crença de que a mistura de açaí com frutas ácidas matava (o que é a mais pura verdade científica, como todos nós sabemos!). Então, para surpresa de todos os presentes, ele falou do caso de uma pessoa que tinha tomado açaí e depois tomou sorvete de cupuaçú, ou algo do tipo, mas não morreu! Me desesperei neste momento! Pensei: "Meu mundo caiu! Toda a cosmologia e a teogonia amazônicas não passam de uma grande mentira!". Mas, eis que a sabedoria poética se impôs salvando a mítica - e garantindo o futuro da ciência. O mesmo poeta, complementando sua história, asseverou sem titubear: "Mas isso ocorreu apenas porque o sorvete tem gelo, ou foi resfriado, e o gelo mata o veneno da mistura!".
Xeque mate! Tôma-lhe-te! Pega-lhe-te!
Desvendado o segredo, a verdade se restabeleceu, nossas avós e as tiazinhas que contavam histórias de visagens e assombrações às seis da tarde estavam certas! Misturar açaí e frutas ácidas mata, só não o faz se tiver gelo no meio!
Agora só nos resta saber se a moça do táxi existe ou não existe, se a cobra grande mora ou não debaixo da Igreja da Sé, e outras coisas ainda não totalmente esclarecidas para mim...!
Seja como for, ao paraense desavisado, quando estiver em outras partes do Brasil e resolver tomar um açaí com granola e outras misturas, não custa nada dizer assim, como quem não quer nada, ao garçom: "Moço, capricha aí no gelo, ouviu!"
Nunca se sabe, né!! Não dá pra arriscar!
Boa sexta a tod@s e saravá!

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Fala de José Júnior sobre o Bloco da Canalha

Diga lá seu Jose Dias Jr.

"Que bom saber que nossa geração desenha sua história marcando presença na vida cultural e boêmia belenense. Assim como"a turma do peixe frito" dos anos quarenta representada por homens como Bruno de Meneses e Dalcídio Jurandir; os boêmios do bar do parque dos tempos de Ditadura Militar, que conspiravam contra o sistema fazendo música e poesia; da turma do "Afoxé Dudu" dos badalados anos oitenta, bem como dos "seresteiros do Carmo" nos anos noventa e dois mil, agora "A Canalha: A vil ralé que cospe no chão", que começou com uma brincadeira em brindes incessantes no saudoso Bar do Mezenga em meados dos anos noventa, agora sofisticadamente representada pelo Bloco da Canalha faz sua história numa sociabilidade alegre, saudável e bonita com gente que transmite as melhores das energias para essa nossa queridíssima Santa Maria de Belém do Grão Pará. É lindo ver lugares da cidade sendo recuperados como ponto de cultura (do mais alto nível, diga-se de passagem), como o Mercado de São Braz, obra do início do século XX, construído justamente como espaço de segregação, para atender os migrantes cearenses que se instalaram nos arredores de Canudos, Guamá e Covões de São Braz, gente simples não desejada pelos paladinos lemistas no centro da cidade, preferido aos "cidadãos bellepoqueanos". E hoje ao fazer um passeio pela cidade singrando as Avenidas Nazaré e Magalhães Barata desaguamos no Mercado construído por Filinto Santoro, que teve seus traços arquitetônicos propositalmente valorizados pelo arquiteto e ex-prefeito de Belém Edmilson Rodrigues ao fazer a inversão das avenidas, deixando-o de frente para o povo que agora o ocupa e o re-signifíca com a Batucada dos Excluídos dando o sentido e valor que o mesmo sempre mereceu. Parabéns a todos que fazem esse movimento!"

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

“Patrulhamentos ideológicos”

Há vários tipos de “patrulhamentos ideológicos”. Mas acho que há dois mais importantes.
O primeiro é o daquele teu amig@ que fala assim: “Pô, velho você ta sendo machista!”, “Pô, camarada, você tá pisando na bola, ta sendo preconceituoso”, “Pô, amig@, nada a ver, você tá sendo homofóbico!”, etc. Esse é o “patrulhamento ideológico” de seu amig@ mala, aquele seu amig@ chato e “politicamente correto”. Acho que esse “patrulhamento” tem uma vantagem: é feito por alguém que geralmente tá do seu lado, quer lhe “corrigir” como amig@, na boa, mesmo com a “chatice” do discurso politicamente correto. Gostaria de ter mais amig@s chatos assim, pra eu melhorar como pessoa!
O segundo tipo importante é o “patrulhamento ideológico” do discurso hegemônico. Esse é invisível e inaudível, você nunca vai ouvir alguém lhe repreender com ele, você nunca vai ser chamado à atenção e criticado por ele, porque ele já é discurso da normalidade, que por consequência já é o discurso da dominação. Então, por esse patrulhamento da média, do homem e da mulher comuns, da mídia, da família, do Estado, dos amig@s, da igreja, da grande imprensa, você nunca será repreendido e nunca será criticado, já que você já o reproduz sem refletir sobre ele.
Daí que você reproduz piadas e preconceitos contra negros, mulheres, gays, pobres, etc. mas não percebe o motivo de nunca fazer piadas sobre aqueles que estão no poder. Contra a normalidade quase ninguém se rebela, já que ela esta internalizada pela força da ideologia hegemônica.
“Patrulhamentos ideológicos” sempre existirão, já que todo texto, toda palavra, toda fala, todo discurso é permeado de ideologias. A diferença é que o “patrulhamento” contra-hegemônico, na maior parte das vezes se posiciona, pretende saber quem é e contra qual discurso está se opondo; e o “patrulhamento” do pensamento hegemônico não se mostra, não aparece, não fala, não critica, não é “chato”, não é “mala”, não é “polêmico”, não é “inconveniente”... já que é apenas a normalidade, o silêncio das relações de poder desiguais do dia a dia.
De qual “patrulhamento” você participa?
Saravá!

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

terça-feira, 9 de julho de 2013

Tendências fascistas e a arte da generalização.

Todo político é safado e ladrão! Todos! Todos, todinhos!
Todo pastor é ladrão e engana seus fies. Todos! Todinhos, não salva um!
Todo padre é pedófilo e gay. Todos!
Toda mulher com shortinho é puta e pede pra ser estuprada. Todas!
Todo partido de esquerda é feito de vândalos ateus comedores de criancinhas! Todos!
Fora infiltrados, fora infiltrados, aqui somos unificados, unidos, um “feixe”, uma força bruta!
Todo ativista e militante que protesta é vândalo! Todos!
Nada presta no Brasil, tudo é ruim, tudo é corrupto e não funciona. Tudo!
O Brasil é um pais de putas e bichas! Fora as putas e as bichas! Viva a família, a pátria, a propriedade e a nação!
A mídia mente, a Globo mente, a Veja mente, não acreditamos em ninguém! Todos são corruptos, como disse o Diogo Mainardi, Arnaldo Jabor e Willian Bonner!
Somos neutros, nem da esquerda nem da direita: fora partido de esquerda, sem partido, sem partido! Fora MST, fora sindicatos!
O gigante acordou! Viva a pátria, viva a bandeira, viva o hino nacional!
Eu soou brasileeiro, com muito orgulhooo, com muito amooor!


Moral da história: tendências fascistas e a arte da generalização. Cuidado!

domingo, 7 de julho de 2013

Urgente.

Necessita-se, com urgência
Com urgência urgentíssima
Olhar-se o horizonte de seu avesso
Para que não haja tropeço
Na hora da decisão
Necessita-se, com urgência
Com urgência urgentíssima
Sentar-se
Parar-se

Estar-se contido em contemplação. 

terça-feira, 25 de junho de 2013

Como são os “vândalos” segundo a interpretação da TV Liberal e do jornalismo brasileiro em geral.

Vários vândalos se reúnem em um lugar qualquer em um dia qualquer, pensam e discutem suas próximas ações:
- Amigos vândalos onde vamos vandalizar hoje?
-Ahh pra mim tanto faz, eu quero mesmo é barbarizar, eu quero vandalizar, queimar bandeira, quebrar tudo, eu sou sinistro, eu sou muito mau mesmo!
-É isso ai companheiro vândalo, nós somos maus, somos cruéis. Vamos quebrar tudo, vamos incendiar a prefeitura e comer criancinhas que encontrarmos na rua.
- Tive uma ideia amigos vândalos, vamos fazer algo diferente hoje, vamos ocupar supermercados e destruir coisas. Afinal somos maus! No caminho podemos destruir coisas e comer velhinhas e famílias inteiras que encontrarmos pela frente!
-Isso isso amigos vândalos! Eu mesmo ontem roubei pirulito de uma criança, depois estourei um balão de outra e por fim amarrei um foguete no rabo de um cachorro. De quebra ainda bati em um velhinho com a sua própria bengala! Uhuu, eu sou vândalo! Eu sou mau, eu pego criancinhas pra fazer mingau!
-É isso ai, todo mundo junto: “Eu sou um vândalo mau, eu sou um vândalo mau! Eu pego criancinhas pra fazer mingau”.
Todos repetem: - “Eu sou um vândalo mau, eu sou um vândalo mau, eu pego criancinhas pra fazer mingau”!
Fim.
Moral da história: tem gente que acredita em Papai Noel, tem gente que acredita em duendes, tem gente que acredita em vândalos iguais os descritos pela imprensa!
Sai dessa, vai pra rua e não seja idiotizado pelo que diz a TV.

Carta de apoio do Bloco da Canalha

O Bloco da Canalha, bloco de carnaval de rua do qual faço parte junto com outros 5 valorosos amigos fez uma carta de apoio aos movimentos de protesto no Brasil. Coloco aqui pra registrar:
Carta aberta sobre a luta popular!
"O Bloco da Canalha apoia os movimentos populares que invadem o Brasil e se soma a eles. Não é de hoje que colocamos o bloco na rua, na rua da cultura popular, na rua do carnaval e do riso popular!
Em Belém e no Pará a juventude não tem espaço para o lazer criativo e a arte. As ruas se tornaram espaço do medo e do asfalto quente! Nossas praças não têm artistas de rua valorizados, o boi-bumbá da periferia está em guetos. Skatistas, ciclistas, grafiteir@s, rockeiros, street dancers, hip hop, tribos urbanas em geral são hostilizados e amedrontados pelos poderes constituídos. A juventude negra e pobre é exterminada pela violência! A juventude periférica tem a sua música rechaçada, sofre preconceito da estética do “bom gosto”. Sua criatividade e potencial são castrados ainda pela violência urbana, pela falta de escolas e saúde, pela falta de lazer e arte, pelo abandono da Prefeitura e do Governo do Pará e Federal que pregam a “cultura da paz”, mas não tentam construir junto com o povo uma sociedade da paz e justiça!
Existe uma insatisfação geral na sociedade brasileira e os ativistas da cultura popular e alternativa não podem se colocar alheios a esse momento.
É importante também que lembremos que essa luta é antiga, apesar de tomar formas novas hoje em dia. Existe uma nova geração insatisfeita, mas há também problemas históricos e muitos e muitas lutador@s das causas populares. Esses grupos não são divergentes! A luta é de tod@s! Nunca dormimos!
Juventude, ativistas virtuais e reais, movimentos sociais, sindicatos, partidos de esquerda, trabalhadores sem terra, estudantes, trabalhadores, ativistas culturais, artistas, intelectuais, mulheres, Mov. LGBT, negros e negras, indígenas, religiosos progressistas, mídias alternativas e independentes, etc. a tod@s doem o peso do “sistema”.
No Brasil hoje o “sistema” não é apenas a corrupção dos políticos, é também e fundamentalmente a ação dos “corruptores”. O poder do capital corrompe, as grandes corporações corrompem, o latifúndio corrompe, o judiciário tendencioso corrompe, os políticos conservadores corrompem, a inércia e a apatia corrompem, o fundamentalismo religioso corrompe, o “jeitinho brasileiro” corrompe, a grande impressa mente, manipula e corrompe (Globos, Vejas e Cia.)!
Não acreditem no que nos diz a grande imprensa e a TV! Cuidado com conservadores disfarçados com o discurso da “neutralidade” e do “patriotismo” que cheira a Ditadura Militar!
Esse sistema tem nome e rosto e não nos representa!
É a hora dos artistas marginais, artistas da cultura popular, artistas de rua, artistas da periferia, poetas marginais, batuques e sambas, colocarem o seu bloco na rua!
O carnaval chegou mais cedo esse ano! As ruas já estão coloridas! As mascaras já estão nos rostos dos novos agentes da mudança! Mas todo o carnaval tem seu fim! Temos também que construir uma linda quaresma!

Ass. Coords. do Bloco da Canalha

Tod@s à rua!"

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Escola Celso Malcher: novo capítulo do abandono da educação no Pará.

A antiga história da Escola Celso Malcher na Terra Firme entra agora em mais uma temporada de abandono do Governo do PSDB. Já fazem algumas semanas que os alun@s estão sem aula por conta da falta de água, um muro que ameaça cair e o calor infernal por conta da não substituição do sistema de refrigeração da escola. Ontem houve uma passeata no bairro e mais uma vez a SEDUC disse que resolveria o problema. Será? Se formos lembrar da história dessa escola é difícil acreditar. Pois, vejamos!

Há tempos atrás fiz uma postagem sobre essa escola na Terra Firme. Ela foi adaptada em um galpão quente e úmido que antes era usado para jogos de futebol de salão. Pra termos uma ideia a escola era chamada de “presídio” pelos alun@s do bairro. Ela foi inaugurada no governo do PSDB (Se não estou enganado foi na transição do governo Almir Gabriel - PSDB - para seu sucessor e agora novamente governador, Simão Jatene - também PSDB).

Na época eu fui professor da escola e nós, professor@s e comunidade, brigamos muito pra que o governo fizesse uma escola nova. Foram dezenas de reuniões com técnicos, idas à SEDUC, assembleias, etc. Passou-se um bom tempo e o governo colocou a escola no prédio da paróquia de São Domingos de Gusmão. Prédio um pouco melhor do que o anterior, mas alugado. 

Ocorre que o aluguel foi encerrado no final do ano passado e a escola foi transferida para o prédio onde antes funcionava um projeto social da CELPA. O prédio é bonito e aparentemente confortável, mas tudo indica que foi projetado para existência de central de ar.

Com a retirada do projeto social da CELPA daquele lugar o sistema de refrigeração também foi retirado e não foi reposto pela SEDUC. Resultado: calor muito intenso. Os alunos e funcionários reclamam que é praticamente impossível estudar lá. As crianças ficam molhadas de suor, em condição desconfortável e desumana, e os professor@s são acometidos por problemas de saúde constantes por conta de terem que dar aula no calor e na unidade. Além disso, apareceu o problema de falta de água e de um muro que ameaça cair.

A equipe técnica e os professores da escola são muito dedicados e comprometidos com a comunidade, porém tiveram que paralisar as atividades. Parcialmente para algumas turmas e totalmente para outras. Sei disso porque além de ex-professor e morador do bairro, tenho um familiar que estuda na escola!
Em resumo a história de abandono e sofrimento dos alun@s, funcionári@s e comunidade que depende da Escola Celso Malcher no bairro da Terra firme já está entrando em uma década de existência.

A comunidade mais uma vez está organizada e exigindo uma resposta rápida do governo do estado e da SEDUC. A questão é saber se teremos que esperar mais 10 anos para resolverem isso!


terça-feira, 11 de junho de 2013

O não-lugar discursivo das funkeiras

O mais curioso nesse debate todo envolvendo o projeto de pesquisa de mestrado de Mariana Gomes sobre a Valeska Popozuda é que a maior parte das pessoas que se colocou contra o tema o fez sem considerar que se tratava de um “projeto de investigação” e que por sua própria natureza não necessariamente iria confirmar as hipóteses inicialmente sugeridas pela pesquisadora. Ou seja, se a Valeska representa ou não uma forma de feminismo que ainda não havíamos percebido só saberíamos ou saberemos ao fim da referida pesquisa.
Na verdade, à Valeska e à mulher funkeira em geral, não foi dado o direito de se tornar “objeto do conhecimento”. Ou seja, até mesmo o status de “OBJETO” a ser investigado não lhe foi autorizado por um discurso científico e por uma visão censo comum do que deveria pesquisar a ciência. Mas quem define o que pode ou não ser investigado? Não esqueçamos que a ciência na maior parte das vezes parte de uma epistemologia que foi construída a partir de uma visão de mundo que é a priori ocidental, branca e masculina.
Ou seja, a ciência, ou a visão que se tem de ciência normalmente, parte de uma concepção de que certos temas não merecem sequer ser investigados. São reservados assim ao NÃO-LUGAR DISCURSIVO das coisas a priori resolvidas, naturalizadas: ou seja, a mulher funkeira sempre será naturalmente alienada e por isso nem sequer deveríamos mexer nesse tema (que além de tudo, é brega!).
Ué, mas por que tanta polêmica para uma pergunta (ciência = pergunta), já que a priori perguntar não ofende? Ou ofende? Por que ofende perguntar (investigar) sobre o funk e sobre as mulheres quase todas negras e quase todas pobres do funk? Ofende a quem?
Isso me lembrou que esses dias na Alemanha, na Universidade de Leipzig, houve um amplo debate na mudança do estatuto da instituição, sobre o termo que se deveria usar para referir-se aos “professores”. Há algum tempo a universidade já usava algo como “professor/professora” nos textos oficiais, mas algums professores (possivelmente homens) criticaram essa mudança argumentando que os textos ficariam longos demais. Como resultado, o órgão que iria tomar a decisão final sobre o tema se posicionou dizendo que a partir de então, para evitar textos longos com o/a “professor/professora”, a universidade passaria a usar apenas “professora” nos seus documentos oficiais! Isso mesmo, “professorA”!
Resolvido! Por que se ofender com isso, não é?!
Mas voltando ao Brasil e ao caso do tema de pesquisa sobre a Valeska, é importante considerar que essa interdição de um discurso que é ainda o discurso da “investigação” (da pergunta, da dúvida, do problema, etc.) sobre uma mulher funkeira representa muito bem o que a ciência pode conter de poder de silenciamento sobre os grupos subalternos. E isso me lembrou uma frase solta que li um dia desses de Elie Wiesel, Prêmio Nobel da Paz. Ele dizia: “o carrasco mata sempre duas vezes, a segunda pelo silêncio”.
Pois então!
Deixo ao debate o excelente texto de Talita Silva sobre essa questão: Papo de academia: Lattes que eu tô passando.

Saravá!